fevereiro 09, 2005

O CÍRCULO DO MARFIM (ou VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E A INDISCRIÇÃO DA NATUREZA)

Devemos apoiar a campanha "Homens contra a violência contra as mulheres", mas também deveríamos apoiar uma luta contra a violência das mulheres contra as crianças, das crianças contras os gatos, dos gatos contra os ratos e dos ratos contra os elefantes. Tudo está mesmo interligado porque os elefantes fornecem marfim, que serve para fazer bolas de bilhar. Então o homem sai do bilhar e chega tarde da noite em casa, a mulher resmunga e o homem age com violência contra a mulher. A mulher então bate na criança, que bate no gato, que bate no rato, que assusta o elefante, que morre do coração, então retiram suas presas e fazem bolas de bilhar, que servirão para o homem jogar bilhar e chegar tarde em casa. Talvez se os ratos não assustassem os elefantes, estes não morreriam. Se eles não morressem, não haveria bolas de bilhar. Então, o verdadeiro culpado pela violência contra a mulher seria a morte dos elefantes, causada pelos ratos, que fogem dos gatos, que fogem das crianças, que fogem das mulheres, que resmungam quando o homem chega tarde porque aprecia fazer com que se choque uma bola na outra, bolas feitas de presa de elefante que morreu porque o rato etc etc etc. Como se trata de um círculo, não há uma raiz este problema, e a violência contra a mulher nem chega a ser um dos elos do podemos chamar “o círculo do marfim” e explicarei em seguida o porquê. Talvez se elas não resmungassem, quebrariam o círculo, pensaria o leitor incauto (os não incautos sabiamente apenas seguem meu lúcido raciocínio). Bem, diriam uma feminista, que tal ela resmungar e o homem não agir com violência?! Certo, o homem pode não agir com violência, mas poderá também se separar dela, pois ninguém é obrigado a viver com alguém que sempre resmunga quando você chega em casa. Então, separada do marido e triste com a solidão e por ter sido abandonada, ela será violenta com a criança, que baterá no gato e eis o círculo do marfim novamente refeito. Enquanto isto, o sujeito lá que não larga o taco chegará a hora que quiser em casa sem nenhuma resmungadora por perto. Concluindo, o círculo do marfim não tem na violência contra as mulheres um componente fundamental, nem é responsável por tal violência, nem precisa dela para existir. A violência contra as mulheres pode acabar, que o círculo do marfim permanecerá intacto, pois o buraco é mais embaixo (calma leitor, logo entenderá onde quero chegar). Nem o homem é componente fundamental do círculo em questão, porque esse ridículo animal aprecia fazer com que se choque uma bola de marfim em outra e meramente se aproveita do subproduto do tal círculo para fabricar sua diversão. O resto é a natureza pura e simples agindo e, é bom assinalar, a mãe, esta sim, está inserida neste círculo natural. A mãe sempre é violenta com a criança, pois quando é amorosa e protetora demais é tão violento quanto quando dá uma surra, pois o amor e o excesso de atenção também são atos violentos. Então, dando tapas ou beijos, a mãe fará com que a criança maltrate o gato, que maltratará o rato, que matará o elefante do coração. Então, as mulheres, meramente como mulheres, nada poderão fazer por si mesmas, nem pelos elefantes. Se a mulher não resmungar, criará um marido cada vez mais folgado que logo logo chegará em casa com marca de baton na cueca. Se resmungar levará porrada ou será abandonada. Então, como mulheres, as mulheres estão certas em resmungar. Como mães, porém, sim, poderiam agir proativamente no sentido de acabar com o círculo do marfim. Bastava que fossem mães discretas, nem boas nem más, bem low-profile, dessas que deixassem a criança enfiar a mão no fogo, assim ele aprenderia e não cresceria com a ilusão de que fogo é apenas bonito. Essa maternidade discreta seria a verdadeira revolução, para o bem das crianças, gatos, ratos e elefantes. Agora, quero é ver uma mãe low-profile. Não seria mãe. A maternidade não admite interferências de ações culturais como discrição, por exemplo. A natureza não é discreta, jamais foi, jamais será. Por isto os elefantes morrem do coração.

Posted by César Miranda at fevereiro 9, 2005 08:23 PM
Comments

Entao, voce acha tao natural e corriqueiro como uma mae brigar com o filho, um cara bater numa mulher?

PO!!!!

Posted by: Claudia at novembro 2, 2008 09:19 AM

Eu acho assim ó: ...

Posted by: Politicamente incorreta at fevereiro 10, 2005 09:59 AM

Cara, que post, eu, gato meio infantil e jogador de bilhar que sou, agora tenho muito o que pensar...

Posted by: 0!/\@|£ at fevereiro 10, 2005 08:33 AM

Cara, que post! Eu, mãe que sou, agora tenho muito que pensar.

Posted by: Adelice at fevereiro 9, 2005 09:34 PM
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