maio 31, 2005

RAZÕES 2 (ou NÃO SE DISCUTE COM QUEM AMA)

Deus é amor. Sempre que não temos uma resposta muito boa ou não temos muita certeza, apelamos para Deus. “Quem fez o universo?” “Deus!”, “Por que você continua com aquele canalha?” “Não sei”, muitas respondem quando deveriam responder “Por que o amo”. Deus é amor, repito. Deus é a exceção de muitas regras e o curinga para muitas situações, quase todas. Fazer algo absurdo por amor é apelar para Deus. Amar é fazer dublagem de Deus. Em relação a qualquer coisa que você ame faz com que você aja como se fosse Deus, da criação ao apocalipse.

Posted by César Miranda at 08:58 PM | Comments (1)

CORPOVINO

Bebo porque é vinho, se fosse perequita, eu comia.
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Como diz Daniela Abade, minha musa, o mundo não é dos covardes. Então lá vai:

Bebo porque é vinho...
...se fosse Canção eu cantava;
...se fosse Sangue de Boi eu fazia um ensopado;
...se fosse Chapinha eu jogava no lixo;
...se fosse Quinta dos Frades eu visitava;
...se fosse Chateau Duvalier eu morava;
...se fosse Miolo eu usava para fazer isca;
...se fosse Marcus James, mandava ir à merda.
...se fosse Mioranza, well, sei lá que diabéisso...

Posted by César Miranda at 08:55 PM | Comments (4)

CONCLUSÃO DA VIAGEM A BH

São os passageiros, a verdadeira comida de avião.

Posted by César Miranda at 08:54 PM | Comments (3)

MARXISTA INTELIGENTE E CRISTÃO BURRO

Os marxistas, que são ateus no nascedouro, vivem sob o escudo de vários conceitos do cristianismo. De noções de bondade que não existiriam se não fossem as palavras e ações de Jesus. Às vezes o discurso do marxista até parece que anseia por uma sociedade cristã. Um cristão, porém jamais seria marxista, pois ser marxista é negar a Deus. Deve haver muito cristão que não passa de um marxista inteligente. Deve existir muito marxista que é apenas um cristão burro. O cristianismo nasce da constatação de que a grande vítima era o mais inocente dos seres. A defesa da vítima é, pois, uma atitude cristã por excelência. Todos somos culpados e devemos amar nossos inimigos e rezar por eles, jamais matá-los. O marxismo é, pois, um arremedo de cristianismo. Trata-se do diabo agindo como sempre agiu, macaqueando Deus enquanto elege bodes expiatórios, porque o diabo não sabe agir sem ódio.

Posted by César Miranda at 07:26 PM | Comments (1)

maio 28, 2005

O VELÓRIO DO HUMORISTA (conto curto)

No velório do humorista riram muito em sua homenagem. Contaram várias piadas, inclusive muitas delas alusivas ao modo trágico como ele morrera. Houve muita risada porque foi assim que ele viveu, gerando gargalhadas. O morto que a tudo assistia ficou chocado e muito triste pelo modo desrespeitoso e pela falta de pesar que todos demonstraram em seu velório. Só por que ele era humorista todos sorriam?! Daquele forma, ninguém convenceu o morto de que perdiam um amigo. O humorista morto ficou muito triste.

Posted by César Miranda at 10:29 PM | Comments (4)

O POVO, ESSE VIL E COVARDE LINCHADOR

O povo adora os métodos eugênicos porque a massa adora um linchamento. Faça uma pesquisa e a maioria concordará com o aborto de bebês “defeituosos”. Eu conheço um fato de mais de um diagnóstico médico errado, nesse sentido. A mãe foi aconselhada por dois médicos a fazer o aborto porque a criança seria doente mental. Um padre convenceu a mãe a não abortar e a criança nasceu perfeita. Deus seja louvado! O argumento do padre: e se seu filho saudável sofrer um acidente automobilístico e ficar doente mental, você vai deixar de amá-lo? Vai abortá-lo também?! A mulher se convenceu e não fez o aborto e Deus a abençoou com uma criança sem mácula. Esse negócio de abortar crianças doentes é um sinal dos nossos tempos. A eugenia começa assim. Os métodos mais cruéis do nazismo começaram assim. Todos os primeiros argumentos do totalitarismo são científicos e razoáveis do ponto de vista da razão humana. Começam admitindo o aborto em “fetos sem cérebro”, em breve, acharão um absurdo alguém nascer com lábio leporino. Começam proibindo o cigarro, em breve acharão um absurdo que alguém coma qualquer proteína animal. Assim caminha a humanidade, porque a animalidade segue muito bem.

Posted by César Miranda at 10:28 PM | Comments (3)

ESTE SABOR DE AMAR NINGUÉM ME TOMA

Acrescentei esse subtítulo a este post. Vi essa frase no livro “Invenção de Arnaut e Raimbaut a Dante e Cavalcanti” que é um livro de traduções feita por Augusto de Campos de quatro trovadores provençais. A frase é de um poema de Arnaut Daniel.

Posted by César Miranda at 10:26 PM | Comments (0)

DIÁLOGO DE PRATÃO

- Você gosta de carne assada?
- Claro!
- E de palha?
- O quê?
- Palha, você gosta, assada?
- Palhaçada? Que palhaçada é essa, rapaz?!

Posted by César Miranda at 10:24 PM | Comments (1)

LÍNGUA NÃO É RELIGIÃO, POR DEUS!

Kda 1 iscrevi comu ké.

Posted by César Miranda at 10:23 PM | Comments (2)

LA SOLITUDE

"Sozinho, um homem não é nada... nem corno!!!" (o autor não assinou a frase)

Posted by César Miranda at 10:06 PM | Comments (0)

maio 26, 2005

SANTO DO DIA

26 de maio
São Filipe Néri, Confessor
(+ Roma, 1595)
Nascido em Florença, foi o Apóstolo de Roma, ali tendo fundado a Congregação dos Padres do Oratório, com o objetivo de fazer apostolado entre os católicos leigos da Cidade Eterna. Era conhecido pelo bom humor e pela forma original e vivaz, muito adequada ao público italiano, com que pregava e ensinava. Amigo de vários Papas, nunca quis aceitar a dignidade cardinálica.

Fonte: Livro: Cada Dia Tem Seu Santo - Autor: A. de França Andrade - Editora: Artpress.

PS - São Filipe Néri é o padroeiro dos humoristas. Rogai por nós!

Posted by César Miranda at 09:57 AM | Comments (3)

maio 24, 2005

NA FAZENDA (conto curto)

A galinha pediu ao galo para dar uma canja. “Ah, canja de galinha é muito bom, claro, vamos lá minha filha, dê a canja!” disse o galo muito gentil. E a galinha cantou maravilhosamente, acordando os poucos que ainda dormiam na fazenda. E assim, ali, todo dia, após o cantar do galo, tinha a canja da galinha.

