Agnóstico é aquele que não sabe. Eu quando me tornei ateu antes era um cristão protestante. Depois de ser ateu, me tornei agnóstico. Passei de agnóstico passei a teísta e deste a cristão. Não é comum alguém deixar de ser ateu para virar agnóstico. A mudança a partir do teísmo inocente (como o protestantismo puritano, por exemplo) se dá diretamente para o extremo oposto, o do ateísmo convicto. Sendo uma passagem, o agnosticismo é uma conquista do ateu, é quando a pessoa dá um passo rumo à sabedoria socrática. Em seguida, com perseverança, honestidade e alguma sorte, dará outro passo rumo à santidade cristã. E é comum ver agnósticos se tornarem cristãos, como é comum ver agnósticos se interessando pela poesia e sabedoria das religiões. Pessoas assim são os verdadeiros agnósticos. Porém, há falsos agnósticos e há aqueles que nem sabem o que significa o termo (seria o agnosticismo apenas o medo do ridículo?). E desse equívoco [sobre a verdadeira natureza do agnosticismo] surgem as relações equivocadas do agnosticismo com o ateísmo e do agnosticismo com a dúvida, eu inclusive já me equivoquei bastante sobre isto. Ora, para duvidar é preciso saber algo. O agnóstico não sabe, como poderia duvidar? Não saber, porém, não significa "não querer saber", todo mundo quer saber e eis a porta por onde o agnóstico encontrará sua saída (quando se dispuser a sair). O agnóstico como T. H. Huxley definia é um ser anódino, que nada mais é do que um radical cientificista. É, pois, um escravo de sua crença agnóstica. Está piamente convicto de que não se deve seguir doutrina nenhuma, se esquecendo de que isto se constitue em uma doutrina. O agnóstico de Huxley abre mão da pretensão de querer saber. Ora, esta despretensão é totalmente pretensiosa e se constitui também em um suicídio típico das religiões orientais que instituem o nada como a bem-aventurança ou crêem em ciclos eternos de repetições de uma mesma vida ou simplesmente nada falam sobre o sobrenatural. Evidentemente esse modo agnóstico de ser não funciona muito tempo na vida de um ocidental. Nós ocidentais gostamos de algo, fugimos do nada. O ocidental pode até ignorar a própria realidade e tudo o que o cerca, mas jamais ignorará a si mesmo. "Penso, logo existo", cremos muito nisto. Veja bem, o agnóstico crê demais na existência do incognoscível. Ora, isto aí já é o princípio da dúvida. Ele crê que algo há, porém esse algo não seria acessível a ele. Mas não diz que não gostaria que assim o fosse. Evidentemente se se lhe fosse permitido conhecer, ele quereria conhecer e... pronto, foi por água abaixo sua neutralidade. Soma-se a isto, o fato de que agnóstico também é gente, que sente, ama, sofre e deseja. Daí surge uma busca de sentido que no ateísmo até pode ser interditada assumindo-se uma visão cínica e niilista da vida, mas é um sentido que é impossível ser encontrado sem sair por aquela porta do "querer saber" e desvencilhar-se um pouco da própria crença de que é impossível saber. E o agnóstico vê que seu agnosticismo é um estágio legítimo, porém insatisfatório, pois há coisas não-racionais que ele sente e sabe com a mesma certeza de que existe e são coisas que não lhe entraram pelos cinco sentidos nem pela razão. Será que alguém é agnóstico a ponto de não meditar e será que recusa radicalmente qualquer exercício contemplativo? Será que alguém passa a vida a fugir da procura por respostas? E se as perguntas se tornarem cada vez mais altas e resignadamente, se não quiser ficar louco, o agnóstico ouvir a resposta e a resposta certamente será aquela palavrinha bem brega que todos sabemos. "É só isto?" Indagará o agnóstico à voz do Amor. E a resposta virá: "Sou".
ps - post à Dani e à Meg, minhas agnósticas favoritas.
Respeito pelas diferenças e humildade pra aceita-las, admiro quem tem fé e procuro entender onde e como se fixam com tanta garra, no invisível, no escuro e talvez no inexistente... Acho que isso é ser agnóstico.
Posted by: João Ninguém at maio 12, 2006 01:42 AMNão me sinto ateu, nem agnóstico, nem cristão, nem nada... Já passei por várias religiões, fui batizado na católica, mas minha infância foi na Igreja Presbiteriana, porém, ao mesmo tempo que frequentava a escola dominical, ia durante a semana tomar passes num centro espírita Kardecista e ia às reuniões da Seicho-No-Ie.
