agosto 17, 2005

PSI

A psicóloga é a veterinária das almas. A faxineira das mentes. Guardiã da sanidade, inimiga da loucura, combate a neurose. Ela passeia nas cabeças à procura de sujeira. Ela abre o motor do cérebro atrás de parafusos soltos. Ela testa a alma humana, vê se está adequada a viver entre outras almas. Vê se a alma é bonita, se está limpa e de banho tomado. Vê se a alma está brilhando a ponto de se mirar nela e faz um serviço delicado e muito difícil, que é dissecar a alma e ao mesmo tempo mantê-la intacta. Ao mesmo tempo – também – deve manter a própria alma ilesa e pura, pois há riscos à alma da psicóloga com tantas almas desmanteladas por aí. Vai que uma neurose se lhe injete, vai que um a histeria lhe assalte, vai que um tipo qualquer de loucura tome a alma dessa doutora de almas. Por isto e para que isto não ocorra, a psicóloga ama. Ama e se apaixona. Sorri, sonha, pensa e sofre. Celebra, canta, anda, espera, deseja, fala, ouve, crê, duvida, cansa, descansa, olha, faz, enfim o que faz toda alma sã porque viver é simples, porque viver simplesmente é amar simplesmente e é também o que a psicóloga chama de sanidade. Falta de vida e amor é o que torna adoecidas as almas. E segue a psicóloga injetando vida em almas quase mortas.

Posted by César Miranda at agosto 17, 2005 06:49 PM
Comments

À Amanda e à Márcia.
E à Irmã Matilde.

Posted by: César Miranda at agosto 17, 2005 06:56 PM
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