Posted by César Miranda at 10:44 PM | Comments (5)

MERECIMENTO (ESTE SABOR DE AMAR NINGUÉM ME TOMA)

Se quiser, ignore que eu existo, eu só quero lhe amar e isto ninguém me tira. Você era só o que faltava para eu voltar a sorrir. Você é o motor da minha alegria. Onde se liga o meu sorriso. A faísca do meu contentamento. É a dona do sorriso que eu adoro. É um amor que chega a doer. O que merece você? Responda-me sem sorrir. Pensemos agora em outro tipo de amor. O Amor de Deus pelos seres humanos. E se pudéssemos recompensar Deus por tudo o que Ele nos faz, nos dá e nos ama? Faríamos o que pudéssemos. Daríamo-Lhe o que tivéssemos, torceríamos, trituraríamos e poríamos no sol nosso coração até tirar dele tudo de valioso para ofertar a Deus. Depois de tudo lhe darmos com grande prazer por podermos milagrosamente compensá-Lo por tudo o que nos fez, ouviríamos dEle “ah, Eu não mereço!” e veríamos Nosso Senhor sair sorrindo levemente constrangido com o nosso presente. Será que assim seria? Será que existe isto, de alguém não merecer o amor de outro alguém? O que há certamente é o caso de alguém que não sabe amar e ama de forma egoísta, ama para si e não para o outro. Diferente disto, um amor que é totalmente dirigido para o outro é sempre merecido porque faz bem mais para quem ama do que para o ser amado. Eu também erro muito nisto, preciso, por exemplo, deixar de me sentir constrangido com o amor de Deus, coisa freqüente em mim ultimamente, que me faz pensar bem baixinho, na ilusão de que Ele não ouça “eu não mereço”. Espero que Ele não me ouça e continue me deixando constrangido com Seu amor. Vou corrigir isto em mim até achar natural a felicidade, pois toda a minha tristeza já foi devidamente resgatada tem muito tempo, quase dois mil anos.

Posted by César Miranda at 10:43 PM | Comments (2)

O ENTENDIMENTO HUMANO

Alguns filósofos escreveram textos chamados tipo “alguma coisa sobre o entendimento humano”. Tais textos sem perceber falavam de si próprios. Mas o texto seguia como se não falasse sobre si próprio. O que significava, no mínimo, que qualquer coisa podia ser “entendimento humano” menos aquele texto lá. Talvez aquilo fosse o “entendimento asinino” falando sobre o entendimento humano. Eis um exemplo disto, veja a frase: “os livros de teologia contém algum raciocínio abstrato acerca da quantidade ou do número? Não, portanto, podem jogá-los no lixo” e não percebe que essa frase também não contém nenhum raciocínio abstrato acerca da quantidade ou do número e, por não perceber isto, também deveria ter o mesmo destino que almeja aos livros de teologia. É isto, mais ou menos quando um de nós fala que não há nada que preste no Brasil. Se não há, essa sua frase feita por um brazuca tupiniquim pindoramense também não vale nada. Tem coisa boa no Brasil sim. A bacaba, o cupuaçu e o açaí, por exemplo. Nossos espíritos, porém, são adoecidos, muito adoecidos, inclusive o meu.

Posted by César Miranda at 10:42 PM | Comments (3)

maio 23, 2005

MAXIMAS

- Praia é um deserto à beira-mar.
- Amar é uma espécie de paixão pela desilusão.
- Os motéis são garimpos de amantes.
- Otimismo é desespero. Pessimismo é resignação.
- Verdade não se diz. Vive-se. Não acredite em palavras. Um silêncio, porém é irrefutável.

Posted by César Miranda at 07:04 PM | Comments (0)

E AÍ, BELEZA?

Não seja muito franco, é feio. Não se deve fazer nada feio. A beleza deve ser sempre o maior dos critérios. Se os critérios estéticos estivessem acima das vontades, seria um progresso. O topless, por exemplo, deveria seguir apenas os critérios da beleza. Se for bonito, deve mostrar, esconde o feio. Com isto evitaríamos pelos menos a maioria das bienais de arte e dezenas de programas de TV. Seria ou não seria um enorme progresso? A honra, por exemplo, é linda. Se abríssemos mão da honra não se escreveria centenas de magníficos romances nem se faria centenas de filmes maravilhosos. Nem sei se é possível abrir mão da honra e do respeito ao adversário e fazer um filme de caratê. Não tem como, porque as lutas marciais só são bonitas por isto, uma obediência irrestrita a várias regras de cortesia. Mesmo os vilões mais malvados têm vergonha da cara. Sem isto, não haveria beleza na briga. A honra, a delicadeza, o respeito, a polidez são coisas belas porque onde há, também há a beleza. Então voltamos ao começo do texto. Não seja muito franco. Muita franqueza é falta de educação. E a falta de educação é feia. Diga apenas até onde sua fala puder ir com fineza. Não seja mal educado inclusive com quem não merece sua educação. E quer saber, a educação irrita e desarma os mal educados. Esse meu sonho de pancalia é meio complicado porque ocorre uma coisa interessante. É o fato de que o que é belo para mim pode ser feio para você. E ocorre também coisa pior, tem gente que acha bonito ser feio. Lembro de um cantor de rock pesado que dizia que colocava farinha e maçã na boca enquanto cantava para o som ficar ainda mais feio (usava exatamente essa palavra “feio”). Na música normal, isto é, na menos barulhenta há também escolas, correntes e movimentos no sentido deliberado de tornar mais feio o que existe. Desde o “preparo” de instrumentos, tipo colocar parafusos e pregos entre as cordas dos pianos, até idéias bizarras como uma “peça” que consiste no silêncio, tudo isto são ensaios propositais de tornar feia a música. Essas manifestações artísticas certamente não ficam feias e desagradáveis assim do nada. Há todo um esforço, laboratório e muito estudo. Os compositores seriais/dodecafônicos são músicos tecnicamente bem preparados. São maestros, doutores dos sons. Se um Zé Mané qualquer propuser uma sinfonia de pausas ninguém lhe dará ouvidos (em sentido figurado ou não). São, mal comparando, como a maioria dos intelectuais que estudam a vida inteira para se tornarem as maiores bestas da paróquia. O intelectual padrão de hoje em dia é aquele que adotou o método mais dispendioso de se tornar um idiota. Tornou-se idiota depois de muito e arduamente estudar, o que o torna duplamente idiota. Interessante é que essa burrice estudada, essa bizarrice preparada só é possível nas artes, pois é absolutamente impossível em qualquer outro ramo do conhecimento. Um engenheiro civil que se torna doutor ou um médico depois de dezoito anos de vida acadêmica, pessoas assim são em regra especialistas confiáveis em suas áreas, a quem damos nossa vida em confiança. Um intelectual, porém que admira Stalin e Fidel, não é digno que se confie nem um tostão. E um compositor de barulhos não é nada diferente do compositor de silêncios.

