O relativismo serve a embromadores. Violência é tudo o que EUA fizer e nada que o EUA sofrer. Isto é, o conceito de violência depende de quem agiu. Droga é qualquer coisa, TV, religião, refrigerante, álcool. Porém, Cocaína, maconha, heroína etc seriam apenas tipos de droga, o que nivela o ato de usar crack e assistir o SBT. Isto é, o conceito de droga depende do rumo que o sujeito quiser dar ao argumento. Em algumas dessas abordagens não há problema algum em assistir ao SBT, logo, usar cocaína é tão inocente quanto e não trará mal algum para os outros, só para o usuário. E as mortes “causadas” pelo capitalismo? Põe-se aí um elástico no conceito. Falemos de doença, por exemplo, descobriram que é mais fácil tratar um vício chamando-o de doença. Assim a pessoa considera que as recaídas são apenas crises da tal doença e passa o resto da vida controlando a tal “doença”. Mas o viciado sabe que não é assim, ele tem consciência que aquilo é só um estupro que se deu no sentido da palavra. Um alcoólatra sabe que não é doente, ele é um cachaceiro, isto sim. Vício (mania e defeito) só é doença em sentido figurado, quando você diz, por exemplo, que a paixão de um sujeito pelo Flamengo é uma doença (se fosse pelo Vasco, vá lá!). Assim, chamando o vício de doença, o sujeito não se sente obrigado a de criar vergonha da cara, porque você não fala para alguém gripado, por exemplo, “toma jeito, rapaz, sai dessa gripe”. Na verdade se trata apenas de embromação porque, segundo os terapeutas, os viciados quando tentam parar o vício e não conseguem, se sentem muito frustrados e acabam se desestimulando. Ah, quer dizer que o mocinho que sempre fez o que quis na vida não pode se sentir frustrado, vamos então perpetuar sua infância, dizendo que ele tem, na verdade, uma doença, isto é, não dependerá dele a cura e sim do remédio que tomar. Esta geração de pessoas que chegam aos 30 anos sempre fez o que quis: iam à escola para se sentir bem, os professores tinham que tratá-los como se fossem superiores, alguns deles começaram a fumar aos 13 anos para provar que eram homens, agora tentam parar para provar a mesma coisa e não conseguem. Enfim, como já está comprido este texto, dou-o também por cumprido. Devia ser bom viver em um mundo em que os conceitos existiam e eram respeitados, no século XIII, talvez.
Posted by César Miranda at fevereiro 10, 2005 07:55 PM