Naquela terça-feira cheguei em casa como sempre chego às 21:30, de um curso que faço toda terça-feira de noite. A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi desligar a luz. Tinha esquecido de desligar a luz da sala ao sair. Se chegasse e a luz tivesse desligada, eu deixaria desligada. Até hoje não entendo porque as pessoas precisam de tanta luz para andar dentro da própria casa. Chegando em casa vindo de um curso, o que devo fazer? Primeiramente colocar os livros em cima da mesa. Sei onde é a mesa? Sei, então é só ir até lá, no escuro mesmo e deixá-los lá em cima. O escuro aqui é sempre relativo. Nas cidades grandes em que vivemos não existe escuro. Sempre há uma janela por onde entra a luz da cidade. Pois bem, depois, o que farei? Vou para o quarto trocar de roupa, vestir algo mais confortável. Sei onde fica o quarto? Sim sei, moro lá naquele apartamento há tempos, como não saberia, então para quê ligar a luz? Só para gastar à toa. Chego ao quarto e tiro a calça e a camisa, coisa para a qual não preciso de luz mesmo, pois sei muito bem onde está meu corpo naquele momento. Sei onde fica a porta, para colocá-las atrás? Sim, sei, acabei de entrar. Então, pra que luz? Desperdício, puro desperdício. Então peguei o violão (sei onde ele está muito bem). Toquei um prelúdio de Bach de olho fechado, nem precisava, pois já estava escuro mesmo, mas é uma peça que toco há muito tempo. Ainda com a alma quase glorificada do êxtase celestial que é tocar Bach, me senti além de tudo um ótimo cidadão por sempre economizar energia. Liguei a TV e uma notícia dava conta de que os empresários desconfiam que um novo apagão virá por aí, caso o governo não providencie imediatamente novas fontes de energia. Então, imediatamente, liguei todos os interruptores do apartamento! Explico-me. Da outra vez que se ameaçou um apagão, todos os lares tiveram que reduzir o consumo em 20% da média de seus últimos meses. Imaginem se me obrigam hoje a fazer isto, eu que já ando na escuridão o tempo inteiro?! Agora tratarei de aumentar meu nível de gasto com energia, que não adianta ser um bom cidadão no Brasil, que você logo recebe seu merecido castigo.
Posted by César Miranda at outubro 29, 2005 11:51 AMTudo muito estranho. Na última terça-feira, em Porto Alegre, dia 25, aniversário de minha mulher, passamos a noite às escuras. Como não tocamos instrumento nenhum, só nos restou a cama e o radinho na Rádio da Universidade, que apresentava o Réquiem de Verdi. Ia dizer a minha mulher que aquilo estava bem apropriado, mas era aniversário dela e tu sabes como as mulheres são. Silenciei, né?
Abraço.
Posted by: Milton Ribeiro at outubro 31, 2005 12:03 PMCertas medidas não funcionam porque existe um conflito de interesses (economizamos, e as empresas q nos fornecem energia e às quais pagamos perdem um pouco dos seus lucros extraordinários; então, exigem aumento de taxas, cobrança pra antigos serviços q eram embutidos nas taxas até então, etc...). O melhor mesmo é ir gastando; senão, depois, eles vem com essa de "tirar a média" de cada usuário, e este é quem se prejudica (como sempre).
Posted by: Claire at outubro 31, 2005 05:32 AMClássico, meu caro César. Parabéns!
Posted by: Orlando at outubro 30, 2005 09:16 AMEu conheço esta história. Aconteceu com a boba aqui.
Posted by: Adelice at outubro 29, 2005 01:08 PM