novembro 26, 2004

LAISSEZ-FAIRE X

- No socialismo o povo só vê realizados (ou construídos) os sonhos daqueles que estão no poder;
- É o mercado, isto é, os consumidores, quem decide os preços. Ao abolir o mercado, ao socialismo é vedado saber o real preço das coisas;
- Não é o custo quem determina o preço, é o consumidor quem o faz;
- Mercadoria é qualquer coisa que tenha um consumidor; A força de trabalho, por exemplo, é mercadoria, cujo preço é definido pelo consumidor de acordo com a escassez ou necessidade;
- A ação humana não se presta a experimentos científicos;

Posted by César Miranda at novembro 26, 2004 08:47 AM
Comments

Rafael,

Vou ver teu post lá no seu blog, mas desde já digo o seguinte: todo o edifício econômico baseia-se fortemente em certos postulados sobre o comportamento humano. Se a psicologia altera estes pressupostos, não há como isto não se refletir na economia.

Posted by: smart shade of blue at dezembro 6, 2004 10:40 AM

Smart,
a frase do César se refere a esse tipo de experimento mesmo.

Não sei se você está lendo meu blog, fiz um post sobre leilões que descreve um experimento desses. Pela perspectiva austríaca esse tipo de experimento pode dizer algo sobre psicologia, mas não dá suporte a leis econômicas no sentido de que experimentos em física dão suporte a leis da física.
A existência de revistas sobre o assunto, por si só, é irrelevante para o argumento austríaco (que talvez seja radical demais neste ponto, eu não sei).

Posted by: Rafael Caetano at dezembro 6, 2004 09:06 AM

Esqueci:

"Experimental Economics" é um campo tão importante da economia que já dispõe mesmo de alguns jornais científicos indexados. Este aí, por exemplo, é editado pela Kluwer:

http://www.kluweronline.com/issn/1386-4157

Posted by: smart shade of blue at dezembro 5, 2004 12:00 PM

Estou percebendo a confusão.

É que os Srs. usam o termo "experimentação econômica" como sinônimo de engenharia social.

Bom, toda política pública é um experimento, neste sentido lato. Quando o BC resolve mexer na taxa de juros, ele está fazendo um "experimento".

Para não ficarmos vagando nas nuvens, serei mais específico e claro quanto ao que eu quis dizer. "Economia experimental" é um campo da economia que visa entender melhor o comportamento dos agentes e dos mercados, de um ponto de vista experimental - isto é, com experimentos controlados. É um meio perfeitamente legítimo de perquirir os princípios fundamentais da interação econômica. Agora, é óbvio que os resultados dessas pesquisas podem ser aplicados à vida real. Muita evidência experimental tem sido utilizada para embasar mecanismos sofisticados, tal como o "design" de leilões (prática importante nos setores regulados; p. ex., leilões de espectro eletromagnético, ou de energia elétrica). Quando Bernardo Só diz que experimentação econômica é política, e não economia, está deixando escapar o fato de que a economia é uma ciência imperialista, cujos métodos estão dominando o restante das ciências sociais, reduzindo-a aos seus "nuts and bolts" essenciais.

abçs

Posted by: smart shade of blue at dezembro 5, 2004 11:58 AM

Economia é sempre experimental. Voce experimenta vender algo. Se vender bem, voce ganha. Se vender mal, voce perde.

Posted by: Delance at dezembro 5, 2004 11:48 AM

Experimentação econômica, não é economia, é política.

Posted by: Bernardo Só at dezembro 5, 2004 11:40 AM

Pois é, Smart

Eu também gosto da experimentação como excelente recurso ao aprendizado. Só acho, como o Grenadier, que a reprodução sistemática, seja mais difícil na economia do que na física, por exemplo.

Posted by: Vinicius at dezembro 4, 2004 01:55 PM

Pois já eu, Vinícius, acho que não haverá futuro para a Economia sem que ela lance mão do recurso à experimentação. De fato, um dos ramos da economia que mais cresce e atrai atenção é a Economia Experimental.

Posted by: smart shade of blue at dezembro 4, 2004 07:44 AM

Apagaram a luz! Vai ver que foi a enormidade do encontro entre esses dois patetas, meu caro Vinicius. Eles são mesmo sem comentários...
Não sei se a conversa retomará seu élan, mas gostaria de deixar uma palavrinha sobre a 5ª e última - por enquanto - proposição, segundo a qual a ação humana não se presta a experimentos científicos. Este sempre me pareceu o aspecto mais questionável da economia: abordar um fenômeno qualquer e "ceteris paribus", todo o resto permanece como está. Se em laboratório tal abstração já requer muita boa vontade (ou suspension of disbelief), quanto mais num universo como a sociedade, com seus elementos se mexendo, desejando muitas coisas e mudando de idéia o tempo todo. Acho que a praxeologia de Mises é mais ciente de seu objeto e limites.

Posted by: Grenadier at dezembro 3, 2004 01:07 PM

Grenadier,

Não há lógica que invalide as mitologias "petelhas".
Vi o Tarso Genro no Jô anteontem, e ele teve as manha de dizer que o que ocorreu na União Soviética foi um "capitalismo de estado". O Jô ainda lhe parbenizou pela criatividade como ministro. Sem brincadeira.

Posted by: Vinicius at dezembro 1, 2004 07:32 PM

Francis não morreu! Tem muitos heterônimos, ou epígonos, na rede...
Estou gostando da discussão, e pergunto aos doutos se a 3ª proposição - não é o custo que determina o preço, e sim o consumidor -, combinada com a 4ª - a força de trabalho é uma mercadoria como outra qualquer -, não invalida as mitologias de exploração, mais-valia e assemelhados que sustentam o pt, o MonSTrengo et caterva.

Posted by: Grenadier at dezembro 1, 2004 05:08 PM

Conheço um caso de monopólio que causou um infarto: da Petrobrás pra cima do Paulo Francis.

Posted by: Vinicius at dezembro 1, 2004 10:58 AM

Um outro exemplo de inovação tecnológica que chega para abalar monopólios é o famoso Skype.

Posted by: Claudio at novembro 30, 2004 09:09 PM

The Justice Cannot Fail! Heaven will silence the heeathen! Holy Sword!

Posted by: Delance at novembro 30, 2004 07:05 PM

Jules,

Biografia ? A idéia nem me passou pela cabeça, até porque esse mercado já é bastante competitivo - mas uma compilação de heterônimos talvez viesse a calhar. Eu já conheço um ou dois.

Deus canino,

A melhor encarnação dessas idéias aí é a obra de Schumpeter. As teorias evolucionistas da economia, das quais ele é o "farol luminoso", tendem a ser benevolentes quanto ao papel do monopólio na inovação. A teoria neoclássica prevê uma defesa do monopólio baseada nas eficiências que ele pode gerar, e chega mesmo a falar em "eficiências dinâmicas" com o mesmo sentido (inovação), sem contudo oferecer pontos de partida muito convincentes sobre sua mensuração.

A despeito disso, há bastante trabalho sobre o tema. Inclusive há uma linha interessante que discerne entre a competição "pelo mercado" e "no mercado", sendo que em alguns setores, características tecnológicas (padrões, etc) impõem competição "pelo mercado" - e aí o mercado vai se caracterizar, realmente, peka existência de monopólios sucessivos, por empresas diferentes. Casos clássicos são os da emergência da telefonia móvel como substituta da fixa, ou dos sistemas operacionais livres sobre os proprietários.

Estas discussões não giram no vazio, e os profissionais do setor desenvolvem uma certa sensibilidade sobre quando é que se está diante de um monopólio cretino e um monopólio justificável. Algumas decisões (ou tentativas de) antitruste de vinte anos atrás, por exemplo, hoje são risíveis para a comunidade de praticantes, graças ao aperfeiçoamento do entendimento sobre o assunto. Como em tudo mais, há curvas de aprendizado aí.