Posted by César Miranda at 07:03 PM | Comments (6)

VAMOS CANTAR (achando ruim)

E aííííííí, você partiu pro Canadáááá...

Posted by César Miranda at 06:55 PM | Comments (0)

FONE DE OUVIDO

Eu costumo ouvir música em fone de ouvido. Tenho a impressão que só eu gosto daquilo que ouço e não quero incomodar os outros com música boa.

Posted by César Miranda at 06:53 PM | Comments (3)

maio 19, 2005

PALAVRISMO

Perfeitar.

Posted by César Miranda at 07:02 PM | Comments (3)

SE RIR FOSSE MESMO O MELHOR REMÉDIO

Os médicos seriam humoristas. Contariam duas ou três piadas, o paciente riria, saindo assim da crise e então receitariam um programa de tv, um de rádio e dois livros de piadas, que seriam vendidos em farmácias. Os palhaços seriam vistos como os pajés ou xamãs, gente que faz uma medicina mais ancestral. As piadas variariam de temas, de acordo com a doença do paciente. Piada sobre bêbado, por exemplo, seria ótimo para o fígado. Piadas de papagaio curariam o aparelho respiratório e fonador. Piadas sobre crianças seriam perfeitas para problemas sexuais e do aparelho reprodutor. Os médicos se especializariam em certos tipos de piadas e um ou outro gênio seria assim um Ary Toledo da medicina, conhecedor de toda graça. Se alguém chega ao hospital chorando, claro que é falta de uma boa piada para que ele sorria. Tem gente que chora à toa e gente que ri à toa, isto é, depende muito da saúde da pessoa. Então surgiria uma doença rara não identificada, uma síndrome qualquer que mesmo depois de toda piada, o paciente continuaria sem sorrir. Depois descobririam que não sorria porque era surdo. E lá se vão os cientistas desenvolver boas piadas na língua de sinais e viva a ciência! Os hipocondríacos levariam consigo os livros do Millôr e duas vezes ao dia entrariam no Pura Goiaba, para desopilar o figo, digo, o fígado.

Posted by César Miranda at 07:00 PM | Comments (2)

RÁDIO AMADOR

Tenho um conhecido que se apaixonou por uma moça que ele conheceu por rádio amador. Isto é, se apaixonou pela voz de alguém, que ouviu em um meio de comunicação onde não se distingue se uma voz é de Maria Callas ou do Tiririca, caso os dois cantem “Florentina”. Enfim, o rádio amador foi o meio de comunicação mais avançado de sua época, mas tinha limitações de sorte que o se ouvia era uma chiadeira horrível e todo tipo possível de interferência. Ainda assim, as pessoas se apaixonavam por conhecidos de rádio amador. No caso do meu conhecido o resultado foi um desastre, a mulher era horrível e chata. Pois bem, hoje o meio de comunicação mais avançado é a internet e as pessoas continuam caindo no velho conto da voz do rádio amador e se apaixonando por pessoas que conhecem na internet. Esses moços, pobres moços! Não creio que confundam a pessoa com a foto da pessoa (conheço caso de alguém fotogênico que é mais feio pessoalmente do que outra pessoa não fotogênica, aliás, quem é muito fotogênico terá sempre a imagem distorcida, não devemos esquecer daquela frase de Millôr que diz que a realidade é uma aberração da fotografia e diferentemente do que pensavam os índios, a fotografia não rouba a alma, ela omite a alma, infelizmente, pois quem vê fotografia não vê coração. Toda fotografia é uma omissão e mais, toda fotografia é a fotografia de um morto, pois como diria aquele efésio senhor, ninguém é fotografado duas vezes), nem acredito que confundam o que a pessoa escreve sobre si com a pessoa, ou que confundam as comunidades no Orkut da pessoa com a pessoa. Ou podem até confundir, acreditamos naquilo que gostamos de acreditar e depois quebramos a cara e saímos mais sábios (embora tenha gente que nem matando aprende). Ou como diz o Duc, enganamos mais a nós mesmos do que aos outros. Digo isto, justamente para defender a tese contrária. As pessoas que conheci primeiro na internet e depois pessoalmente, salvo uma ou duas desastrosas exceções, são muito melhores, mais divertidas, mais amigas e mais bonitas pessoalmente.

Posted by César Miranda at 06:58 PM | Comments (0)

maio 18, 2005

FRUGAL

A fábula da lebre e da tartaruga é uma das mais sábias. As duas fazem uma aposta de quem chegaria em primeiro lugar na maratona de São Silvestre da selva. A lebre certa de que ganharia trata a tartaruga como se ela fosse uma lesma. A tartaruga nem um pouco preocupada, trata a lebre como uma igual e passa sebo nas canelas. Baltazar Gracian diz que devemos tratar o fácil como difícil e o difícil como fácil. A lebre da história não leu o sábio padre, não por insensatez, mas pelo curioso fato de que a frase nasceu século depois da história. Por isto, aconselha-se às lebres de hoje que leiam as sábias letras. A tartaruga, não que tenha lido Gracian, talvez por ser assim uns três séculos mais velha e por isto mais sábia que a outra corredora, tratou o difícil como se fosse fácil jamais se esquecendo que o tratava como fácil justamente por ser muito difícil e assim se deu muito bem. A disciplina da tartaruga vence a soberba da lebre que perde uma corrida ganha segundo todos os Institutos Esopo de Pesquisa. O autor da fábula dá à indisciplinada lebre também uma empáfia que faz o leitor antipatizar-se com ela ao primeiro contato. Porém, a indisciplina é característica de muita gente boa e a disciplina de muitos obstinados que são insuportavelmente chatos, mas deixando de lado a chatice, o ideal é que tenhamos a disciplina da tartaruga e a rapidez da lebre. Se, porém pudermos escolher é melhor ter disciplina, pois a falta dela é um tipo de lerdeza. O que é uma lebre sem disciplina? Uma lesma, isto é, um bicho mais lento do que uma tartaruga. O certo é que devagar se vai ao longe, como diz minha mãe, muita gente vive como se não acreditasse nisto. E essa sábia frase serve para muita coisa. Para o fazer e para o deixar de fazer. Para o fazer o bem e para o fazer o que é errado. Tudo que é feito de forma reiterada mesmo que vagarosamente, rende muito. Desde uma pequena poupança até um pequeno esquecimento. O brasileiro, creio, não acredita direito nisto, já perdemos até copas do mundo de futebol porque tratamos o fácil como fácil (não sei por que, mas quando reli essa fábula achei a lebre muito parecida com o Romário).

