novembro 28, 2005

AUTO-AJUDA ÀS AVESSAS

O cristianismo é uma auto-ajuda às avessas. Os livros de auto-ajuda têm como objetivo aumentar a auto-estima do leitor ou mostrar aspectos da vida que o faça ganhar tempo ou dinheiro, ou qualquer outra coisa para ele se dar bem. Na contramão disso, o cristianismo exorta os fiéis justamente a burlar a lei do menor esforço, tão cara à humanidade. O cristão deve andar pelo caminho difícil, passar pela porta estreita e em sua vida cotidiana comparar seus atos aos de cristo. Assim, o cristão é, além de um ET neste mundo, também otário aos olhos das pessoas normais. No centro da vida do cristão não está seu ego e sim Deus e seu semelhante em quem ele vê Cristo. Eis a diferença entre uma religião de resultados e a verdadeira. É a mesma diferença entre a Bíblia e os livros de auto-ajuda.

Posted by César Miranda at novembro 28, 2005 09:02 PM
Comments

Amigo, os leitores do Ribeiro e os fiéis do Macedo não merecem ser afugentados. São pessoas queridas que, aprisionadas por essa sociedade consumista buscam dar uma resposta à pressão que sofrem. O que elas precisam é ser iluminadas e descobrir que, aqui mesmo, na terra, podemos descobrir que satisfação não se encontra no "ter" externamente, mas no contentamento. Paulo ensina que grande fonte de lucro é a piedade com CONTENTAMENTO. Quando crucificamos a nossa carne e deixamos o Espírito Santo dominar nossas vidas descobrimos que alguém pode estar contente sem ter uma Mercedes, uma casa de campo em Campos do Jordão ou uma cobertura em uma grande capital.
O aspecto CONTENTAMENTO independe do quanto se tem mas do como se tem. É isso que eu tentei dizer no post anterior.
Ou seja, embora aparentemente a vida do verdadeiro cristão possa parecer uma droga para quem olha de fora, para quem a experimenta é a verdadeira fonte da felicidade, pois traz CONTENTAMENTO. Existe coisa melhor do que se viver contente?

N. do E.: Veja bem, não há nada de errado em se ter uma casa de campo em Campos do Jordão, nem em ter uma Mercedes ou uma cobertura. Isto não nos faz mais cristãos ou menos cristãos. O que nos faz menos cristãos é buscar Cristo para conseguir uma cobertura. É buscar o caminho largo. Ficar contente em crucificar nossa carne e achar delicioso, isto é masoquismo. O meu cristianismo é apenas um submeter-se ao inevitável, que é a verdade, sem se importar se isto dói ou não. A mim não interessa se sou feliz ou infeliz (não vejo o cristianismo como “fonte de lucro” de nenhuma espécie), apenas não coloco outra opção a minha vida, não vejo como poderia viver de outra forma (e tudo o mais me é irrelevante). Devo servir a Deus quer eu sofra ou não com isto (Jesus por acaso era, como homem, feliz? Muitas vezes Ele reclamava da vida difícil que levava). Confesso que tenho em minha vida mais momentos de felicidades do que de tristeza, porém se essa coisa virar e eu passar a só ter problemas, mesmo assim, manterei minha vida nas mãos de Deus e que seja feita a Sua vontade.
Tentarei afugentar os insensatos daqui o máximo que puder (o blog é meu, tenho este direito) e o afugento justamente iluminando seu caminho, quem não fugir (quem não se assustar com a luz) e ficar aqui mesmo com minhas palavras "desagradáveis", poderá mudar sua vida. Mudar para pior sob o ponto de vista deste mundo, pois deverá se submeter às lei de Deus, deixará de ser o senhor de sua vida, e isto é justamente o avesso do que diz os livros de auto-ajuda. O mundo quer que sejamos senhores de nossas vidas, se esquecendo de que quem é senhor de sua vida é também escravo de si mesmo.

Posted by: Humberto at dezembro 1, 2005 09:40 AM

Bom texto, muito embora um tanto exagerado. Acho que na tentativa de combater a religião de resultados tornaste o cristianismo um tanto pessimista, o que não é verdade.
Embora que por caminho diverso dos livros de auto-ajuda, cristianismo é vida, é alegria, só que por meio da morte.
Em Rm 6, Paulo nos ensina que se formos unidos com Cristo na semelhança de sua morte, também seremos unidos com ele na semelhança da sua ressurreição. Não é pouca coisa, né?
Jesus também nos ensinou que se aquele que perder a sua vida por amor dele achala-á. Assim, a aparente perda do Cristão é ganho. Depois da morte há a ressurreição, após o Calvário há o Pentecoste, após a renúncia há a bênção!
Após a morte para o mundo, há o renascer como nova criatura; após a renúncia da santificação há um céu de glória. Como disse o nosso amigo Paulo, tenho por certo que as aflições do tempo presente não se podem comparar com a glória que há de ser revelada em nós.
Assim, César, embora correto, o teu texto exagerou um pouco mostrando um Cristianismo um tanto opaco, o que tu sabes que não é bem assim.

N. do E.: Humberto, como humorista tenho que exagerar e o objetivo era mostrar o cristianismo opaco mesmo. Opaco aos olhos do mundo. Um cristianismo de resultados já é propagado demais. Quero desafinar esse coro e mostrar o verdadeiro sentido da vida do cristão que é, neste mundo, servir a Deus. Não vejo nenhum pessimismo nisto, inclusive porque não sei como se poderia viver de forma diferente. Ser um instrumento nas mãos do amor, é para isto que nascemos. Você se referiu ao que teremos após a vinda de Cristo, mas o post é sobre nossa vida aqui neste mundo, daí a comparação com os livros de auto-ajuda, coisa que certamente não existirá na eternidade. Enfim, foi um post para afugentar fiéis de Edir Macedo e leitores de Lair Ribeiro.

Posted by: Humberto at dezembro 1, 2005 12:36 AM

Um post com texto impopular, você sabe; e muito bom.

N. do E.:Um de meus desafios é dizer coisas desagradáveis sem ser chato. Sobre esse texto, vou escrever mais, pois é tema riquíssimo e muita gente se equivoca ao confundir a Bíblia com livros de auto-ajuda. Como confundem o cristianismo com marxismo. Nós como luz do mundo, temos que iluminar os caminhos, não importa se seremos agradáveis ou não. Como diz São Paulo, se eu quisesse agradar os homens, não seguiria Cristo. Que bom que gostou, obrigado.

Posted by: Claire at novembro 29, 2005 05:32 PM
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