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 07:02 PM

Ok Smart,

Mais ou menos respondido, já que você ponderou que se trata de um palpite. Pois aqui vai o meu palpite: o monopólio estatal é mais difícil de ser controlado que o privado. Já que:
"Historicamente o que se vê é que a tentação é demasiada, no caso das empresas públicas, em se fazer uso político dos tremendos recursos disponíveis na empresa, e que não estão à mão, diretamente, no caso do controle pelas agências"
O que se vê historicamente é que o surgimento das agências reguladoras são um fenômeno recente no Brasil, dado o grande entrave político à sua atuação. O que demonstra o poder da burocracia estatal, por conseguinte. Inocêncios de Oliveira, Josés Sarneys e suas miniaturas são a regra, não a exceção. A operação "pororoca" é um exemplo.
Fora isso, não é necessário que a empresa pública seja monopolista para sofrer intervenção política; é o que acontece em inúmeros setores da economia brasileira -- até no ramo cultural.
Nosso déficit público que o diga.

Abçs.

Posted by: Vinicius at novembro 30, 2004 06:49 PM

PC, o autor dela há de concordar com a gente.

Posted by: DGR at novembro 30, 2004 06:45 PM

DGR: Brilhante exposição. Só para dar uma de advogado do diabo, portanto, não pensem que eu acredito: o único furo na tese é que ela serve à "lógica de mercado", ou, traduzindo para o português, é coerente com o mundo real de verdade que existe mesmo. O que é intolerável para quem vive de porre na vida.

Posted by: Paulo C. Barreto at novembro 30, 2004 06:40 PM

Aloha.

Caiu em minhas mãos este texto, que não é meu, nem estou participando da discussão, mas é bem interessante, com um argumento que foge da teoria econômica neoclássica, que é o arroz-com-feijão da academia, e mal as demais teorias e concepções econômicas, nem sempre ensinadas na faculdade:

“A teoria austríaca, por exemplo, tem um argumento interessante contra a intervenção estatal em monopólios privados: a existência de monopólios particulares é um dos mais importantes estímulos ao desenvolvimento tecnológico.

Um exemplo histórico: no começo do século XIX, algumas empresas de transporte por diligências dominavam o setor de transportes terrestres na Europa e nos EUA. Naturalmente, elas se aproveitavam desse domínio para cobrar as tarifas mais altas possíveis -- o que gerava ‘perdas de peso-morto’ e outras ‘ineficiências’, para usar o jargão neoclássico. Entretanto, essas firmas foram surpreendidas com a introdução da ferrovia, que tornou o transporte por diligências inteiramente obsoleto: fazia mais do mesmo serviço a um custo menor.

Com ainda maior facilidade os novos magnatas das estradas-de-ferro estabeleceram seus próprios ‘monopólios naturais’ (expressão que também faz parte do jargão neoclássico); em geral é economicamente inviável concorrer com uma ferrovia construindo outra que passe ao lado, e portanto o dono da estrada-de-ferro vai cobrar o máximo possível pelo seu uso.

E de fato eles se divertiram bastante até que inventaram o avião (que tornou a ferrovia praticamente obsoleta para o transporte de passageiros por longas distâncias) e o automóvel (que fez o mesmo com as distâncias curtas). Para a ferrovia restou só o transporte de cargas.

A idéia austríaca, tal como a li em Mises e Schumpeter, é a de que essa sucessão de monopólios intercalados por progressos técnicos não foi um mero acaso. (Aliás, inúmeros outros exemplos históricos poderiam ser citados.) Os lucros excepcionais auferidos por um monopolista evidentemente foram um poderoso estímulo para o desenvolvimento de tecnologias que superassem aquelas até então empregadas e, portanto, forçassem a "quebra" do monopólio e a entrada de novos participantes no mercado. Já que isso não era possível através da exploração da mesma tecnologia já empregada, os interessados trataram de criar tecnologias inteiramente novas.

Caso o Estado tivesse interferido e estabelecido tarifas máximas para as diligências e as estradas-de-ferro, os lucros extraordinários dos monopolistas desses setores teriam desaparecido -- e com eles o estímulo para a criação das técnicas mais avançadas que tornaram obsoletos os métodos anteriores.

É por isso que os austríacos defendem que se deixem os monopolistas privados abusarem dos consumidores em paz. Se e enquanto isso acontecer, haverá alguém pensando nalgum jeito original, inédito, de se escapar das garras dos monopolistas; seja um consumidor cansado de pagar caro, seja um empresário querendo explorar esse filão. Essa tensão entre os monopolistas e o resto da sociedade praticamente assegura o ritmo elevado de progresso técnico que está na base do desenvolvimento econômico. Se o Estado intervém em ‘benefício’ dos consumidores e estipula tarifas máximas, o estímulo morre, e o progresso técnico se torna mais lento do que poderia ser -- isso quando há algum outro estímulo em ação.

A arrogância da ação estatal, neste caso, está em pressupor que é ‘impossível’ ao consumidor e aos demais interessados driblar os monopolistas já instalados -- só porque a tecnologia necessária para driblá-los é ainda desconhecida. O interventor toma o limite dos seus conhecimentos atuais como o limite das próprias possibilidades intelectuais humanas; e, ao fazê-lo, frustra o mecanismo social que estimula a expansão desses conhecimentos, tornando a ‘impossibilidade’ de se escapar dos males do monopólio uma profecia auto-realizável.

A argumentação acima é interessante, presente em livros austríacos há uns cem anos, mas na academia ninguém a conhece. Pessoalmente, entendo que é verdadeira; nunca vi nenhum furo nesse raciocínio. Já o apresentei a alguns professores e colegas, e nunca vi ninguém fazer nenhuma objeção razoável; até hoje todo mundo engasgou, prometeu pensar no assunto, e a coisa ficou por aí.”

Posted by: DGR at novembro 30, 2004 06:28 PM

Só a diretoria. As especulações podem continuar, mas se quiser escrever a biografia dos wunders também, tem que ligar pra nossa secretária antes.

Posted by: Jules at novembro 30, 2004 05:58 PM

Ora Jules,

Quer dizer que os wunderbloggers podem editar seus comentários, mesmo sem ser em seu próprio blog ? Descoberta interessante, que me permite especular sobre a identidade de alguns curiosos frequentadores do portal, cujos comentários já vi se alterarem em questão de segundos... :)

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 05:38 PM

Vinícius,

É meio difícil falar assim em abstrato, porque tudo depende das formas de governança e de que monopólio se fala.

Quando se tem um monopólio natural, aquele do qual falei antes, usualmente se tem ou uma empresa pública prestando diretamente o serviço, ou uma empresa concessionária explorando o serviço (isto é, privada), regulada por uma Agência reguladora.

Então, o "controle" aí fica sendo se é mais fácil controlar a agência reguladora destinada a regular o setor, ou a empresa estatal.

Uma agência deve ter independência mas deve ser "accountable", prestando contas seja diretamente ao público, via ouvidoria, seja ao Legislativo, seja a alguma instância do Executivo que fiscalize um contrato de gestão.

Teoricamente, todos estes mecanismos poderiam ser utilizados para controlar uma empresa estatal monopolista. De fato os primeiros contratos de gestão foram bolados na França para controlar as estatais deles.

O que vou dizer agora é um palpite, pois uma resposta com mais credibilidade exigiria maior pesquisa e reflexão, mas eu acredito que uma agência reguladora, apesar de adicionar mais uma camada burocrática na história, é mais efetiva. Historicamente o que se vê é que a tentação é demasiada, no caso das empresas públicas, em se fazer uso político dos tremendos recursos disponíveis na empresa, e que não estão à mão, diretamente, no caso do controle pelas agências. Isto é, o controle via agências retira uma grande tentação de controle político. No Brasil, diz-se que a privatização eliminou uma grande fonte de clientelismo político, com o desaparecimento de milhares de cargos das estatais em Brasília e pelo Brasil inteiro.

Quanto ao monopólio privado não regulado, este só pode ser controlado via antitruste. No caso há duas formas de controle: de estruturas de mercado (por exemplo, proibindo fusões ou no caso do monopólio estar consumado, exigindo a quebra da empresa em duas ou mais partes) e de condutas (impondo multas pesadas e até mesmo prendendo responsáveis por essas condutas). Em geral autoridades antitruste preferem a ação preventiva via controle das estruturas, porque o custo de monitoramento de condutas costuma ser muito alto.

Tá respondido ?