O brasileiro é a lebre da história, aliás com tantas outras características que se dão às lebre, inclusive a promiscuidade. Uma dos exemplos de que o brasileiro não crê que quem segue devagar e com constância sempre chega na frente é a nossa pouca prática de poupar. O brasileiro para poupar precisa ir para o Estados Unidos lavar pratos, enquanto isto os brasileiros que lavam pratos aqui seguem reclamando da vida e vivendo como se o salário que ganha fosse menos do que merece. Na verdade é uma característica de país pobre o não costume em poupar. E como o Brasil, o país que não poupa é pobre porque não poupa, embora diga sempre que não poupa porque é pobre. Guarde cinco ou dez por cento do que ganha todo mês e veja o que acontece. A inércia é algo poderoso. Jamais se recuse a poupar um dinheiro somente porque é pouco. Esqueça que seu salário é cem, faça as contas para viver com noventa e guarde dez. Fácil assim, não é um esforço tão grande e a médio ou longo prazo você terá deixado de ver vários filmes vagabundo, pois será mais seletivo já que só ganha noventa, terá ido só a lugares realmente interessantes, lido somente ótimos livros, tudo porque tinha que economizar os dez. Dez que acrescidos de outros vários dez lhe permitirão talvez trocar de carro ou comprar. É fácil assim, acredite, você ainda vai me agradecer por ter perdido minhas noites de sono escrevendo estas linhas. O contrário também é verdade. Se você gastar todo mês dois por cento a mais do que ganha, em breve estará quebrado. Se você ganha cem e gasta cento e um em breve estará fazendo papagaio em banco sem entender porque seu amigo que ganha o mesmo tanto que você acaba de trocar de carro. Pergunte a ele, ele lhe dirá e você descobrirá que nos cinco anos que trabalham juntos, você gastava cento e um por mês e ele gastava noventa e cinco. Diferença pequena, mas suficiente para em cinco anos permitir a ele trocar de carro e a você tomar dinheiro emprestado para pagar as dívidas. A matemática é implacável, não existe pouco ou muito neste caso e sim mais e menos. Assim como é uma minúscula rachadura a responsável pelo afundamento do grande navio, assim os pequenos gastos quebram e as pequenas poupanças salvam. Do mesmo jeito, absolutamente igual é a alimentação. Se você já almoçou, recuse-se a comer qualquer coisa. Se não tem fome, não coma. A impressão que tenho é que há uma fome eterna nas pessoas, certamente não é de comida, mas elas acham que é e se recusam a parar de comer. O problema é que comida engorda e ninguém quer ser gordo justamente porque quase todo mundo é, até os pobres. Não é só a qualidade do que se come que engorda. Qualquer bobagem se você comer demais, vai lhe tornar mais gordo. Esqueçam vilões como as pizzas, o chocolate, a costelinha de porco, o que mais engordam as pessoas pelo primeiro, segundo, terceiro, quarto e quiçá quinto mundo são as coisas mais ensossas e sem graça que se pode imaginar. Aquele ser humano normal que não liga para o politicamente correto da alimentação e almoça um pratão de arroz, feijão, macarrão, picanha e batata frita acompanhado de uma Coca-Cola, provavelmente depois da ingestão dessa bomba calórica fica com dor na consciência e só come novamente no jantar e talvez o tal jantar seja uma boquinha bem light. Porém o outro que dá ouvidos a nutricionista e está com uns quilinhos a mais, não quer ficar com dor na consciência, almoça um pratinho bem leve com muita cenoura, alface, um bife magro de frango e um suco de mamão, pronto, fica todo cheio de razão com o moral elevada por ter feito algo correto para a saúde e, com fome duas horas depois, o que faz? Abre um pacote de bolacha de água e sal (a top one das invenções bizarras, logo à frente da pipoca) e passa a tarde inteira comendo aquela coisa insípida crente de que não está comendo nada. No final das contas não emagrece nada (porque passou o dia comendo) e nem teve prazer ao se alimentar. Seria melhor se as pessoas se restringissem a tomar café, almoçar e jantar, mas comer, parece, é a razão da vida da maioria das pessoas. O povo vai para o estádio para comer, para a praia para comer, para o cinema para comer (como alguém pode trocar uma pizza por pipoca?), há até tarados que vão a motéis para comer. Quando enfrentam a balança pensam sinceramente, "não entendo, eu quase não comi". Pois sim! Quase mesmo. Esse negócio de emagrecer é muito fácil. Quer emagrecer e sente fome, o que fazer? Nada, meu amigo. Se você quer emagrecer e está com fome, significa que você está emagrecendo, fique feliz por isto. Você engordou porque comeu demais, logo a única forma de emagrecer será passando fome mesmo. Mamar no boi não quer, né?! A fome em um gordo deve ser almejada, buscada e dada boas-vindas quando chegar. Você escolhe, quer continuar gordo ou passar fome? Resumindo, para emagrecer há que se parar de comer tanto, para isto há se ter a consciência pesada por ter comido bem. Aí está um ótimo exemplo prático daquela frase de Blake de que o caminho do exagero leva ao palácio da sabedoria. Não aprenderá nada quem não mergulhar fundo naquilo que lhe interessa. A frugalidade, ao contrário, é uma fuga em direção a um atalho que levará ao palácio da frustração.

Posted by César Miranda at 07:19 PM | Comments (3)

PAREI DE LER JORNAL

Você lê um jornal e em seguida tem que lavar as mãos. Não é terrível uma coisa dessas? E às vezes dá espirro também. Vai pra lá!

Posted by César Miranda at 07:18 PM | Comments (2)

QUE PENA!

Seis tipos de seres têm pena: o escritor de antanho, a flecha, o condenado, alguma figura do carnaval, as aves e pessoa com alguma capacidade de amar. Seres amedrontados e amedrontadores não têm pena.

Posted by César Miranda at 06:54 PM | Comments (0)

maio 17, 2005

O JÚRI (conto curto)

Por incrível coincidência, dessas que só se vê na realidade, foram sorteados para fazer parte de um júri que julgaria um crime hediondo, os donos de um grande banco. Todos os sócios do mesmo banco se viram como jurados do terrível crime. Na hora da decisão, foi fácil deliberar devidamente sobre o julgamento e quando o juiz lhes perguntou se já tinham chegado ao veredicto, o representante dos jurados respondeu: “sim, senhor juiz. Chegamos a uma decisão unânime, resolvemos que vamos linchar esse desgraçado”. E pularam os banqueiros jurados em cima do coitado do assassino, trucidando-o a socos, pontapés e logo, o pobre facínora havia sido linchado pelo júri. Dali para frente começou novo processo rumo a um novo julgamento por crime doloso contra a vida, desta vez com os ex-jurados agora como réus. O banco de que eram donos quase faliu com gastos advocatícios e ficou conhecido popularmente como “O Banco dos Réus”.

