agosto 27, 2005

CRIANÇAS

Os adultos são crianças que não morreram. O que significa que entre os adultos, a mortalidade infantil é zero. Grande é a imortalidade infantil, mas já fiz essa piada. Somos crianças que não morreram. Crianças que se entediaram. Crianças que os pais desistiram de sustentar por vingança contra seus pais que também deixaram de sustentá-los. Somos crianças que nasceram há tempos, muito tempo. Crianças que perderam o interesse em seus brinquedos. Crianças que sem querer cresceram e hoje se quiserem saber o que é ser criança têm que fazer suas próprias crianças e jogá-las neste mundo terrível em que ser criança dura tão pouco. Já não somos mais crianças, mas lutamos, ou deveríamos lutar com todas nossas forças, toda nossa alma para voltarmos a ser crianças, pois só se formos crianças novamente, ganharemos a vida eterna e naquele lugar seremos eternamente crianças sem tédio e sem morte e o Pai nosso jamais deixará de nos sustentar. Então, mãos à obra, mostremos que somos adultos e voltemos todos a ser criança.

Posted by César Miranda at agosto 27, 2005 12:52 PM
Comments

Olhe, Césae se i que vou me arrpender e pagar um preço alto por escrever isso, mas é irresistível.
Considerando-se que no Sermão da Bem-aventurança, Cristo disse que o reino dos Céus também pertencia aos pobres de espírito - foi ou não foi? e também a vários outros, ou seja sempre havia adição e comutatividade, eu - com muito carinho e calma, lhe pediria para não ir tão longe: ninguém está dizendo que Jesus estava errado. Mas que tal se você, de forma salutar e nem tão dispendiosa assim, pensasse o inverso: que *você* poderia estar errado, principalmente nas várias misturas que faz de seus argumentos.
Não dói;-)
E, falando sério, não era só Platão que falava em *entidades*;-)
Um beijo
M
P.S Mas já vou fazendo aqui o disclaimer: caí em tentação, pois discordar de você é um perigo:-)

N. do E.:Não vem não, Meg. O tom de vocês duas – Meg e Thata - é claramente de sugerir que a tese de Nosso Senhor JC está errada. Eu posso ter misturado argumentos, mas se o fiz foi porque sou humorista, é assim mesmo que faz um humorista. Se errei foi de propósito e “um erro proposital”, já nos ensina a sabedoria de GK Chesterton, “não é um erro”. No essencial, porém, não mexamos. Quando Jesus diz que “delas [das crianças] é o reino dos céus” está nos convidando a que tenhamos um coração puro. Não está falando que as crianças são perfeitas e que elas não possam ser egoístas e cruéis. Está dizendo é que as crianças não são mornas como os adultos. Uma criança é cruel por um motivo muito diferente do motivo da crueldade do adulto. Eu, felizmente, não tenho visto nenhuma criança furando olho de passarinho ou colocando pimenta na chupeta do irmão. Ao contrário, vocês precisam ver minha sobrinha Tatá, de um ano e meio, pegar o prato, quando qualquer um acaba de comer, e levar para a pia, no afã de ajudar sua mãe. Lamento por você, mas as crianças de minha vida são adoráveis.

Posted by: Meg at agosto 29, 2005 05:31 PM

Uau! Grande post.
Mas concordo inteiramente com a Thata. Você sabe que já escrevi sobre isso - o que aliás não quer dizer nada, pois tantos gênios escreveram.
Mas a tanto crianças quanto adultos são individualidades que têm suas características próprias. Vc falando assim, parece até que não existe uma criança e sim a *classe, ou gênero *criança*. Há crianças extremamente cruéis e calculistas. E isso não é fruto de defeitos de adultos que os criam. É assim, César.
E qual o tipo de animal que vc mais gosta pisc***
hohoho
Meg

N. do E.Meg, existe sim a classe criança ou pelo menos existe aquela criança a respeito da qual Cristo falou. A criança de hoje deve ser diferente da criança daquele tempo, mas a culpa é de nossa cultura (que é coisa de adulto). Escreverei mais a respeito para esclarecer este ponto. A princípio não posso admitir que Jesus estava errado. Nem posso admitir que alguém discorde dEle na minha presença. Lembrei-me d'A Vida de Brian, se você e a Thata estivessem lá com Cristo quando ele falou que é das crianças o reino dos céus, você responderiam, "até meu sobrinho, aquela peste? Ah, fala sério!"

Posted by: Meg at agosto 29, 2005 03:00 PM

Somos todos crianças, no que temos de mais cruel e egoísta. Somos crianças mimadas, o que muda é só o tamanho dos nossos brinquedos. Não acredito nessa pureza das crianças, acredito que o lado bom do ser humano não tem nada de infantil. Há que ser muito maduro para saber amar o próximo. Crianças só amam a si.

N. do E.Thata, ser criança mimada é uma prova de imaturidade adulta, ser imaturo é característica de adulto, a criança não é imatura, ela apenas tem interesses diferentes, para ela brincar é coisa séria. Ser maduro é ser obediente como uma criança obediente e pura. Uma criança não arma esquemas para passas o outro pra trás, não assalta, não seqüestra nem trafica drogas. Uma criança ama quem ama, não finge, não ama quem não merece seu amor. Uma criança fica mimada à medida em que cresce e deixa de ser criança ou na medida em que adquire manias que os adultos lhes põem. Hoje em dias as crianças deixam de ser crianças cada dia mais cedo. Ser criança tem pouca relação com a idade que a pessoa tem.

Posted by: thata at agosto 29, 2005 11:57 AM

Mto bom, César! Amei esta: "entre os adultos, a mortalidade infantil é zero". Faz sentido. Mas... por que "perderam o interesse em seus brinquedos"? Disso eu discordo.. acho que não perdem, não - eles apenas criam novas bricadeiras, descobrem outros divertimentos, já que, mesmo quando crianças, perdemos o gosto quando a novidade deixa de ser novidade, lembra? Acho que é isso...
Um big beijo de criança pra vc... rs

Posted by: Thaís Trugílio at agosto 29, 2005 11:47 AM

Até Nietzsche reconheceu que ser maduro é reconhecer a seriedade que se tinha quando criança ao brincar.

Posted by: Eliot at agosto 27, 2005 04:55 PM

Muito bom, César. Vamos lá.

Posted by: Alexandre at agosto 27, 2005 03:00 PM
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