Depois de muito tempo seguindo, como base o protestantismo, resolvi largar tudo. Porém, anos depois, comecei a frequentar a Umbanda, sendo que atuei como médium por mais de 10 anos. Aí... cansei novamente e voltei a não me interessar por nenhuma religião. Voltei ao que era mais natural. Até acredito que exista um Deus, que pode assumir a forma de vários, com vários nomes, ou até tenha vários deuses ou subdeuses, não importa. Mas creio no seguinte: Se a Bíblia está correta que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, isto, para mim, significa que o criou em alma e com a diferença de ser o único ser que tem o livre arbítrio, que tem a capacidade de saber o que é certo ou errado e tem a responsabilidade por seus atos, ou seja, Deus criou o homem e disse: Agora, se virem! Tudo o que você fizer é problema seu (Kharmas e Dharmas), não adianta me procurar que eu não quero saber...
Ficaria muito mais fácil se todos cuidassem da sua vida ao invés de buscar respostas nas religiões que foram feitas para responder às dúvidas de determinado povo em determinada época. Infelizmente, as religiões mais separam do que unem os povos. Bem melhor ser sem religião, acreditar ou não acreditar não muda nada.
César, moro no Rio de Janeiro. Achei a metáfora da fonte que não se contém esclarecedora...
Obrigado,
Marcio
N. do E. Márcio, ainda na linha da metáfora da fonte, se conclui que a glória de Deus, diferentemente da glória humana, consiste em dar, em doar-se e não em ser enaltecido ou em receber. Pois Deus só pode mesmo dar, pois tem em excesso, o que não significa que precise dar, apenas seria contraditório (e aí sim, imperfeito) se não desse. Um grande abraço.
Posted by: Marcio at dezembro 26, 2005 11:16 PMCésar, meu percurso é parecido com o seu. Sou de uma família kardecista, e aceitei essa doutrina até os 15 ou 17 anos, simplesmente por que era aquilo a que eu tinha acesso. Depois me tornei ateu, e não demorei para perceber que o agnosticsmo era mais razoável. Me converti ao catolicismo por causa de algumas pessoas que conheci no Comunhão e Libertação, mas tenho ainda muitas dúvidas, e recaídas agnósticas. Por exemplo, você diz que "A finalidade da criação é a glória de Deus". Mas se Ele criou as coisas para a própria glória, isso não quer dizer que ele tem uma necessidade, e portanto é imperfeito?
Aliás, o que você recomenda que eu leia do René Girard?
N. do E.: Márcio, onde você mora? Não podemos aceitar a idéia de que Deus seja imperfeito, se assim fosse, não seria Deus. Logo, se minha tese deixar transparecer que a criação foi fruto de uma imperfeição dEle, logo, evidentemente, minha tese está errada. Pensarei mais no assunto. O que posso dizer é que Deus é o amor que não se conteve em sim, como uma fonte que não se contém e se transforma em rio.
Girard, leia tudo. Tudo mesmo. Nem é tanta coisa assim. Se ler em francês, compre os livros primeiros dele.
Eu sou agnóstico, me dou esse direito de escolha, acredito que os crentes e/ou "outros", também estejam felizes por terem esse direito.( Poder colocar em pratica suas "Doutrinas").
Aceito a idéia de uma fuga, vinculada a Fé, por falta, talvez, de compreensão. O que não aceito é a idéia de (alguém) dizer que deus existe e tem influência no destino de um Ser, e viver como se ele não existi-se.
Mas...
--Cada um com seu cada um.
Eu sou agnóstico pq não acredito no q as religiões tentam nos empurrar com os seus " achismos " manipuladoes. Acredito em uma força superior que muitos chamam de " Deus ", mas acredito q essa força não interfere diretamente em nossas vidas. Acho q os agnósticos buscam o tempo todo uma verdade concreta sobre qualquer coisa e que o satisfaça.
ACHO IMPORTANTE A DISCUSSÃO SOBRE O ASSUNTO E A TROCA DE IDÉIAS. GOSTARIA DE SABER SE ALGUÉM CONHECE NO RIO DE JANEIRO ALGUM LUGAR ONDE AS PESSOAS SE REUNAM PARA CONVERSAR, DEBATER, APRENDER ETC SOBRE A VISÃO AGNÓSTICA EM RELAÇÃO AS RELIGIÕES MUNDIAIS. MEU E-MAIL fredbolca@oi.com.br
Posted by: Frederico at outubro 19, 2005 08:16 AMGostei muuuuito do seu texto. :)
Posted by: Carlos Rafael at outubro 17, 2005 05:01 PMJá fui cristão, e um bom cristão. SUD. Nunca fui ateu. Hoje busco uma resposta satisfatória, que concilie tanto a minha descrença na liberdade, quanto minha vontade de crer em algo concreto e eterno.