Posted by César Miranda at 07:27 PM | Comments (6)

CRUZADA

Só duas coisas a dizer sobre o filme. A primeira: “Eva Green se soubesse do bem que te quero, o mundo seria, Eva Green, tudo, Eva Green. Eva Green, se um dia você for embora, me leva contigo, Eva Green, fica Eva Green, adivinha Eva Green, deixe Eva Green, que eu te adore, Eva Green”. A segunda: é um filme bocó.

Posted by César Miranda at 07:25 PM | Comments (1)

GAJO

Engajamento é, como o nome diz, o encantamento por algum gajo. Quer dizer, quem é engajado adora um gajo. Engajamento é, pois, um ramo do homossexualismo.

Posted by César Miranda at 06:50 PM | Comments (3)

maio 16, 2005

LA MÊME CHOSE

Resposta minha a email do Ruy Goiaba:
“Quando vi essa coisa por aí comecei me dar uma pira e torcer para que ninguém se lembrasse de mim. Eu particularmente não saberia responder pelo menos quatro dessas seis(sic) perguntas. Porém (aaaaaai porém) pior que tudo isto é dizer não para você. Manda vai!”
Alors, aí vão minhas respostas. Lembro-vos que meu amigo Adalberto de Queiroz publicou as respostas dele antes de mim, que o convidei. Eficiência é isto. Dani, Radá e André, estou curioso. Aviem!
O título deste post é o título do email que Ruy me mandou.
1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
“A Ovelha Negra e outras fábulas” de Augusto Monterroso, porque é fácil de decorar e as fábulas são ótimas para recitar. Quando escrevo, Monterroso é meu pastor e eu sou a tal ovelha.
2- Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado por uma personagem de ficção?
Hamlet é como se fosse um conhecido meu envolvido em um terrível episódio com o tio. Lembro-me também com alguma freqüência do irmão da Cleópatra da peça [César e Cleópatra] de Bernard Shaw, que bobagem estará dizendo aquele rapaz quando GBS não está olhando? Tchekov me perturba de alguma forma porque gostaria muito de inventar pessoas doces e gentis como aquelas personagens suas e gostaria também que o mundo fosse cheio delas. Apanhado, porém jamais fui por nada nem por ninguém, que história é essa de apanhado, qualé?
3- O último livro que compraste?
“Ecos Eternos” de John O'Donohue e um songbook “Cole Porter - a Musical Anthology”. Tem outro que comprei, mas não há quem me faça confessar em público. Comprei também um fogão e uma geladeira semana passada e li bem as especificações dos dois eletros, pareciam bons. Agradeço à minha amiga Nirvana que foi comigo ao Ponto Frio (e aqueles desgraçados atrasaram a entrega).
4- Os últimos livros que leste?
“O século do nada” de Gustavo Corção, “Eu via satanás cair como um raio” de René Girard, “Cristianismo - a Religião do Homem” de Mário Ferreira dos Santos, “São Francisco de Assis e São Tomás de Aquino” de G. K. Chesterton e “Crônicos” de Daniela Abade. Recomendo entusiasticamente a todos que leiam o do Girard e o da Dani. Os outros são para iniciados.
5- Que livros estás a ler?
“Tempos modernos” de Paul Johnson, “Os quatro amores” de C. S. Lewis e o “Dicionário da idade média” da Editora Zarah”. Não vejo a hora de acabar o primeiro, pois dói ler as aventuras de seres abjetos como Hitler, Stalin, Lênin, Trotsky etc. Os segundo dá vontade de que nunca acabe de tantos insights maravilhosos que só C. S. Lewis tem. O terceiro é meu livro de banheiro e estou na letra “B”. Tudo dependerá de minha regularidade intestinal, que vai bem obrigado, é bom que se diga.
6- Que livros que levarias para uma ilha deserta?
Os Sermões do Padre Vieira. Nada mais seria necessário, pois é completo de tudo o que eu gosto. Tem religião, filosofia, história e literatura da melhor qualidade, escrita pelo imperador da língua portuguesa. Sei de duas coisas melhores do que ler o Padre Vieira, mas não mudemos de assunto.
7 – Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Adalberto de Queiroz, André de Oliveira, Radamanto e Daniela Goulart porque darão respostas mais interessantes do que as minhas e são amigos muito queridos.

Posted by César Miranda at 06:59 PM | Comments (5)

maio 07, 2005

IDENTIDADE

A identidade é a coisa mais importante que se tem, pois é ela que nos faz "ser", é ela que nos individualiza e nos faz mais parecidos com Deus. Não só a identidade, também são importantes o CIC e a carteira de motorista. Ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem identidade eu seria como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver identidade, não sou nada.Talvez seja até preso em flagrante por vadiagem. Por ora subsistem a carteira de motorista, o CIC e a identidade - as três. Porém, a maior delas é a identidade.

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DIAS DAS MÃES

À mãe de Pixinguinha, que foi a primeira a ouvir seu choro.

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"A ALMA HUMANA É NATURALMENTE CRISTÃ"

Leiam isto aqui. A notícia é interessante e a análise do Fileleno é magnífica.

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ABAIXO A LEITURA DINÂMICA

É o livro quem determina o ritmo da leitura.

Posted by César Miranda at 06:52 PM | Comments (1)

maio 06, 2005

A TRISTEZA DE UM FATO (conto curto)

Um fato um dia descobriu que contra fatos não há argumentos e impossibilitado de participar da evolução dialética ficou de fato profundamente deprimido.

Posted by César Miranda at 10:30 PM | Comments (2)

MALDITOS BENFEITORES

Antigamente quando você precisava de ajuda, você pedia e alguém ajudava. Hoje ninguém pode nem espirrar que aparecem dezenas de benfeitores com lenços nas mãos, prontos para limpar nosso catarro. E não é só gente. Este post da Colorina dá um excelente exemplo da genteboíce hodierna. Eu que não sou nenhum deficiente, uma das frases que mais digo é "não me ajude, não me ajude, por favor!" Evidentemente que isto deixa os benfeitores muito ofendidos. Deixar-me em paz é algo tão inconcebível para eles, que se eu declarar que quero deixá-los em paz, se ofendem. O "me ajude, sou um pobre coitado e preciso de sua ajuda" virou default e você tem que pedir pelo amor de Deus (e mui polidamente) para as ONGs ambulantes que tem por aí que, com o pretexto de facilitar, lhe infernizam a vida, que fiquem na delas, pois ajuda quando precisar, eu peço. Felicidade é ninguém me encher o saco, não viver em um mundo em que todo mundo se comporta como se fosse minha avó.

Posted by César Miranda at 10:29 PM | Comments (0)

ROBIN HOOD É FICÇÃO, GENTE!