Jorge Nobre,

O link que você escolheu me parece OK. Quem tiver fôlego para um tratamento mais completo mas bastante mais profundo, pode tentar este aqui:

http://allserv.rug.ac.be/~gdegeest/0610book.pdf

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 05:34 PM

Isso que dá chamar Olavón pro Show de Calouros: ninguém vai levá-lo a sério e vai dar risada vaiando, mesmo na hipótese de Olavón estar certo.

Pedro de Lara lá, lá lá lá láralá, laráláráláráláralárá laralaralá!

Posted by: Jules at novembro 30, 2004 05:06 PM

Sei que você é contra. Perguntei se era mais fácil de controlar do que o monopólio privado. É?

Posted by: Vinicius at novembro 30, 2004 04:57 PM

Só para que não me acusem de ser igual ao The Guardian, eu vou ouvir todos os lados da questão. O Smart sugeriu que se pesquisasse "public-choice theory" no google, eu pesquisei e encontrei está página:

http://www.magnolia.net/~leonf/sd/pub-choice.html

Vou ler e depois digo o que achei.

Posted by: Jorge Nobre at novembro 30, 2004 04:52 PM

Oh Smart!

Logo você, que dizia destestar o que a América tem de ruim, vem defender uma das piores tradições da américa - a do contróle político-burocrático dos supostos monopólios privados.

Foi esse controle (de origem principalmente repúblicana, vejam só) que provocou a grande depressão dos anos 30.

A burocracia "enorme e responsiva (sic.)" dos EUA, aparentemente, tende a ser tão corporativista e incompetente quanto a do resto do mundo.

Eu nunca disse, penso, que não precisamos de "checks and balances". Alias, o Olavo de Carvalho também nunca disse isso. Conteste o que eu digo não o que você imagina que eu disse.

São duas questões aqui, uma é em que proporção o Estado deve intervir na Sociedade, outra é como impedir que os burocratas encarregados dessa intervenção se tornem defensores antes de seus privilêgios que da sociedade.

Eu vejo a intervenção do Estado como um mal necessário, que sempre atrasará o progresso economico, sendo esse o preço a pagar pela perversidade humana. Você diz que sim, e além disso o Estado pode ser utilizado também como um elemento propulsor do progresso. Eu respondo que realmente pode, num primeiro momento, sob certas condições, mas sempre, fatalmente, acabará gerando uma burocracia parasitária, corporativista e arrogante.

Não fui contestado. O exemplo dos EUA me mostra que o controle público do mercado produziu mais mal do que bem. Tal foi o caso da Grande Depressão, provocada e mantida por medidas intervencionistas.

Quanto ao The Guardian, eu não li o que se diz sobre a matéria da Lancet, mas fiz uma pesquisa sobre a morte de Arafat naquele jornal. De um lado, babação de ovo, pura e simples. Do outro, matérias equilibradas, no estilo mais calmo e candido do mundo, sem trair emoção nenhuma, tipo assim :"Arafat foi um héroi para os palestinos e um vilão para o governo de Israel". Nada disso: Arafat foi um bandido para todos os que não foram seus cumplices, ponto. O The Guardian tem até o testemunho de um ex-guarda costas de Arafat (quer dizer, um terrorista que trabalhou para Arafat), não tem nenhum testemunho de quem combateu Arafat, nenhum testemunho de uma vítima de Arafat.

Para você, isso é o que se chama "escrever sem paixão", e eu concordo: Esse jornal não tem paixão pela verdade.

Posted by: Jorge Nobre at novembro 30, 2004 04:43 PM

Vinícius,

Eu sou contra a atuação direta do Estado na produção de bens e serviços, portanto, contra monopólios estatais, que costumam ser tentadores demais para os políticos. Se é desse monopólio que você está falando.

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 04:40 PM

E quando o monopólio é da burocracia? É fácil de controlar?

Posted by: Vinicius at novembro 30, 2004 04:27 PM

Ô..."Nobre" (muda de nick !),

Sua "irônia" ficou tão longa quanto a minha, né ?

A matéria do Guardian, gostem ou não, apresenta toda a discussão metodológica envolvida na questão dos mortos no Iraque, inclusive mostrando os argumentos pró e os contra. Acho que isso é bom jornalismo.

O OC é um ideólogo que costuma chamar de burros (não ignorantes, o que é uma outra coisa) aqueles que ousam não concordar com Vossa Iluminância.

A isto, chamo misturar alhos com bugalhos.

Quanto ao controle da burocracia, acho que é máis fácil que controlar um monopolista. Os EUA tem uma enorme e responsiva. Pelo mundo não ser perfeito é que precisamos de checks and balances, e não só de checks (economia centralmente planejada por burocratas) ou só de balances (mercado livre e selvagem).

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 04:04 PM

No último parágrafo, onde escrevi: "um peso morto para a sociedade carregar que um ao progresso econômico."

Leia-se: "um peso morto para a sociedade carregar que um estímulo ao progresso econômico."

Faltou a palavra ESTÍMULO.

Posted by: Jorge Nobre at novembro 30, 2004 03:50 PM

Fico pensando: O argumento da autoridade não serve para o Olavo de Carvalho, mas serve para o The Guardian, como há mais ou menos uns 10 dias atrás. Como também serviu para considerar valida uma pesquisa furada que dava como certo que 100 mil iraquianos morreram desde a invasão americana.

Pensando mais um pouco: Não percebi ONDE o que foi dito pelo Olavo de Carvalho está errado. O Smart (muda de nick!), ao argumento da autoridade, opós, simplesmente, o argumento da pirraça.

Fica claro que para o Smart o argumento é valido quando a autoridade diz o que ele quer ouvir, e deixa de ser quando acontece o contrário.

A proposito: eu nunca citei o Olavo de Carvalho em meu blog, eu não tenho intenção de frequentar um de seus cursos (nem teria tempo). Eu analiso os fatos como eu os vejo não como o Olavo de Carvalho ou qualquer outro diz que são.

Olavo de Carvalho diz: "O Estado existe apenas para impedir que os concorrentes se comam vivos, para assegurar as condições logísticas da prática do liberalismo e para, last not least amparar in extremis quem não tenha a mínima condição de concorrer no mercado."

O Smart diz:

"Senhores,

Gostei da linha de pensamento. Pelo menos foi desenvolvida espontaneamente. Mas posso abreviar-lhes bastante esses esforços; basta procurarem no Google o termo "public-choice theory" para encontrarem aquilo que estão procurando. Trata-se de uma escola de pensamento econômico, originalmente nascida como uma crítica ao Estado Regulador, que tenta introjetar os postulados do individualismo metodológico e da maximização da utilidade para criticar a idéia de "interesse público" a partir da constatação que o burocrata é, também ele, um maximizador de sua própria utilidade. Dando um passo além das críticas mais antigas segundo a qual a regulação nascia unicamente pra proteger certos setores da economia ("teoria da captura").

Em essência, o argumento é correto, no sentido de que ele deve ser levado em conta no design de qualquer agência governamental. O problema porém não é um problema sem solução: sempre há a possibilidade de criar estruturas de incentivo que alinhem o interesse do burocrata ao interesse da coletividade. Esse é o chamado problema do "agente principal", isto é, como fazer que um agente atue realmente de forma a atender o interesse do principal, e não é um problema endêmico do setor público - toda empresa onde há separação entre propriedade e administração, isto é, toda corporação moderna, tem que se haver com o mesmo problema, em menor escala, é claro. E como se não bastasse, também impacta fortemente até mesmo aquelas estruturas governamentais que os defensores liberais do Estado Mínimo aceitam - a polícia, o fisco, a justiça e os militares.

Mas gostei, vamos pelo bom caminho - um caminho melhor, IMHO, do que ficar recitando os mantras irrefletidos de Orvalho de Cavalo. E depois sou eu que sou o paladino do argumento da autoridade..."

Onde o que fica claro é que: a) o que um diz não invalida o que o outro diz, são duas visões do mundo que podem conviver; e b) o que o Smart quer dizer, em seu estilo "conciso" (atenção: isso é irônia), é que a burocracia estatal PODE também funcionar e ajudar a economia.

