Conversando com uma aMiGa um dia desses eu lhe confessava que sou eu o inventor do besteirol. Inventei o besteirol lá pelos idos de 1982 quando tinha 15 anos, eu e um amigo. Claro que o besteirol já tinha sido inventado por outros caras que nem sei quem são. É mesmo provável que tenha sido inventado por milhares de pessoas ao mesmo tempo em partes diferentes do mundo e não foi a primeira coisa a ser inventada ao mesmo tempo por duas pessoas que nem se conheciam. Jung que acreditava na existência de um inconsciente coletivo descobriu símbolos caldeus em umas tribos peruanas, então não é tão incrível assim que duas pessoas que jamais se viram tenham uma mesma idéia. Vem a ser também a prova de que a raça humana tem uma imaginação mais pobre do que os autores de novela. O avião, por exemplo, parece que foi inventado pelo brasileiro Dumont e por dois irmãos americanos quase ao mesmo tempo. Trocadilhos também costumam ocorrer a várias pessoas ao mesmo tempo. João Nogueira e Paulo César Pinheiro, ambos sambistas e parceiros, já tiveram a mesma idéia melódica, um mostrou para o outro a melodia e ouviu de volta "ah, fiz uma igual ontem", como moravam perto, a melodia deve ter passado na casa de um e depois visitou o outro, embasando aquela tese de que o compositor é mera antena da música soprada pelo Criador. A guitarra também é um caso desses, pois foi inventada pelo músico baiano Dodô (aquele do Trio Elétrico de Dodô e Osmar) sem saber que o instrumento musical já tinha sido inventado. Dodô deu à guitarra o nome de "pau elétrico". Vou repetir: "pau elétrico" (pausa para risada).
Pois é, se alguém ouve esse termo "pau elétrico" hoje vai pensar que é outra coisa. O inventor do vibrador também deve ter dado o mesmo nome ao seu invento. Claro que esse nome davam apenas quando o vibrador estava ainda em fase de projeto. Depois de feito e devidamente testado “pau elétrico" pareceu muito imoral e optou-se por vibrador. De repente os dois se encontram, o inventor do vibrador e Dodô e cada um diz para o outro "rapaz, inventei o pau elétrico", o outro responde "eu também", "qual é o tamanho do seu?" "Como assim? Normal, 15 centímetros e o seu?" "só quinze centímetros? Ah, é inspirado no cavaquinho, não é?" O vibrador, aliás precisa se democratizar, digamos assim. O governo deveria promover um projeto de introdução do vibrador. Já que há a introdução digital e toda gama de introdução social, por que não introduzir a única coisa que foi feita justamente com esse objetivo?! A introdução do vibrador - o pau elétrico - seria de grande ajuda para combater a gravidez na adolescência e todos os tipos de doenças sexualmente transmitidas, principalmente a AIDS. No kit-aids viria AZT e vibrador. No carnaval também, distribuir-se-iam vibradores para moças e rapazes. Com o vibrador, a camisinha se tornaria desnecessária, uma vez que, se o que as mulheres - e alguns homens - querem é um pau, basta o pau, para quê esse pau deveria ter vir com um homem na outra ponta? Não faz sentido. Aquelas pessoas que quiserem um homem na outra ponta do pau, procurariam um homem não um pau, já que, presume-se, todo homem tem um pau, ainda que não vibrante quanto um pau elétrico (esse é um outro assunto e abro esse parênteses só para dizer isto e introduzir uma questão, as pessoas querem no fundo um homem e procuram um pau ou querem no fundo um pau e procuram um homem?). E escolhido o homem, não haveria necessidade alguma de camisinha também, uma vez que se sabe muito bem que o que causa a aids não é o HIV e sim a infidelidade, pois tudo começou quando um casal de africanos fez um swing com um casal de macacos amigos, onde ninguém era de ninguém e possivelmente o vírus entrou na corrente sanguínea do africano quando o macaco o confundiu com sua esposa símia. O africano também deve ter ficado com a macaca. Ele e a humanidade inteira ficaram com a macaca depois disto. A promiscuidade nos presenteou com a aids. E falando em sexo com animais, finalmente chegamos ao assunto do texto, as perversões. Na história da humanidade ou, como diria o Falcão, "desde o tempo que cu era quadrado", há relatos de orgias dos deuses homéricos aos imperadores romanos, pessoas como Nero e Calígula que não tinham a menor noção do perigo. Recentemente também há a história das décadas de sessenta e setenta depois da penicilina e antes da aids quando a classe média sentiu-se livre para dar asas à imaginação e "viver a vida", que é como chamam a rotina de todo pervertido ("esse cara sabe viver a vida", raramente essa frase é associada à leitura de toda a obra de Dostoievski, por exemplo). Há a história daquele ator que conta como vantagem o fato de ter sido expulso de uma suruba (não diz é que possivelmente a causa da expulsão é que ele tenha brochado com o próprio presidente da putocracia, isto é, com o dono da suruba). Nos dias de hoje, não duvido, há verdadeiros gourmets da perversão. Pessoas que se trancam em seus quartos com alguns equipamentos individuais e coletivos, alguns animais como ratos e cães e vão pesquisar seus limites morais e físicos, para apresentar em boates, fazer filmes, escrever livros ou simplesmente degustar com sua cambada. Gente que para os pais "saíram com os amigos". Depois de uma geração "vivendo" dessa maneira, a geração seguinte elegerá representantes no congresso e proporão casamento de pessoas com ratos. Em seguida proporão a inclusão do rato, afinal porque só os pervertidos ricos têm seu rato próprio? O pobre tem que ficar introduzindo ratos desconhecidos que podem até transmitir doenças. Onde está o governo que não vê essas coisas? Então, para resolver o problema, cria-se um ministério. Quer coisa mais pervertida?
Posted by César Miranda at abril 20, 2005 09:11 PMeu gosto tanto, mas tanto, de tudo o que você escreve, que nem paro pra lembrar que sou a favor da camisinha, etc. e tal.
Posted by: Luy at abril 21, 2005 01:51 AMUm pequeno post grande, para variar.
Posted by: César Miranda at abril 20, 2005 09:13 PM