Quando um pobre vota em um político que promete “melhorar a distribuição de renda” (isto é, tomar o dinheiro de alguém e dar para o pobre), o que ele – o pobre – faz é contratar alguém para roubar outros e dar para ele o resultado de tal roubo. O que ocorre na prática é que o eleitor cai no conto do vigário, merecidamente. Primeiramente, um ladrão costuma ficar com o produto do seu roubo. Segundamente, quem rouba, é ladrão e só. Não se pode fazer justiça por meios injustos. Um dos culpados por esse mito absurdo é a estória do Robin Hood, o herói que roubava dos ricos e dava aos pobres. Robin Hood é uma ficção, uma das invenções mais malignas da mente humana porque ilude justamente os mais pobres que nessa hora que vê a possibilidade do enriquecimento fácil com o dinheiro do rico, se esquece que riqueza é algo que pode ser criada, às vezes do nada (por exemplo, quando alguém inventa um software), isto é, o pobre pode ficar rico sem o rico ter que ficar pobre. O político que fala em melhorar a distribuição de renda deveria ser banido pelos pobres, pois ele sim é o seu maior inimigo.

Posted by César Miranda at 10:28 PM | Comments (6)

maio 05, 2005

OS FIÉIS DO NADA

Os amantes do nada como quem nada quer, os combatentes do nada forjam uma revolução. Como se não fosse nada, os soldados do nada se armam. Do nada eles surgem e preparam o ataque ao Supremo Ser. Os adoradores do supremo nada clamam por justiça, querem aprisionar os sensatos e calar os sábios. Os guerrilheiros do nada invadem o campo, as cidades, as escolas e os jornais e fundam sua república cuja meta é dar tudo ao deus-nada, é glorificar o nada, é dar tudo ao nada, é fazer que o nada reine. E quando tudo for assim, o nada terá nada porque todo o seu reino, seus fiéis, suas ações e seu espírito, tudo o que conquistaram será como o seu deus, o nada.

Posted by César Miranda at 07:10 PM | Comments (2)

A CONCENTRAÇÃO DE RENDA

O governo ao taxar exageradamente a sociedade, fomenta a concentração de renda. Pois, do governo, o dinheiro sai para subsidiar grandes empresas à beira da falência, para obras de saneamento e infra-estrutura (então o dinheiro vai para empreiteiras), etc. O governo dá 50 reais para um pobre e milhões de dólares para a Globo, a Varig etc.

Posted by César Miranda at 07:09 PM | Comments (0)

ATO E POESIA

Em uma boa ação há mais beleza do que em todos os poemas já feitos. Um belo poema é inútil. Uma bela ação é poética. Dedicar-se à poesia verdadeiramente é ter uma vida de belos atos. Jesus é um exemplo de poeta que jamais escreveu livros.

Posted by César Miranda at 07:08 PM | Comments (1)

MINISTÉRIO

Há um Ministério de combate à fome. Deveriam criar também ministérios de combate ao medo, à covardia e a falta de vergonha.

Posted by César Miranda at 07:06 PM | Comments (1)

maio 04, 2005

INUTILIDADES

No mundo do serviço público há um fato corriqueiro. Aquele funcionário que nada sabe fazer vira chefe, afinal o coitado tem filho para criar. Quem não tem pré-requisito para uma determinada função técnica, ganha uma função gerencial um pouco melhor, pelo mesmo motivo, filho para criar etc. Então, é um grande negócio especialmente no serviço público você ser inútil. Quem sabe faz, quem não sabe (ou é preguiçoso demais), automaticamente ganha um cargo onde possa desenvolver sua maior especialidade, a de cultivar o ócio, matar o tempo, cozinhar o galo, conversar miolo de pote etc. Isto acontece inclusive nos meios feitos exclusivamente para garantir a boa vida de seus componentes, como os partidos políticos, por exemplo. Aquele "companheiro" mais ridiculamente incompetente e imprestável, o ser mais burro, canhestro e zero à esquerda certamente será o candidato do partido, senão, como ele poderá ganhar a vida, coitado? Sua inutilidade foi sua salvação. Ninguém percebe isto de cara e chama o cara de sortudo. Ele não é sortudo, ele é um inútil.(como o músico que por não saber tocar decentemente nenhum instrumento se torna maestro). Os outros que são trabalhadores e produzem algum suor, cada vez suam mais para chegar onde o zero à esquerda chegou, não conseguem e reclamam, "meu Deus, eu dou um duro danado e não sou recompensado", quando o problema é justamente esse, se fosse um inútil, estaria muito bem colocado. O problema é que a inutilidade é muito mal vista. Ninguém em sã consciência acharia bonito que alguém chamasse, por exemplo, quem ele ama, de inútil. Talvez por nossos instintos, cinco sentidos e imensa fome, vemos o quanto é útil tudo o que nos alimenta, esquecemos que nossa alma não precisa do mesmo alimento que o nosso intestino. E vivendo como se não tivéssemos alma, achamos lindo que algo seja útil e com isto nos recusamos ver beleza e função na inutilidade. A inutilidade da arte, por exemplo, qualquer arte que sirva para alguma coisa, não é arte, é artesanato, desses vendidos nas feiras de praças. “Toda arte é completamente inútil”, esta frase de Wilde ressoa em minha mente com muita freqüência. Além da arte, o que mais é inútil? Por que pode ser inútil algo sublime como a arte? Inútil em qual sentido? Até quando? Que vantagem há em se ser inútil? Isto se aplica a tudo? Ou seria o inverso? Aquilo que é inútil, ganha, por isto mesmo, o status de arte, como o incompetente do começo do texto, que ganha uma recompensa pela sua total falta de jeito? Divagar, divagar, vamos divagar com esse andor. Já falamos aqui que a poesia, por exemplo, era útil quando nasceu, pois servia para contar uma história e transmitir oralmente fatos em uma época em que não existia outro tipo de memória. Quando o pergaminho chegou, a poesia se tornou inútil e com isto ganhou asas e virou a poesia que é hoje. Uma coisa simplesmente bela, sem nenhuma outra função. No reino das coisas inclusive, só algo inútil tem uma identidade. Só o inútil é livre e só o inútil sobrevive. Sobrevive porque é inútil. Aqui estou falando de coisas, não de gente. No caso da liberdade aplica-se a pessoas também. Gente inútil é livre e quanto mais inútil, mais livre é. Ser inútil é ter sua existência por causa e centrada em si mesmo e só. Ser inútil é não ter alguém para sustentar. É existir por existir sem ser necessário a nada e a ninguém. Uma obra de arte é inútil neste sentido. Uma árvore cuja madeira para nada serve, jamais será derrubada. Um bicho cuja carne ninguém gosta, morre de velho. São as vantagens que a inutilidade traz ao indivíduo inútil. Por outro lado, quando a árvore é útil e o bicho é delicioso, isto será ótimo para a espécie, pois o homem fará cultura daquela árvore e daquele bicho, justamente para consumir os indivíduos. E assim voltamos à frase novamente, só algo inútil tem ou poderá ter uma identidade, uma individualidade. Nós, porém, devemos ser úteis e correr o risco da nossa utilidade, pois devemos ter consciência de que quanto mais úteis formos, menos nossa será nossa vida. Interessante é que a utilidade de um artista consiste justamente em produzir inutilidades porque elas são necessárias. Uma coisa inútil é contingente, mas todas as coisas inúteis são necessárias porque é pela beleza que Deus se faz mais óbvio (pelo menos para mim, Deus é o criador da beleza). Essa é a confusão que não se deve fazer, não se deve confundir utilidade com necessidade. Algo pode ser inútil e necessário. Por mais que um artista queira ser inútil, será sempre apenas um produtor de inutilidades. O produtor de inutilidades é muito útil. O artista é criatura e criador. Uma flor é só criatura. Deus é só criador. Criaturas são inúteis, criadores não. Nós, as pessoas, somos as duas coisas, temos o ônus e o bônus da existência e, pior, não podemos abrir mão de nenhuma das duas condições, aí ninguém pode nem Deus de sua condição de Criador, nem a flor de sua condição de criatura.