Não há, nisso, incompatibilidade com o que Olavo de Carvalho diz.

E realmente o Smart está certo - até um ponto. A partir de certo momento, a burocracia estatal começará a colocar seus interesses acima dos interesses da sociedade. No fundo, o Smart também imagina um mundo ideal, onde a sociedade mantém sob vigilância a burocracia estatal, através da imprensa e de mecanismos políticos, e a burocracia estatal esteja sempre comprometida com os interesses da sociedade em geral antes dos seus próprios.

A segunda condição é um absurdo psicológico. A primeira ainda é possível, mas só por um curto período de tempo. Cedo ou tarde a burocracia estatal descobre como "driblar" a vigilância da sociedade, e aí passará a ser muito mais um peso morto para a sociedade carregar que um ao progresso econômico.

Posted by: Jorge Nobre at novembro 30, 2004 03:45 PM

Almirante,

Recentemente lasquei o apodo em meu próprio blog sem acusar prioridade alguma, por imaginar, que insolência, ser invenção minha. Ignorância da norma em geral dá cadeia, eu sei, mas eu desconhecia a precedência mesmo. Como sou fã de Juliano, o Apóstata, proponho tascar o copyleft nela, e pronto... :)

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 03:38 PM

Permitam-me adentrar este recinto de hipersensbilidade e de citações a notabilíssimos pensadores para frisar que o apodo "Orvalho de Cavalo" é de autoria do dr. P., do blog "Ócio e Ofício".
Atenção, Smart, para o copirráite!
:-)

Posted by: Nelson Moraes at novembro 30, 2004 03:12 PM

OC costuma utizar o argumento do xingamento.

A hipersensibilidade dos olavistas é, contudo, tocante. Vamos em frente, sim.

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 02:50 PM

Smart,

Você se refere a "argumento da autoridade" pela frase que postei do Olavo de Carvalho? Se, sim, não faz sentido, pois tratou-se de uma idéia a ser discutida, e não de um murro na mesa. Não me lembro de ter dito que fulano não sabe do que está falando, não? Ao passo que é o que você faz novamente, agora com o seu amigo de "mantras irrefletidos" Olavo de Carvalho.
Continuemos a discussão.

Abçs.

Posted by: Vinicius at novembro 30, 2004 02:20 PM

Senhores,

Gostei da linha de pensamento. Pelo menos foi desenvolvida espontaneamente. Mas posso abreviar-lhes bastante esses esforços; basta procurarem no Google o termo "public-choice theory" para encontrarem aquilo que estão procurando. Trata-se de uma escola de pensamento econômico, originalmente nascida como uma crítica ao Estado Regulador, que tenta introjetar os postulados do individualismo metodológico e da maximização da utilidade para criticar a idéia de "interesse público" a partir da constatação que o burocrata é, também ele, um maximizador de sua própria utilidade. Dando um passo além das críticas mais antigas segundo a qual a regulação nascia unicamente pra proteger certos setores da economia ("teoria da captura").

Em essência, o argumento é correto, no sentido de que ele deve ser levado em conta no design de qualquer agência governamental. O problema porém não é um problema sem solução: sempre há a possibilidade de criar estruturas de incentivo que alinhem o interesse do burocrata ao interesse da coletividade. Esse é o chamado problema do "agente principal", isto é, como fazer que um agente atue realmente de forma a atender o interesse do principal, e não é um problema endêmico do setor público - toda empresa onde há separação entre propriedade e administração, isto é, toda corporação moderna, tem que se haver com o mesmo problema, em menor escala, é claro. E como se não bastasse, também impacta fortemente até mesmo aquelas estruturas governamentais que os defensores liberais do Estado Mínimo aceitam - a polícia, o fisco, a justiça e os militares.

Mas gostei, vamos pelo bom caminho - um caminho melhor, IMHO, do que ficar recitando os mantras irrefletidos de Orvalho de Cavalo. E depois sou eu que sou o paladino do argumento da autoridade...

Posted by: smart shade of blue at novembro 30, 2004 01:19 PM

Verdade, Cláudio

Assim como é raro o empresário ideal, bonzinho, que ama de paixão a concorrência -- vide as guildas que o titio Adam tanto criticava, também o governo benévolo e abdicado é uma peça de ficção. Claro que há os abnegados dentro do governo, mas a experiência real mostra que são uma pequena parte. Pelo menos os resultados indicam isso. O governo é um parasita mais nocivo, a meu ver.

Vamos ouvir o Palofi na TV.

Posted by: Vinicius at novembro 30, 2004 12:12 PM

O problema é que

"O Estado finge amparar quem não tem a mínima condição de concorrer no mercado, evita a prática do liberalismo e, in extremis, impede que os concorrentes se comam vivos."

Claudio Olavete :-)

Posted by: Claudio at novembro 30, 2004 11:55 AM

"O Estado existe apenas para impedir que os concorrentes se comam vivos, para assegurar as condições logísticas da prática do liberalismo e para, last not least amparar in extremis quem não tenha a mínima condição de concorrer no mercado."

Olavo de Carvalho

Posted by: Vinicius at novembro 30, 2004 10:34 AM

houvesse, senhores...

Posted by: Adelice at novembro 30, 2004 08:30 AM

O grande problema da Varig é que ela não irá falir. Se tivesse a possibilidade de falir, assim como vários bancos e tantas outras empresas que ficam sendo bancadas pelo dinheiro público, em nome da manutenção dos empregos (balela), teríamos vôos regulares até de Campinas a Jundiaí. Se não ouvesse a intervenção estatal, que impede que outras empresas operem linhas regulares e concorram com os amigos do rei, teríamos sim preços mais baixos e serviços melhores.

Posted by: Adelice at novembro 30, 2004 08:08 AM

Paulo C. Barreto,

"não tenho nada contra uma empresa pertencer a seus acionistas e ser administrada por seus funcionários."

Não entendi: a esmagadora maioria das empresas obedece a esse esquema. O problema da Varig é justamente o de "pertencer a seus funcionários e ser administrada por seus acionistas"....

abçs

Posted by: smart shade of blue at novembro 29, 2004 06:48 PM

O problema da Varig não é "por quem" ela é gerenciada mas "como" ela é gerenciada, se é que podemos usar este termo para descrever o que ocorre por lá. Alguém disse uma vez que a Varig é uma estatal sem o TCU. Perfeita descrição.

Posted by: Claudio at novembro 29, 2004 06:34 PM

Grato, Leônidas. Parece que na Coréia do Norte o troço é "organizado" por famílias: cada uma toma conta de outras seis. E como aqui cabem economia, música e trocadilhos, veja quão profético foi também el Coma Andante, que tornou real o jeito de cantar aquela famosa rumba: "Quanta rameira".

"Não creio que quem possua um mínimo de capacidade de compreensão e que tenha lido o artigo “The Use of Knowledge in Society”, publicado em 1944 por Hayek, possa permanecer defendendo o intervencionismo governamental nas economias, mesmo quando essas agressões ao processo natural do mercado sejam conduzidas por boas intenções".
Continue lendo, mas não clique aqui, pois sou nulo em informática. Vá ao Mídia Sem Máscara e procure o ótimo artigo de Ubiratan Iório, que me parece a pá de cal definitiva para Celso Expropriado. Deveria valer para a morta-viva Sudene e a recém-nascida Hemobrás, entre outras mil.

Posted by: Grenadier at novembro 29, 2004 06:26 PM

Smart: Interessantes observações sobre Gol x Varig. Mas, em princípio, não tenho nada contra uma empresa pertencer a seus acionistas e ser administrada por seus funcionários. O Bradesco faz isso e dá certo. Em todo caso, se houvesse no Brasil um mercado de capitais forte, a Varig já teria se reestruturado sozinha há tempos, ou deletando a Fundação, ou forçando a Fundação a tomar jeito internamente.

Posted by: Paulo C. Barreto at novembro 29, 2004 06:19 PM

Abriu-se uma vaga com o passamento de Celso Roubado.
Alguém pode me explicar por que se elogia tanto alguém que teve a brilhante idéia de criar a sudene?

