Vamos esclarecer o que quer dizer que “o Estado é laico”. Isto significa que o Estado não é crente de nenhuma religião, porque o Estado não é uma pessoa, o Estado não será julgado por Deus nem irá para o inferno e muito menos para o céu. Querem transformar a “laicidade” do Estado em “laicismo”, isto é, querem tornar o Estado em um crente da sua própria laicidade. O Estado não tem religião justamente porque ele deve respeitar todas as religiões de seus cidadãos. O que ocorre hoje com essa interpretação errônea do termo “Estado laico” é que querem fazer do Estado uma pessoa anti-religiosa, que proíbe seus cidadãos de se manifestarem e demonstrarem que são religiosos, coisa que ocorre nos países comunistas e nas piores ditaduras atéias de todos os tempos. O Estado é laico, isto é, o Estado deixará quem quiser passear com os símbolos de sua crença e condenará quem o proibir. Se um juiz for cristão, o Estado não deve obrigá-lo a tirar a cruz de Cristo na parede. Se a aluna for muçulmana não deve ser obrigar a deixar sua roupa muçulmana em casa etc. O que se quer instituir é justamente o avesso.
Posted by César Miranda at outubro 29, 2005 11:50 AM............ei eu já falei muito legal!!!
guerthez@ig.com.br
A «regra de ouro» da laicidade: «Ame o outro como a ti mesmo»
O teólogo Piero Coda na Jornada islâmico-cristã celebrada na Itália
ROMA, segunda-feira, 31 de outubro de 2005 (ZENIT.org).- A laicidade necessita de inspiração na regra de ouro presente nas religiões: «Ame o outro como a ti mesmo, não faças ao outro o que não queres que façam a ti».
É a proposta de Dom Piero Coda, presidente da Associação de Teólogos Italianos, lançada na sexta-feira passada no Palácio Valentini, sede do Conselho Provincial de Roma, por ocasião da última sexta-feira do mês do Ramadã, quarta Jornada do Diálogo islâmico-cristão.
Dom Piero Coda recordou que a laicidade não é uma nova cultura, «mas é a condição para a convivência de todas as culturas».
Segundo ele, «a laicidade expressa mais que um método, um conteúdo».
«A situação em que vivemos impulsiona-nos a reconhecer que o diálogo entre as religiões reveste um preciso significado civil», asseverou Dom Coda. Por isso, considerou, é necessário «reconhecer no outro um portador de valores positivos».
Para Dom Giovanni Cereti, teólogo e ecumenista e membro da Conferência Mundial das Religiões para a Paz, é importante constatar que ainda que a opinião pública veja «as religiões como causas de guerra e divisão», estas são na realidade «fontes de paz».
O professor de Ecumenismo na Faculdade Pontifícia do Marianum convidou a aprofundar no sentido da declaração do Concílio Vaticano «Nostra Aetate», sobre as relações da Igreja católica com as demais religiões, que acaba de completar 40 anos.
Por outro lado, o embaixador do Reino Unido na Itália, Ivor Roberts, fez referência ao projeto de seu país para prevenir o terrorismo e apresentou propostas para ajudar as mesquitas a evitar extremismos.
Neste sentido, pediu «criar leis que penalizem a incitação ao ódio religioso e racial e que afirmem claramente que a exaltação ao terrorismo não é uma legítima expressão política».
Por parte muçulmana, interveio o doutor Abdellah Redouane, secretário-geral do Centro Islâmico Cultural na Itália.
Referiu-se a diferentes níveis de diálogo e convivência --«de fato, estrutural, política e internacional-- e ressaltou que às vezes «os imigrantes são o centro privilegiado da xenofobia, a qual termina rejeitando a convivência, semeando só ódio, ignorância e até sentido de superioridade».
Uma voz feminina chegou da parte dos filhos da Reforma. A pastora Maria Bonafede, moderadora da chamada «Tavola Valdese», ressaltou que o diálogo que promove desde sua confissão religiosa «realiza-se na convivência e na construção de sentido na relação de uns com outros».
A Jornada do Diálogo islâmico-cristão terminou nesta ocasião com uma visita guiada à Grande Mesquita de Roma. Os assistentes, entre eles Zenit, puderam visitar esta enorme mesquita, assim como vários exemplares do Alcorão, na Biblioteca da mesma.
ZP05103104