Posted by César Miranda at 06:44 PM | Comments (3)

UMA SUBSCRIÇÃO

Ao texto do professor Olavo, este aqui. Li uma dessas revistas de história que pululam nas bancas, uma sobre o cristianismo. Tinha muita mentira e muita opinião de leigo idiota dessas puramente preconceituosas. Uma vergonha! A partir dali passei a olhar com desconfiança a todas elas. Quer aprender história?! Não compre revistas. Quer aprender ciência? Não vá a bancas de revista.

Posted by César Miranda at 06:42 PM | Comments (1)

TODO PODER EMANA DO POVO OU DA BUROCRACIA?

Magnífica pergunta feita pelo João Ubaldo Ribeiro, a propósito da cartilha novilíngua emanada do governo petista. Na mosca! Alguém tem alguma dúvida da resposta?! Principalmente em países governados pela esquerda ou quem quer que considere fundamental a presença do Estado na vida íntima dos cidadãos, a ponto de "sugerir" o que deve ou não ser dito.

Posted by César Miranda at 06:41 PM | Comments (1)

COISAS ASSUSTADORAS

Qualquer coisa inventada por legisladores é filha da legalidade. Legalidade, por sua vez, é a coisa para a qual toda o monopólio da violência, inclusive o exército, foi criado para defender. Não é assustador?

Posted by César Miranda at 06:38 PM | Comments (1)

maio 03, 2005

AGNOSTICISMO

Agnóstico é aquele que não sabe. Eu quando me tornei ateu antes era um cristão protestante. Depois de ser ateu, me tornei agnóstico. Passei de agnóstico passei a teísta e deste a cristão. Não é comum alguém deixar de ser ateu para virar agnóstico. A mudança a partir do teísmo inocente (como o protestantismo puritano, por exemplo) se dá diretamente para o extremo oposto, o do ateísmo convicto. Sendo uma passagem, o agnosticismo é uma conquista do ateu, é quando a pessoa dá um passo rumo à sabedoria socrática. Em seguida, com perseverança, honestidade e alguma sorte, dará outro passo rumo à santidade cristã. E é comum ver agnósticos se tornarem cristãos, como é comum ver agnósticos se interessando pela poesia e sabedoria das religiões. Pessoas assim são os verdadeiros agnósticos. Porém, há falsos agnósticos e há aqueles que nem sabem o que significa o termo (seria o agnosticismo apenas o medo do ridículo?). E desse equívoco [sobre a verdadeira natureza do agnosticismo] surgem as relações equivocadas do agnosticismo com o ateísmo e do agnosticismo com a dúvida, eu inclusive já me equivoquei bastante sobre isto. Ora, para duvidar é preciso saber algo. O agnóstico não sabe, como poderia duvidar? Não saber, porém, não significa "não querer saber", todo mundo quer saber e eis a porta por onde o agnóstico encontrará sua saída (quando se dispuser a sair). O agnóstico como T. H. Huxley definia é um ser anódino, que nada mais é do que um radical cientificista. É, pois, um escravo de sua crença agnóstica. Está piamente convicto de que não se deve seguir doutrina nenhuma, se esquecendo de que isto se constitue em uma doutrina. O agnóstico de Huxley abre mão da pretensão de querer saber. Ora, esta despretensão é totalmente pretensiosa e se constitui também em um suicídio típico das religiões orientais que instituem o nada como a bem-aventurança ou crêem em ciclos eternos de repetições de uma mesma vida ou simplesmente nada falam sobre o sobrenatural. Evidentemente esse modo agnóstico de ser não funciona muito tempo na vida de um ocidental. Nós ocidentais gostamos de algo, fugimos do nada. O ocidental pode até ignorar a própria realidade e tudo o que o cerca, mas jamais ignorará a si mesmo. "Penso, logo existo", cremos muito nisto. Veja bem, o agnóstico crê demais na existência do incognoscível. Ora, isto aí já é o princípio da dúvida. Ele crê que algo há, porém esse algo não seria acessível a ele. Mas não diz que não gostaria que assim o fosse. Evidentemente se se lhe fosse permitido conhecer, ele quereria conhecer e... pronto, foi por água abaixo sua neutralidade. Soma-se a isto, o fato de que agnóstico também é gente, que sente, ama, sofre e deseja. Daí surge uma busca de sentido que no ateísmo até pode ser interditada assumindo-se uma visão cínica e niilista da vida, mas é um sentido que é impossível ser encontrado sem sair por aquela porta do "querer saber" e desvencilhar-se um pouco da própria crença de que é impossível saber. E o agnóstico vê que seu agnosticismo é um estágio legítimo, porém insatisfatório, pois há coisas não-racionais que ele sente e sabe com a mesma certeza de que existe e são coisas que não lhe entraram pelos cinco sentidos nem pela razão. Será que alguém é agnóstico a ponto de não meditar e será que recusa radicalmente qualquer exercício contemplativo? Será que alguém passa a vida a fugir da procura por respostas? E se as perguntas se tornarem cada vez mais altas e resignadamente, se não quiser ficar louco, o agnóstico ouvir a resposta e a resposta certamente será aquela palavrinha bem brega que todos sabemos. "É só isto?" Indagará o agnóstico à voz do Amor. E a resposta virá: "Sou".
ps - post à Dani e à Meg, minhas agnósticas favoritas.