Posted by: César Miranda at novembro 29, 2004 05:54 PM

Aliás , segundo dizem, Cuba possui um polícia secreta para cada 28 habitantes.Deve ser essa ,no Brasil, a proporção de gente velando para que nada dê errado,ou melhor, certo.

Posted by: Leônidas at novembro 29, 2004 05:46 PM

Foi bom nos lembrar daquele seu comentário , Grenadier.É que agora os políticos usam sistema de turnos.Enquanto alguns dormem,outros vigiam para que não haja chance de algo dar certo por acaso.

Posted by: Leônidas at novembro 29, 2004 05:42 PM

Meu comentariozinho à primeira proposição ficou perdido lá embaixo, sem gráfico, sem tabela, sem luar, sem violão. Não sei que rumo a discussão tomará, mas mesmo não sendo especialista em nada, parto pra segunda (como o Grêmio...): Mises profetizou o desmoronamento da URSS já em 1922, justamente por causa da questão dos preços (Sorokin previu a mesma coisa em 1945, pela dispersão ou destruição da intelectualidade). Enquanto o Estado segurava os do pão e do bilhete de metrô, p. ex., por décadas, ia ficando cada vez mais carcomido. Na mesma edição de "Primeira Leitura" que recomenda o PTensão urbi et orbi, Robert Skidelsky, o biógrafo de Keynes diz que este não defendia a intervenção estatal. Se me for permitido um palpite à la livro de auto-ajuda, o mercado (confiante na intuição) é das mulheres, e o Estado (crente na razão) é dos homens. A terceira via...

Posted by: Grenadier at novembro 29, 2004 05:12 PM

Aaaaaah... Paul Wolffe...

Posted by: Jules, encantada at novembro 29, 2004 03:05 PM

Cláudio,

Se você trabalhou no setor aéreo, deve ter boas informações.

Ao que consta, o segredo da Gol foi apelar para o leasing operacional ao invés do financeiro, que no final sai mais caro - a Gol simplesmente não quer ter a tal opção de compra no final, e trabalha sempre com aviões novos, o que diminui seu custo de manutenção. Além disso, seu modelo de negócios privilegiou a padronização da frota, o que reduz em muito os custos de manutenção e melhora o poder de barganha da empresa junto ao agente do leasing. A Gol também é extremamente enxuta no que tange a pessoal (como sabe qualquer um que já encarou uma fila para viajar na empresa), e seu sistema de resevas é altamente automatizado.

Um problema grande da Varig é sua dívida e o fato de que seu controlador, a Fundação Rubem Berta, é de propriedade dos empregados, o que gera uma estrutura de incentivos especialmente perversa. Eu sou contra a qualquer solução para a Varig que não contemple o fim do seu controle pela Fundação.

Posted by: smart shade of blue at novembro 29, 2004 12:24 PM

HAHAHAHAHAHAHA!
Pode crer "Uriah Heep caboclo", cadê o Jagunço? Cadê você, Jaggie? Quero ver o circo pegar fogo.

Posted by: Guilherme at novembro 29, 2004 12:05 PM

"Uriah Heep caboclo"...
Diga-me, Paulo Wolffe, você tem blog? Quer um? A gente arruma em dois tempos... ;)

Posted by: Elton at novembro 29, 2004 11:15 AM

Ah, Jagunço Parnasiano!

Vi que armaste uma tocaia que saiu pela culatra, comuna!
Agora usas a tática terrorista de esperar os ânimos relaxarem pra voltar como se nada tivesse acontecido, assobiando pro alto. Pois então eu recordo, porque o comuna jura que o comunismo acabou. Neste momento é um serviço aos incréus:

"Sinto-me obrigado a registrar a felicidade de ler a explícita defesa de um postulado marxista nestas plagas. Encarar a venda de força de trabalho como transação mercantil strictu sensu é um dos axiomas do barbudo tão repelido.
[...]Dois pesos e duas medidas é conceito aceitável na ética aristotélico-tomista?"

A meninota fica de calcinha molhada ao entrever qualquer menção - ainda que fantasiosa - ao ídolo barbudo que lhe roça o pescoço. A besta quadrada ainda ironiza, registrando "felicidade", quando o máximo que conseguiu foi fazer papel de bobo. E bobo alegre. A soberba da ignorância.
Mas há o pior, muito mais grave, que passou batido, mas não pra mim: Artur, tu não sabes nem a diferença entre POSTULADO e AXIOMA, e vens criticar um suposto "dois pesos e duas medidas"? E ainda posas de defensor da ÉTICA, manchando o Santo nome do DOUTOR ANGÉLICO nessa tua boca de sapo! Essa foi demais, pra mim foi a gota d'água. Estou farto desse teu caráter dissimulado e insinuante, moleque safado. És o homem de LÍNGUA DOBRE dos Provérbios do Rei Salomão. O jagunço parnasiano (vulgo Artur) também tem um quê de Uriah Heep caboclo, o personagem de Dickens que é a própria encarnação da víbora medíocre. Solícito, fingido, educadinho, um conselheiro Acácio do Politburo, mau-caráter! Coube a um velho como eu o serviço de faxina contra patifes. Como diria o meu neto:

- CUZÃO!

APARECE, COMUNISTA! POR QUE SUMISTE, COVARDÃO?


PS: Cuidado, reparem que a dupla Smartur age em bando, Sabichão e Sabichona, uma tática comunista de expandir as possibilidades visando um mesmo fim. Mas eu conheço essa vigarice de longe. Desculpem-me os restantes, mas esses estróinas tem de ser desmascarados de uma vez por todas.

Posted by: Paul Wolffe at novembro 29, 2004 11:08 AM

Só uma observação de um ex-insider: a Varig também tem sua frota quase toda (na época em que eu trabalhava lá era a esmagadora maioria, hoje deve ser tudo) em leasing. Desde quando eu entrei na empresa em 86 ela recebia dinheiro do governo ou era agraciada com o monpólio de rotas lucrativas. Faltou caixa, aumenta o preço. As pesoas precisam viajar e os concorrentes são mantidos longe pelo governo. Como diz aquele apresentador: "É uma vergonha!"

Posted by: Claudio at novembro 29, 2004 08:23 AM

Não consigo responder agora.

Estou rolando no chão com as tiradas do Paulo Francis no Manhattan Connection.

Acho que Diogo Mainardi se suicida hoje.

Posted by: smart shade of blue at novembro 29, 2004 12:10 AM

Jorge, pensei em fazer uma paródia dessa pérola de Adelino Moreira. Minha canção diria assim:
"Sko-ol, aqui me tens de regresso". Não gosto muito de Bohêmia, não.
Smart, esses acordes do samba de Noel - uma obra-prima - estão todos fora do lugar, mas deu pra tocar. Noel é um gênio da melodia e da poesia.
MPB é minha única especialidade.

Posted by: César Miranda at novembro 29, 2004 12:00 AM

Hey César,

Você gosta de MPB?

De Noel Rosa?

Que tal esta:

C#7 F#m G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela

G#m7(b5)
Se existe alma, se há outra encarnação
C#7 F#m
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão

G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela

G#m7(b5)
Não quero flores, nem coroa com espinho
C#7 F#m
Só quero choro de flauta com violão e cavaquinho

G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela

G#m7(b5)
Estou contente, consolado por saber
C#7 F#m
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer

G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela

G#m7(b5)
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
C#7 F#m
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém

G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
G#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro, nem vela
C#7 G#m7(b5) C#7 F#m
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela

G#m7(b5)
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
C#7 F#m
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 11:17 PM

Cláudio,

O problema é justamente este: há situações reais em que novos entrantes não entrarão no mercado. O mercado que você está descrevendo é o chamado "mercado contestável", uma idéia do Baumol. Nesse caso, uma empresa, mesmo com grande poder de mercado e elevado market share tem que comportar-se, na prática, como uma empresa em regime de concorrência perfeita, pois, se ela elevar os preços, outras empresas entrarão no mercado. Hoje, sabe-se que essa tese é no mínimo muito otimista e não é regra geral. Por exemplo, basta que existam "sunk costs" elevados - os chamados custos irrecuperáveis, que um entrante não pode recuperar, para que o "mercado contestável" seja bem mais improvável.

