Um dos objetivos do Estado moderno é substituir a Deus, inclusive transformando leis em mandamentos, enquanto não conseguem, os parvos políticos, interpretam um ou outro mandamento e o transformam em lei. Um dos problemas desse imbróglio é que lei não proíbe nada. A lei serve apenas para revelar a pena. A lei diz "Matar, 20 anos de prisão", ela não diz, "Não mate", ela diz "pode matar, fica à vontade, mas passará 20 anos da prisão, topas?", "hummm, deixôvê? Num sei... e se eu só der uma surra?!?". Está lá nos códigos, "bater em alguém, tantos anos", você escolhe se bate ou não, se bater, terá a contrapartida mas não é proibido bater. A lei diz, "se dirigir acima de 80 km nesta via, você pagará quinhentas pratas, tá bom?!". Trata-se de uma proposta, não de um mandamento. A lei não manda nada, a lei propõe. É um negócio como outro qualquer.
Já um mandamento são outros quinhentos. Deus disse, "não matarás". Moisés não teve a presença de espírito (ele devia ficar paralisado de susto ao conversar cara-a-cara com o Todo-Poderoso) ou não lhe ocorreu perguntar, "e se a pessoa matar, hein, TP, o que acontece?". Nem Deus disse nada. Não disse inclusive porque há a possibilidade de nada acontecer. Um pecador pode (e deve) ser perdoado. Um criminoso não. Para Deus não existe criminoso, para o Estado não existe pecador. Eis a fundamental diferença que descoberta tudo se aclara, a diferença entre criminoso e pecador.
Matou a pau, Cesar. Avança em relação à bronca que eu tive num post recente.
Posted by: Rafael Lima at novembro 16, 2004 09:28 PMGibbon, sobre as crenças religiosas que coexistiam sob o Império Romano: "O povo considerava-as igualmente verdadeiras; os filósofos, igualmente falsas; e os magistrados, igualmente úteis."
Posted by: Artur at novembro 16, 2004 04:10 PMEu sou um pouco de cada. Nunca me achei com cara de criminosa, mas vivo sendo perseguida pelos amarelinhos-detrânicos de Brasília, que insistem em querer que eu ande a menos de 60 por hora, que vivem querendo levar meu carro pro depósito. Paciência. Minha sina é fugir deles.
Voltei agora de uma experiência transcedental em BsAs sobre tudo aquilo que a gente começou a conversar um dia, César, o papel dos blogs, blablabla. Você vai bem? Seu Protensão tá cada dia melhor. Beijoca.
Olá, é um prazer estar aki, gostei mto do seu blog.
Blogar é bom, por isso tenho dois rsrsr.. e espero sua visita.
Um tem textos, piadas, etc. Outro é caliente, com poesias
sensuais. Espero que goste.
Pq eu adorei o seu, tem um jeitinho todo diferente.
bjos
“Como as massas são inconstantes, presas de desejos rebeldes, apaixonadas e sem temor pelas conseqüências, é preciso incutir-lhes medo para que se mantenham em ordem. Por isso, os antigos fizeram muito bem ao inventar os deuses e a crença no castigo depois da morte”. -Políbio,historiador romano
Posted by: Leônidas at novembro 11, 2004 08:11 PMMas César, sempre há uma pena. Muitos não matam com medo da danação eterna. E outros até matam apesar da danação, na qual acreditam, e que terão de cumprir.
Posted by: Reginaldo Siqueira at novembro 11, 2004 07:55 PMAfora o fato de que lei tem enforcement, já mandamento.......
Posted by: smart shade of blue at novembro 11, 2004 06:33 PMFundamentalmente correto. Mas há que se temperar o argumento à luz da análise probabilística: o preço a pagar pelo assassinato de um desafeto não são necessariamente 20 anos de cadeia, mas alguma complexa equação entre a pena prevista e as chances de vc ser pego.
Posted by: Alfred E. Neuman at novembro 11, 2004 05:07 PM