Sou agnóstico, não sei. E gosto da palavra.
Posted by: Carlos Rafael at outubro 16, 2005 03:39 AM"Não estamos no centro do universo, não somos a finalidade da criação, não somos os senhores de um mundo manejavel e reconhecivel: somos uma partícula de pó, um nada, em algum lugar do espaço, sem nenhum tipo de relação com coisa alguma..." Dantas.
Sobre agnosticismo, simplesmente acho que não existe, seguindo contrariamente o pensamento do Jõao Marcus: significa, medo de assumir que não há verdade a buscar.
N. do E.: Sinto informá-lo, mas só saberemos que estamos no centro do universo quando o conhecermos por inteiro, até lá, não podemos afirmar que o universo sequer tenha centro, assim, podemos sim ser o centro dele, nunca se sabe. A física quântica nos diz que o centro é o observador, então cada um de nós é o centro do universo e quem diz isto é a ciência. Não somos mesmo a finalidade da criação. A finalidade da criação é a glória de Deus. Se quisermos, poderemos participar dela. Obrigado pelo comentário.
PS - quem é "Dantas"?.
Reflitam: "Imaginem "n" anos atrás, diversas pessoas querendo ser superior às demais. Isso gera raiva, medo e desejo. Assim o mundo se tornaria uma arena mais saguenta do que hoje, porém, alguém sábio, "cria" um ser supremo."
Uma invenção perfeita, mas uma desgraça será feita.
N. do E.: Precisa ler René Girard, Eduardo.
publique!
N. do E.:Caro, falasério, tá publicado, você acha que eu ia deixar de fora tão sábias palavras? Fala sério!
Posted by: falasério at julho 2, 2005 04:07 PMO que estamos fazendo aqui (se é que realmente estamos). O que é realidade? Pra que tudo isso? Por que consideram a natureza e tudo o que teria sido "criado" perfeitos? Eu, na minha imperfeição, se fosse fazer um universo, faria um universo bem diferente deste, sem dor e, por exemplo, esse come-come que é a lei de sobrevivencia deste planeta selvagem...Para que tanta maldade? Quem está rindo na platéia desse palco?
N. do E.: A imperfeição vem do fato de não sermos Deus. Só ele é perfeito. Vai fundo que você descobre as respostas.
Posted by: falasério at julho 2, 2005 04:05 PMFilosofia vil a tua. Teus argumentos são vazios como toda convicção metafísica. Se eu não sei sobre deus, então eu duvido da sua existência. Qual é o problema? Ao contrário, o senhor declara que "O agnóstico não sabe, como poderia duvidar?". Tudo que sei é que nada sei, meu caro.
Ao contrário de mim, que não tenho nenhuma pretensão arrogante de querer saber tudo, o senhor crê no cristianismo e adota todos os seus dogmas (deus existe, é bom, e tem influência sobre nossa vida). Isso é ridículo.
O senhor acredita que o agnóstico "Está piamente convicto de que não se deve seguir doutrina nenhuma, se esquecendo de que isto se constitue em uma doutrina." Claro que é uma doutrina, mas uma doutrina que não irá influenciar minha vida. Não vou perder meus domingos de parques de pessoas, de natureza, por domingos dentro de templos da luxúria, desvalorizando minha vida, sendo doutrinado por um padre estúpido baseado em uma verdade inconteste e incerta.
Posted by: Guilherme Reis at junho 19, 2005 03:33 AMAntônio Carlos, obrigado pelo comentário. Não tenha medo, este blog não tem proposta alguma.
Posted by: César Miranda at maio 28, 2005 12:06 AMQuando criança levado pela minha mãe, para fazer a primeira comunhão, já na primeira hora de "aula" tive a certeza de que ali não era o meu lugar. Desde então busquei no ateísmo - eu acho - a defesa pela não certeza do que realmente existe, mas provavelmente no meu íntimo sempre acreditei em ALGO. Vivo agora, depois de 25 anos ainda buscando uma resposta mais acessível à humilde inteligência dos homens, e talvez por isso tenha como, não digo posição e sim proposta, atual o agnosticismo.
Na verdade, simplesmente me deu vontade de escrever aqui, e não sei se o que digo está certo ou tem interesse à porposta do blog..
Franz, onde você aprendeu "até onde você sabe"?
Deus escolhe sim, escolheu a humanidade inteira. Está Ele à disposição a quem quiser amá-Lo, mas não obriga nem repele ninguém.