O caso da Gol é muito interessante. A Gol tem um modelo de negócio enxuto, de baixo custo, e mais importante, lança mão do leasing para não aumentar muito seu custo de capital. Isto é, os aviões não são em geral comprados. Isso é possível também porque o mercado de leasing de aeronaves desenvolveu engenharias financeiras que tornam isto possível (houve grande consolidação no mercado de financiamento aeronáutico, e os grandes produtores têm podereosos braços de financiamento - tanto Boeing quanto Airbus). Empresas como a Gol surgiram em todo o mundo, na verdade, por força deste fenômeno. Com isso, as barreiras à entrada no mercado de linhas aéreas reduziu-se bastante - hoje, na verdade, a maior barreira à entrada é a proteção dada pelo DAC aos incumbentes, e este é um caso onde você tem toda razão na crítica à atuação estatal.

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 11:14 PM

Hey César,

Você gosta de MPB?

De Adelino Moreira?

Que tal esta:

A volta do boemio (samba-canção)
Adelino Moreira
A7 Dm Am Dm E7 Am

Am Dm
Boemia / Aqui me tens de regresso
E7 Dm Am C7 B7 E7
E suplicante te peço / A minha nova inscrição
Am G
Voltei, pra rever os amigos que um dia
F E7 F E7
Eu deixei a chorar de alegria / Me acompanha o meu violão
Am Dm
Boemia / Sabendo que andei distante
E7 Dm Am A7
Sei que essa gente falante / Vai agora ironizar
Dm Am
Ele voltou, o boemio voltou novamente
Dm E7 Am C7 B7 E7
Partiu daqui tão contente / Porque razão quer voltar

Posted by: Jorge Nobre at novembro 28, 2004 10:59 PM

"Por definição, uma empresa "com amplo domínio", isto é, com poder de mercado, é uma empresa que conseguiu, por algum expediente, um domínio em um mercado onde novos entrantes não estarão presentes."

Novos entrantes não estarão presentes enquanto a empresa estiver vendendo seu produto por um preço que os seus consumidores achem apropriado. A partir do momento em que a empresa resolver aumentar seu preço acima do patamar aceitável, uma parcela dos consumidores irá parar de consumir esses produtos (supondo uma demanda elástica do produto). Neste momento surgem brechas para outros fornecedores atuarem. Isto é se eles não forem impedidos pelo Estado.

Um bom exemplo é a Gol. Com os preços altos que as empresas aéreas praticavam, a Gol encontrou um nicho onde passou a atuar. Ironicamente foi o governo que interveio de forma a proteger os empresários ineficientes e prejudicar os consumidores.

Um outro exemplo de como o Estado em geral mais atrapalha do ajuda (devido à natureza política de suas decisões) é a Petrobras. Se não existisee a Petrobras a gasolina estaria mais barata? Provavelmente não, quem sabe? Mas pelo menos não estaríamos sustentando esse mastodonte e as mordomias dos seus funcionários.

Eu não tenho a menor ilusão de que um empresário que nem me conhece esteja preocupado com o meu bem-estar. Mas tampouco tenho esta ilusão em relação a um burocrata ou político.

Posted by: Claudio at novembro 28, 2004 08:17 PM

Neste caso, acho que estamos de acordo.

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 05:55 PM

Aloha, Smart. Bom, não sei qual o objetivo do Cesar, mas não li como argumento contra o Estado por si só. O livre mercado, que não é natural como as cataratas, só existe quando há condições. E aí entra o Estado ou deveria entrar.

Posted by: DGR at novembro 28, 2004 01:41 PM

Que fique claro: eu não acho que a interferência do Estado seja sempre benéfica. Sem dúvida a atuação estatal, principalmente no Brasil, contribui para distorcer o sistema de incentivos da economia, e o Estado brasileiro tem milhões de formas bem piores de fazê-lo do que a pobre da defesa da concorrência. Vide o "champion picking" até pouco tempo defendido pelo BNDES, por exemplo.

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 01:38 PM

Olá DGR,

Mas o objetivo de toda a série sempre me pareceu ser o de exaltar o livre mercado. A começar pelo título, não ?

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 01:34 PM

Agências de regulação, práticas de price cap, cálculos de ptf, busca de índices. A literatura das recentes privatizações no Brasil. Etc., etc. Até aí não vejo como o post do César argumenta contra a interferência estatal quando o objetivo desta, neste caso, é promover as condições de justiça (oportunidades, confiança, leis) para o funcionamento do capitalismo.

Posted by: DGR at novembro 28, 2004 01:23 PM

César,

Vou dar um exemplo claro.

Em certas indústrias, existe a tal situação de "monopólio natural". O termo descreve o fato de que nestas indústrias o custo é menor quando há apenas uma empresa oferecendo o serviço. Neste caso, uma intervenção governamental no sentido de quebrar o monopólio seria ou fisicamente impraticável ou socialmente ineficiente: imagine sua casa tendo mais de uma rede de esgoto para servi-la, ou mais de uma rede elétrica, ou mais de uma rede telefônica.

Se não houvesse intervenção governamental alguma, o que aconteceria é que esse monopolista colocaria seu preço em um nível que maximizaria seu lucro. Mas este preço, um preço elevado, só poderia ser pago por um certo número de pessoas. O que aconteceria seria que muito menos pessoas poderiam usufruir de abastecimento de água, de esgoto, luz elétrica e telefonia. Portanto, o governo regula essas tarifas de forma a estabelecer um patamar razoável de lucratividade para as empresas, mas que as faz atender um número maior de pessoas.

Até onde vai meu conhecimento, não existe país onde alguns desses serviços pelo menos não sejam objeto de algum tipo de regulação estatal.

Da mesma forma, mesmo em mercados onde não há monopólio natural, práticas monopolistas são combatidas na maior parte dos países (nos EUA, que praticamente inventaram o antitruste e a regulação, tudo isto é feito desde o sec XIX) - seja a questão dos cartéis, que é um crime contra a concorrência, seja a questão dos monopólios ineficientes ou que agridam o desenvolvimento dos mercados, por exemplo, monopólios que impedem a inovação.

Acho que isto estabelece uma clara demarcação. O mercado capitalista, acho que poucos hoje realmente contestam isso, é o arranjo social mais eficaz para trazer o progresso. Não obstante há limites para sua atuação. E de fato, a própria idéia de "mercado", como um dado da Natureza, é errônea, daí que é estranho falar em "mercado livre". Afinal, os mercados surgiram quando ficou claro que era melhor estabelecer regras de troca do que ir lá na casa do vizinho e pegar o que a gente quer. Então não se trata de uma questão "principial" como se mistifica; é uma questão muito prática de estabelecer a governança ótima de uma economia de mercado. "Lição de casa" que os paraísos do capitalismo mundial já fizeram há muito tempo, e aperfeiçoam constantemente.

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 12:00 PM

César,

O argumento da autoridade independe do sujeito ter se formado nisso ou naquilo, depende dele ter estudado o assunto. Eu, por exemplo, não sou economista por formação, embora tenha especialização na área. Não me lembro da questão com o André. Mas também não me lembro de ter discutido "genoma" por aqui; me lembro de em vários momentos ter discutido aspectos da teoria da evolução - e o conhecimento da abordagem evolucionista ainda não é pré-requisito para alguém ser médico. Aliás, no Brasil, parece que as reavaliações curriculares da Medicina têm se inclinado mais para conteúdos humanísticos (sociais e éticos) e práticos. Isto é natural, porque a abordagem evolucionária teria mais impacto não na prática cotidiana do profissional da medicina, mas sim na pesquisa de novos tratamentos. Não obstante, é claro que o André pode ter um interesse próprio nessas questões, ou mesmo treinamento específico em nível de pós-graduação. Como conheço meus limites, duvido que eu tenha me enredado em uma discussão realmente profissional do tema com ele.

Quanto à "aula de economia", vou fazer o seguinte: em breve farei um post no meu blog sobre os princípios gerais da concorrência perfeita, do oligopólio e do monopólio, e das implicações de políticas públicas disponíveis _ um crash course sobre os princípios gerais das estruturas de mercado. Farei isto lá porque lá posso colocar figuras e gráficos.

