O leitor do livro pára um pouco, fecha o livro e pensa. O leitor vira a página, volta, vai mais umas vinte, descobre em que página terminará aquele capítulo. O leitor anota o que aprendeu ou desaprendeu com aquele parágrafo. O leitor termina, fecha o livro e o devolve à estante com as marcas de sua passagem por ali. O leitor escreve outro livro a respeito daquele que acabou de ler, às vezes um livro três vezes maior. O livro é um namoro. O espectador não tem muita opção depois de entrar no cinema. O filme pega o espectador pelo braço e o leva para dentro da tela com a urgência de uma fome. O espectador dentro do cinema tem o direito de desistir do filme e correr para fora da sala. O espectador do filme não pode parar e pensar sobre o que ouviu porque ele está lá não para ver, mas para viver o filme que se desenrola. O espectador pensador costuma perder metade do filme. Filme feito para pensar é filme ruim, um embuste, pois só pensa quem não vive ou poderíamos dizer ao espectador pensativo no cinema, filme é aquilo que os outros estão assistindo enquanto você pensa. Um filme é um parque de diversão.
Posted by César Miranda at abril 29, 2005 10:57 PM