Tenho um conhecido que se apaixonou por uma moça que ele conheceu por rádio amador. Isto é, se apaixonou pela voz de alguém, que ouviu em um meio de comunicação onde não se distingue se uma voz é de Maria Callas ou do Tiririca, caso os dois cantem “Florentina”. Enfim, o rádio amador foi o meio de comunicação mais avançado de sua época, mas tinha limitações de sorte que o se ouvia era uma chiadeira horrível e todo tipo possível de interferência. Ainda assim, as pessoas se apaixonavam por conhecidos de rádio amador. No caso do meu conhecido o resultado foi um desastre, a mulher era horrível e chata. Pois bem, hoje o meio de comunicação mais avançado é a internet e as pessoas continuam caindo no velho conto da voz do rádio amador e se apaixonando por pessoas que conhecem na internet. Esses moços, pobres moços! Não creio que confundam a pessoa com a foto da pessoa (conheço caso de alguém fotogênico que é mais feio pessoalmente do que outra pessoa não fotogênica, aliás, quem é muito fotogênico terá sempre a imagem distorcida, não devemos esquecer daquela frase de Millôr que diz que a realidade é uma aberração da fotografia e diferentemente do que pensavam os índios, a fotografia não rouba a alma, ela omite a alma, infelizmente, pois quem vê fotografia não vê coração. Toda fotografia é uma omissão e mais, toda fotografia é a fotografia de um morto, pois como diria aquele efésio senhor, ninguém é fotografado duas vezes), nem acredito que confundam o que a pessoa escreve sobre si com a pessoa, ou que confundam as comunidades no Orkut da pessoa com a pessoa. Ou podem até confundir, acreditamos naquilo que gostamos de acreditar e depois quebramos a cara e saímos mais sábios (embora tenha gente que nem matando aprende). Ou como diz o Duc, enganamos mais a nós mesmos do que aos outros. Digo isto, justamente para defender a tese contrária. As pessoas que conheci primeiro na internet e depois pessoalmente, salvo uma ou duas desastrosas exceções, são muito melhores, mais divertidas, mais amigas e mais bonitas pessoalmente.
Posted by César Miranda at maio 19, 2005 06:58 PM