Rafael,

A rigor, é isso mesmo: na concorrência perfeita, NEM vendedor NEM comprador podem influir no preço. É que o César, em seu post, desconsidera o poder do vendedor; ele descreve uma situação onde o consumidor é quem comanda os preços, o que, teoricamente, equivale a um oligo ou monopsônio (que é o equivalente, do lado da demanda, ao oligo/monopólio do lado da oferta). Esta situação não é a mais comum e na verdade pressupõe poucos compradores, portanto, não pode nunca configurar uma situação real para "os consumidores" em geral, isto é, para o consumidor final, pessoa física.

A frase mais problemática foi a do Cláudio: "Mesmo quando há um amplo domínio de uma determinada empresa, ela tem que tomar muito cuidado ao determinar os preços dos seus produtos, senão vem um concorrente e vende mais barato". Por definição, uma empresa "com amplo domínio", isto é, com poder de mercado, é uma empresa que conseguiu, por algum expediente, um domínio em um mercado onde novos entrantes não estarão presentes. Uma fase da análise do poder de mercado, para fins de defesa da concorrência, é justamente a de averiguar as chamadas "barreiras à entrada", de modo a avaliar qual a probabilidade de "vir um concorrente e vender mais barato". Isso às vezes é possível e às vezes _ muitas vezes - não, isto é, as barreiras à entrada são muito altas.

É preciso esclarecer, também, que a teoria econômica moderna não considera o monopólio como intrinsecamente "mau". O monopólio, em alguns casos, pode ser justificável por razões de eficiência (em inglês, fala-se na "efficiency defense"). Em vários países, como os EUA e pasmem, também o Brasil, isto é levado em consideração na análise concorrencial.

Posted by: smart shade of blue at novembro 28, 2004 11:44 AM

Rafael, você tem razão. Relendo tudo, parece que concedi o argumento. Eu quis dizer que não vivemos uma economia do tipo laissez-faire e usei indevidamente o termo "mercado perfeito", fui na do Smart que usou o termo "concorrência perfeita". Sabemos que esse negócio de perfeito isto, perfeito aquilo não existe mesmo. Porém, o capitalismo mesmo imperfeito sem a intervenção ativa no mercado do governo funciona desse jeito aí que a série mostra. O Smart queira ou não.
Resumindo, onde escrevi "mercado perfeito" leia-se laissez-faire.

Posted by: César Miranda at novembro 28, 2004 11:12 AM

César,
acho que está havendo um mal-entendido aqui. O Smart está supondo que seu post depende da premissa da concorrência perfeita, mas isso não é verdade. Não entendo por que você, partindo de Mises (suponho), concede esse argumento. O modelo de concorrência perfeita não é nem compatível com o livre mercado de Mises.

(aliás, ao contrário do que o Smart diz, no modelo de concorrência perfeita nem os produtores nem os consumidores influenciam o preço)

Posted by: Rafael Caetano at novembro 28, 2004 07:17 AM

Smart, lembro-me de você julgando da mesma forma (que faz aqui com o Cláudio) o André de Oliveira em um assunto sobre genoma, algo assim. Acontece que André é médico. (e aliás, o André não usou esse fato como argumento, aliás de novo, acho que poucos sabem que o André é médico). Aguardamos demonstrações de seus argumentos. Claro que a caixa de comentários do Pró Tensão é lugar apropriado para uma aula de economia, por que não?

Posted by: César Miranda at novembro 28, 2004 01:07 AM

Cláudio e Guilherme,

Você pede uma demonstração. Eu poderia ir além do lenga-lenga e demonstrar formalmente que ao monopólio está em geral associada uma perda de bem-estar, mas infelizmente, o editor de texto do portal não me permite colocar aqui as equações e os gráficos que seriam necessários. E nem a caixa de comentários do Pró-Tensão é o lugar adequado para uma aula de economia.

Bem, qualquer bom livro texto de economia, ou por falar nisto, qualquer busca no Google, usando as palavras "monopoly" e "deadweight loss" mostrarão ao leitor de boa vontade, mesmo leigo, a veracidade daquilo que digo.

A tal "arrogância" talvez venha a se dissipar _ para quem tem boa vontade _ se eu desfizer um mal entendido: não estou pondo em questão ou dúvida a competência profissional de ninguém aqui. Imagino muitos frequentadores deste blog trabalhem na iniciativa privada, e sejam bastante profissionais e bons naquilo que fazem. Ocorre que as empresas onde vocês trabalham NÃO têm por objetivo PRESERVAR ou DEFENDER a concorrência (a caixa alta é por ênfase, na falta de um sublinhado...). Toda empresa digna desse nome deseja, isto sim, maximizar o seu lucro, mesmo que isto signifique eliminar a concorrência: esse é o motor do capitalismo, e é isso que o faz ser uma forma de organização econômica da sociedade melhor do que as outras. Se nesse embate entre empresas estivesse automaticamente assegurado que o regime concorrencial estaria permanentemente funcionando, realmente não seria necessário que o Estado pretendesse defender a concorrência. Como não é isto que acontece, é preciso que existam agências governamentais encarregadas de fazê-lo.

Finalmente, se eu ando "palpitando a torto e a direito" sobre outros assuntos que não a economia, é porque são assuntos que estudei e me sinto confortável para falar a respeito. Já nos assuntos onde reconheço minha ignorância ou amadorismo, obviamente me recolho. Por exemplo, jamais serei louco de tentar discutir literatura com o Alexandre Soares Silva, não se preocupem...

Entendam-me que quando falo em autoridade, e mérito, derivados do estudo mais aprofundado de um assunto, não quero dizer que o debate deve ser interditado. Apenas acho que as pessoas devem ser mais humildes e procurar entender mais do que estão falando, procurar se informar, ou mesmo buscar uma segunda opinião profissional.

abçs

Posted by: smart shade of blue at novembro 27, 2004 11:19 PM

Por falar no que o Vinícius disse, lendo o monumental Os Intelectuais de Paul Johnson, vê-se que quase tudo o que Marx escreveu foi chupado de alguém. Suas frases mais famosas, por exemplo, nenhuma são suas realmente. Pior que Marx em termos de caráter só mesmo Rousseau e Bertold Brecht.

Posted by: César Miranda at novembro 27, 2004 09:55 PM

Vinícius é rei.

Posted by: Jules at novembro 27, 2004 09:37 PM

Faço minhas as palavras do Guliherme.

Posted by: Cláudio at novembro 27, 2004 08:29 PM

Pois é, Smart

Você falou, falou bastante, falou muito, e não demonstrou absolutamente nada, a não ser uma promessa de cartão de visitas, na qual todos devemos acreditar. Por que você é o "único que REALMENTE trabalha pra promover um mercado de livre concorrência"? Isso parece uma arrogância tremenda. Além disso já vi você palpitando a torto e a direito, o dia inteiro, sobre assuntos totalmente fora da ciência econômica sem nunca lembrar que talvez não tivesse o mérito para isso. Mete o bedelho em tudo, mas não sobe nas tamancas. Estranho, estranho. O inferno são os outros, sempre!
Meritocracia na base do "sabe com quem você está falando"?

Posted by: Guilherme at novembro 27, 2004 08:08 PM

Hmmmmm.

Posted by: DGR at novembro 27, 2004 07:43 PM

César,

Em sendo este o caso, apresento minhas desculpas. Não, não me ocorreu perguntar nada ao administrador do portal, justamente devido a certos acontecimentos pretéritos que geraram minha desconfiança. Distrust builds overtime.

Cláudio,

Ué, mas é justamente isso. Por sequer saber quem sou, qual a minha produção intelectual e teórica na área, e por demonstrar total ignorância do moderno tratamento que a economia dá a estes temas, é que eu disse que você não sabe do que está falando. Mas isso não é uma ofensa, ora. Como disse, ninguém está obrigado a saber - mesmo quando tenta falar sobre o assunto.