Ninguém passa a vida buscando constantemente por uma resposta. Além disso, essa "necessidade" é tão temporária, que uma pessoa mais, digamos...viva e esperta, espera pacientemente até que ela vá embora; e retorne depois de intervalos cada vez mais longos.
Afinal, é preciso viver, comer, trabalhar, se relacionar, etc...e ninguém faz isso se ficar pensando na morte da bezerra. Digo, na vida!
Outro ponto: até onde eu sei, o Deus cristão escolhe. Por que a necessidade da busca?
Posted by: Franz at maio 4, 2005 11:25 AMEntão, meu comentário veio justamente por causa do artigo do João Mellão, que me deu esta impressão. Me deu a impressão exatamente de um concurso de humildade.
É que eu não consigo ver diferença de postura entre um e outro quanto à humildade. Eu acho que a soberba aflora tanto no caso do crente como do agnóstico. Este lance de humildade me incomoda. Eu tenho uma desconfiança com alegações de humildade. Mas isso é um problema meu, não é mesmo. Grande abraço.
Posted by: Adelice at maio 4, 2005 10:20 AMNão creio que estejamos num concurso de humildade. Ah, eu sou mais humildinho... ah, não, eu que sou... quer dizer, tá bom, você que é (eu sou tão humilde que até aceito que você seja mais humilde, embora o mais humilde seja eu...).
O que eu acho é que ser agnóstico implica aceitar, ao menos temporariamente, a condição de não estarmos aparelhados para conhecer Deus.
Talvez seja um pouco forte, mas João Mellão está na pista certa: "O ateu é um pretensioso porque julga possuir conhecimentos suficientes sobre o Céu e a Terra para declarar, peremptoriamente, que Deus não existe. O religioso fanático, por sua vez, é um presunçoso por acreditar ser um escolhido, ser particularmente protegido por Deus e ter uma relação especial com o Todo-Poderoso, enquanto Este, por definição, não faz diferença entre seus filhos e os ama a todos indistintamente." (O Estadão de domingo passado).
Se não é isso, é quase isso.
Posted by: mauro at maio 4, 2005 09:24 AMTudo é uma questão de tempo. Para alguns as respostas, ou a busca da "Verdade" como disse o João Marcus, podem vir logo; para outros pode levar uma vida. Mas também não acredito que ser agnóstico por toda a vida seja "perder" uma vida inteira. Afinal, ser agnóstico é acreditar em uma verdade.
Posted by: Fernando Henrique at maio 4, 2005 09:07 AMSenhores, por favor não levem para o pessoal, porque não os conheços e não estou querendo atacar ninguém, de verdade.
Mas, eu tenho um problema com esta dita humildade dos agnósticos, porque às vezes me dá a justa impressão oposta: de soberba. Como se os agnósticos fossem mais humildes que os outros e portanto melhores.
Se estou errada, por favor me convençam.
Posted by: Adelice at maio 4, 2005 08:08 AMPenso muito nisso. Eu também era protestante (batista), daí passei ao ateísmo ferrenho e burro, e agora estou agnóstico.
A impressão que eu tenho é de que estou no meio de uma jornada, como se eu precisasse me livrar da crença que me foi imposta por meu pai, negá-la radicalmente, e então sair em busca da minha própria crença. O tempo todo eu me sinto assim, no meio de um caminho que eu não sei aonde vai dar.
Mas agora tenho uma pista. Obrigado.
Ser agnóstico ainda posso dar uma escorregadela. Por isso sou laica...rs. Beijus, Luma
Posted by: Luma at maio 3, 2005 10:51 PMMauro, acredito que ser agnóstico pode significar, também, medo de assumir que é melhor buscar a Verdade do que ignorá-la. Mas concordo que o agnosticismo é um passo de humildade em relação ao ateísmo.A maioria dos ateus decidiram pelo ateísmo na adolescência. O problema é que muitos estacionam, e imaginam que o ateísmo é a solução final para suas dúvidas.
Posted by: João Marcus at maio 3, 2005 10:31 PMDom César, não o conheço, perdoe a intromissão.
Agnose, como a tenho, é mais que ter fé na dúvida: é o reconhecimento de que não estamos aparelhados para compreender tudo. É um exercício de humildade, que a fé não proporciona.
Sentir um pouquinho disso, é salutar, garanto. Até São Paulo achava...
Por outro lado, ter fé não deve fazer com que ninguém se sinta culpado. Os agnósticos, no fundo, a invejamos.
Posted by: mauro. at maio 3, 2005 07:00 PM