Posted by César Miranda at 06:32 PM | Comments (25)

ELOMARIANAS

“Minha alma só teme o Rei do reis”

Posted by César Miranda at 06:31 PM | Comments (1)

CONFORTO EMBURRECE

Conforto emburrece e muito conforto emburrece muito. Por isto os ricos são meio lento das idéias. Quero dizer, aqueles que nasceram ricos. O pai deles, que ficou rico durante a vida é muito inteligente, passou fome, por isto teve que ser inteligente para se livrar do ronco do estômago. A geração seguinte que nasceu no bem-bom será de gente provavelmente gorda e certamente débil e fútil, ansiosas em gastar o que o outro ganhou. Pessoas assim quando se vêem sozinhas, para manter sua boa vida, terão que contratar alguém pobre que incentivado pelo ronco do estômago tentará fazer com que o dinheiro do rico não acabe. Quem jamais teve uma Brasília amarela dificilmente passeará no Canadá com o próprio dinheiro.

Posted by César Miranda at 06:29 PM | Comments (7)

TABULEIROS

Não me leve a um xadrex. Leve-me a uma dama.

Posted by César Miranda at 06:22 PM | Comments (3)

maio 02, 2005

A GRANDE REVOLUÇÃO

O Brasil precisa de desreivindicadores. A grande revolução se dará quando os beneficiados de hoje baterem às portas da justiça para reivindicar o direito de abrir mão do seu direito adquirido e devolver o que pilhou do Estado. O Brasil não tem outra saída. Resta-nos sentar e esperar por esse milagre.

Posted by César Miranda at 10:19 PM | Comments (3)

ESCRITORES (ou QUEM ESCREVE É LELÉ)

Que escrever é coisa de gente mal resolvida, é batata. Um ser realmente feliz não vê motivo algum para escrever. Toda terapia que um escritor fizer só deve ser considerada bem sucedida se o fizer parar de escrever. Perguntava Nietzsche "por que escrevo bons livros?" Ora, ora, porque era um doido varrido, eis por que. A escrita envolve necessidade de auto-afirmação, de carências diversas, inseguranças tantas, magotes de dúvidas e montes e montes de necessidades de todo tipo e bizarrices mentais que ocorre a um ser humano a ponto de transforma-lo em escritor. São pessoas que sofrem geralmente de algum tipo de psicorragia [um tipo de hemorragia na alma]. Nada que o Padre Quevedo não explique muito bem. É só procurar e descobrirão as razões exatas que fazem com que cada um escreva e verão que há alguma esquisitice ali. Coisas como o sujeito não ter namorada, ser veado, ter mania de perseguição, julgar-se superior, ser infeliz, masoquista, tarado, casto, desempregado, comunista, corno, tímido, complexado, fofoqueiro, esquerdista, gordo, covarde, burro, canalha, onanista, pobre, autoritário, passivo etc.(e o tanto que os escritores são exibicionistas?! Dá até nojo!) Ser irritável de alguma maneira geralmente cria na pessoa uma vontade irresistível de escrever. Deveriam procurar um psicólogo, isto sim. Eu já procurei. Dois haicais para o escritor: um escritor/é um maluco/ que achou um computador. Aquele maluco que/ não tem lápis nem papel/ eles mandam para o pinel.

Posted by César Miranda at 10:16 PM | Comments (5)

EXEMPLO

Um dia o Cláudio comentou sobre essa história de que não gosta dessa história de que “o exemplo deve vir de cima”. Como diria o Tim Maia, “tudo é tudo e nada é nada”. Acho irrelevante e simplório separar as pessoas entre exemplares e maus exemplos. Todo exemplo é neutro porque é um problema lá do cara com a consciência dele, se é bom ou ruim depende de quem o toma para si como bom ou como mau. Há hora para tudo. Abraão mentiu para não ser morto por um rei possivelmente apaixonado por sua Sara (uma senhora de mais de sessenta anos, era um rei tarado!). Jesus precipitou uma vara de porcos, deu uma surra em uns camelôs na porta da igreja, etc. Exemplar é amar a Deus e amar ao próximo. O que passa disso são complexidades relacionadas a isto. A boa maldade é preferível à má bondade. Por exemplo, quando o professor tem fama de não deixar mesmo o aluno colar está apenas o obrigando a estudar, o que é ótimo para o aluno. Quando eu disse que pecar não é nenhum pecado, pecado é como se encara o próprio pecado, eu me referia a esse assunto do exemplo. Um pecador que se arrepende do que fez, e resolve tornar pública a dor do seu pecado, não está atrás de uma surra, um pecador procura por perdão, não pelo sermão de outro pecador. Não tenha medo de pecar, isto é, de ser mau exemplo, mas seja autêntico ao fazê-lo. Não fuja de Deus depois disto. Mergulhe em Deus, sinta-se pecador e precise de Deus. Então, não tenha medo de Deus só por que pecou, ele está lá lhe esperando, cheio, pleno, lotado, transbordando de perdão. E de amor.
Link - Digo-vos 23/05/2004

Posted by César Miranda at 10:12 PM | Comments (2)

maio 01, 2005

SINCERIDADE

Nossa falta de coragem de encarar um olhar decepcionado, muito nos tira a coragem de dizer o que pretendemos. Um cego tem tudo para ser sincero.

Posted by César Miranda at 09:16 PM | Comments (1)

MÁXIMAS

- Bom mesmo é amar, mesmo que para isto alguém tenha que comer alguém.
- Tem gente que gosta de fazer coisas que odeia.
- Só chora quem ama. Azar de quem ama.
- Nem todo livro é de auto-ajuda. Há os que só servem para atrapalhar, alguns são ótimos.
- Fidel é o Wagner da oratória(frase em parceria com Bruno Gripp, ele fez música, eu a letra).

Posted by César Miranda at 09:13 PM | Comments (4)

A DITAMOLE DO PROLETARIADO

Quando o proletário chegar ao poder, terá que contratar alguns burgueses para administrar os bancos e as fábricas. Então, o proletariado continuará fazendo o que sempre fez e sabe: cumprir ordens da burguesia, desta feita felizes pois chegaram ao poder.

Posted by César Miranda at 09:12 PM | Comments (1)

VIVA TUA SAUDADE

Chora a tua saudade
Navegue-a no teu pranto
Que a saudade é um encanto
De um mar que nos invade

Canta a tua saudade
Faça uma linda seresta
Pois da linda mocidade
Só a saudade nos resta

Beba a tua saudade
Bebendo a saudade passa
Que a saudade é a umidade
Molhando o fundo da taça

Coma a tua saudade
Como alimento e remédio
Que ela é jovialidade
Que ela é o avesso do tédio

Viva a tua saudade
Chora, canta, beba e coma!
A saudade é de quem ama
É a clarão da eternidade

Posted by César Miranda at 08:57 PM | Comments (2)