Na verdade, algo que sempre me intrigou aqui no Wunderblogs (e entorno) é constatar que embora alguns dos seus participantes tanto se esmerem em desprezar certas características do povo brasileiro, nunca chegaram a criticar (que eu tenha visto)um traço cultural que reputo como um dos principais problemas da sociedade e da cultura brasileira, qual seja, o horror que desperta a meritocracia. O brasileiro despreza o mérito, a ponto de achar que naturalmente pode pontificar sobre qualquer coisa, independente de sua qualificação. E quando confrontado com o conhecimento acadêmico, sente-se ofendido, vilipendiado, atacado pessoalmente. O pior é que isto não é privilégio de fóruns de leigos como blogs, mas prática existente mesmo dentro do nosso aparelho acadêmico. Despreza-se o trabalho do pensamento, do estudo, do conhecimento de causa, em nome de uma pretensa igualdade que reside no "bom senso".

Eu, por exemplo, jamais ousaria discutir a sério a atividade de tradução com a Jules, ou música com o César (tive a impressão de que você entende de música, César), ou literatura com a maior parte dos WB´s. E no entanto, qualquer um pretende entender tudo sobre aspectos bastante específicos e áridos da ciência econômica, como a organização industrial e as políticas públicas dependentes desse conhecimento, como a defesa da concorrência. Não é mole não...

abçs

Posted by: smart shade of blue at novembro 27, 2004 06:53 PM

Mas "labour is a commodity" é uma sentença de Edmund Burke, muito antes de Marx chupinhá-la da "teoria da escassez". Burke não é exatamente um socialista. Daqui a pouco Marx vai ter inventado a roda, a bússola, o algodão doce, etc...

Posted by: Vinicius at novembro 27, 2004 12:44 AM

Falou e disse, César.

Posted by: Claudio at novembro 26, 2004 10:57 PM

Ótima provocação, Arthur. Não há dois pesos e duas medidas nenhuma. Primeiramente, ninguém – pelo menos eu – faz a defesa do capitalismo como se ele fosse perfeito e cura de todos os males da sociedade. O capitalismo apenas é a melhor forma que se encontrou de gerar riquezas. O capitalismo não promete nenhum paraíso a ninguém, ao contrário, o tempo todo afirmei aqui o quanto o capitalista deve se curvar às vontades de seu cliente tendo até que adivinhar-lhe os pensamentos (o patrão trabalha mais do que o empregado). Não há boa vida no capitalismo e ninguém é santo ali. Na prática, porém, quanto mais capitalista é uma sociedade, mais rica ela é. Quanto ao socialismo, você sabe como é, como foi (e certamente como será) na prática.

Posted by: César Miranda at novembro 26, 2004 10:48 PM

Sinto-me obrigado a registrar a felicidade de ler a explícita defesa de um postulado marxista nestas plagas. Encarar a venda de força de trabalho como transação mercantil strictu sensu é um dos axiomas do barbudo tão repelido.
Aproveito a oportunidade para por em pauta uma das incoerências que leio seguidamente nos sítios libertários/liberais: dão-se a si o direito de ter por paradigma um ideal - o tal do mercado perfeito - e são atacados por urticárias quando um socialista ou comunista recusa-se a ser lançado na vala comum do 'socialismo real', argumentando que o processo soviético foi uma distorção do que defendem.
Dois pesos e duas medidas é conceito aceitável na ética aristotélico-tomista?

Posted by: Artur at novembro 26, 2004 10:30 PM

Smart, não ocorre a você que o seu papel na minha declaração tenha sido outro? Se eu estivesse me dirigindo a você certamente eu o faria nominalmente. Sendo mais claro, eu acho que você é comprador e não vendedor da idéia de que "o Estado deve atuar para defender o consumidor, pobre coitado, da ganância dos empresários". Não se superestime, rapaz.
Quanto a eu não saber do que estou falando... ah, never mind.

Posted by: Claudio at novembro 26, 2004 10:08 PM

Smart, quanto aos "questionable contents" já lhe ocorreu perguntar ao Marcelo se ele resolveu "qualificar seu blog" ou o que realmente aconteceu?
Esse "aparentemente" seu passou muito longe.
Trata-se de um problema de nova versão do Movable Type que já foi consertado. Pára de chutar, ô!

Posted by: César Miranda at novembro 26, 2004 09:19 PM

Olha, Guilherme, de argumento ad hominem, o pessoal por aqui entende. Tanto assim que o Claudio disse que eu sou "aqueles que querem fazer as pessoas acreditarem que o Estado deve atuar para defender o consumidor, pobre coitado, da ganância dos empresários". Como se isso fosse uma idiotice. Por isso, eu disse que ele não sabe do que está falando, o que não chega a ser exatamente um ataque. É que ele não sabe mesmo, nem ninguém é obrigado a saber. Agora, em nenhum momento eu defendi a Petrobrás - afinal, eu sou contra os monopólios. Bobagem, entretanto, é acreditar que não existem monopólios e cartéis privados, quando todo ano os órgãos de defesa da concorrência desmontam vários deles.

Quanto a "sair de fininho", não foi o caso. Ocorre que aparentemente o administrador do postal resolveu qualificar meu blog como um lugar onde existem "questionable contents". Por conta desse tratamento pouco amigável, eu havia resolvido não mais escrever por aqui, mas não resisti.

Eu sou bastante resistente aos ataques ad hominem, sabe ?

Posted by: smart shade of blue at novembro 26, 2004 08:23 PM

O "argumentum ad hominem" também pode ser auto-indulgente. O Smart acabou de partir pra esse expediente erístico. Fora isso, mais um "argumentum ad hominem" depreciando o Cláudio. Num só comentário. Só ele sabe das coisas.
Quem trabalha no mercado não colabora pra sua eficiência. Até mesmo quem compete. Até parece.

Depois o Paul Wolffe aparece descendo o cacete e o Smart sai de fininho...

Posted by: Guilherme at novembro 26, 2004 07:38 PM

César,

Por acaso, de toda essa patota que frequenta vosso blog, o único que REALMENTE trabalha para que o mercado funcione de forma mais eficiente ou parecida com um mercado de concorrência perfeita sou eu. Creia-me, eu sei do que estou falando. O problema é, você e eu sabemos que isto é uma ficção, mas vossos leitores não entendem isso. Então eu venho e faço uma pequena advocacia da concorrência. Eu sou pago para isto... :)

Claudio,

Me desculpe mas você realmente não tem a mais leve idéia do que está falando.

Posted by: smart shade of blue at novembro 26, 2004 07:04 PM

Os sonhos dos poderosos são os pesadelos do povo. Na República Velha se dizia que o Brasil progredia enquanto os políticos dormiam. Agora, parece que nem assim.

Posted by: Grenadier at novembro 26, 2004 12:45 PM

Apenas em concorrência perfeita uma ova... Esta afirmação é muito usada por aqueles que querem fazer as pessoas acreditarem que o Estado deve atuar para defender o consumidor, pobre coitado, da ganância dos empresários. O consumidor só sifu quando o Estado cria monopólios (vide Petrobrás e os constantes aumentos da gasolina). Mesmo quando há um amplo domínio de uma determinada empresa, ela tem que tomar muito cuidado ao determinar os preços dos seus produtos, senão vem um concorrente e vende mais barato. Por causa dessa "proteção", aqui no Rio de Janeiro, estado com bacias petrolíferas pagamos mais caro pela gasolina do que os desprotegidos consumidores do Hawaii.

Posted by: Claudio at novembro 26, 2004 11:01 AM

Sim, Smart, pela enésima vez afirmo, esta série trata-se do tal mercado perfeito mesmo. Isto aí não é no Brasil não. Não custa nada, porém, cada um fazer sua parte para que esse mercado perfeito exista.
Adelice, eu também me viciei nisto aqui, infelizmente agora estou em uma clínica de recuperação para blogadictos. Volte sempre, de vez em quando darei uma escapada das mãos das enfermeiras.

Posted by: César Miranda at novembro 26, 2004 09:28 AM

"Não é o custo quem determina o preço, é o consumidor quem o faz."

Apenas em condições de concorrência perfeita, César, que, como dizem os manuais de economia, são a ínfima parcela dos mercados.

Posted by: smart shade of blue at novembro 26, 2004 09:16 AM

Estava com saudades dos teus textos, César. Você vicia a gente, agora tem que continuar fornecendo. Abraços.

Posted by: Adelice at novembro 26, 2004 09:03 AM
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