novembro 01, 2004

LAISSEZ-FAIRE VII

- Quando o Estado intervém e proíbe que consumidores adquiram certos produtos ou serviços (drogas, prostituição, jogo), um mercado paralelo, fora-da-lei, é automaticamente criado para atender ao soberano consumidor que QUER aquelas coisas. Quando o consumidor QUER alguma coisa, não adianta proibir, um empreendedor tratará de atendê-lo;
- As autoridades, no afã de proteger a saúde do corpo das pessoas, não percebem que qualquer legislação nesse sentido, lhes adoecerá a mente, pois em seguida virão leis que (na opinião dos políticos) lhes protegerão a alma, e teremos que ler, ouvir e ver apenas o que a legislação permitir.
- Errar é um direito que a liberdade nos dá;
- Quem é impedido do direito de errar é vítima do maior dos erros;
- A liberdade é um dos pressupostos do capitalismo; A escravidão é inerente ao socialismo.

Posted by César Miranda at novembro 1, 2004 06:46 PM
Comments

"Brasil vai copiar método de educação cubano

O governo brasileiro vai importar, diretamente da ditadura comunista de Cuba, o método de alfabetização de jovens e adultos que será usado a partir de 2005 no programa Brasil Alfabetizado. O ministro da Educação, Tarso Genro, assinou nesta semana o protocolo de intenções com o governo cubano, e vai comprar material didático da ilha.

A escolha pelo sistema cubano chegou a causar surpresa em técnicos da própria pasta. A doutora em lingüística Lucília Helena do Carmo Garcez, consultora do ministério em programa de incentivo à leitura infantil, avalia que pasta deveria investir em treinamento e o apoio aos professores. “Métodos nós temos todos no Brasil. O próprio MEC desenvolve programas nesse sentido. Temos especialistas renomados. O que falta são condições de trabalho adequadas para os professores.”

Segundo o secretário Ricardo Henriques, o método foi escolhido devido ao seu sucesso, tendo sido aplicado também na Venezuela, Nicarágua e no Haiti. No entanto, Henriques admitiu que não há registro de uso do sistema em países de língua portuguesa. “O que o método cubano tem de especial é que demonstrou muita eficiência em algumas experiências internacionais”. Serão selecionadas para um projeto piloto duas cidades do Piauí."

Publicado em 12.11 - 18h01. - www.diegocasagrande.com.br

É isso que obrigaremos nossas crianças receberem? Sucesso em países como Venezuela, Nicarágua e no Haiti (todos países muito mais desenvolvidos que o nosso, claro). Depois falam de inclusão. Coitado do Piauí.

Abraços

Posted by: Adelice at novembro 13, 2004 09:17 AM

Não vi onde o post defende a liberação das drogas, como alguns entenderam.

Posted by: Bernardo Só at novembro 8, 2004 06:11 PM

Quase, César, quase. ;)

Posted by: Jules at novembro 4, 2004 09:24 PM

Smart, adquira mesmo o Ensaio sobre a pobreza, a tradução, na opinião de J. O. de Meira Penna (e na minha também), é perfeita.

Posted by: César Miranda at novembro 4, 2004 09:24 PM

Jules, dear,

Vou catar o tal ensaio do Tocqueville. Mas de fato não me reportei às Poor Laws como o ó do borogodó em termos de soluções para a pobreza, quis dizer apenas que elas foram o início da caminhada. Na Inglaterra, elas nasceram, aliás, justamente quando a sociedade feudal esboroou-se de vez, e com ela, os monastérios e a caridade institucionalizada dos clérigos - um aviso para quem pretende que em uma sociedade como a nossa a mera caridade possa resolver todos os problemas.

Posted by: smart shade of blue at novembro 3, 2004 01:06 PM

Ok, ok. Mas é interessante o que o Tocqueville diz. As Poor Laws estão longe de ser exemplo de boa solução.

Posted by: Jules at novembro 3, 2004 12:41 PM

Bom, Vinícius, acho que podemos ter uma educação compulsória eficiente, sem temer que a sombra ameaçadora do Socialismo se infiltre em nossos corações. No país do Bush é assim. Aliás, suponho que assim seja em todo o mundo civilizado, por razões, como afirmei, estritamente de eficiência do funcionamento de uma economia capitalista. E olhe que eu nem falei em educação pública compulsória.

Posted by: smart shade of blue at novembro 3, 2004 12:23 PM

Perguntando:
A questão é a imposição da educação ou a eficácia da educação?
Podemos ter uma educação imposta e ineficiente, não?
No colégio me mandavam ler chatíssimas histórias infantis, indicadas pelo MEC (que comprava tal literatura aos montes). Ainda bem que eu tinha Malba Tahan em casa.

Tchau.

Posted by: Vinicius at novembro 3, 2004 11:21 AM

Pelo menos ficou claro que certas proposições conservadoras só são viáveis quando se faz o elogio da ignorância.

O engraçado é que essa é a mesma posição da esquerda. Em alguns fóruns que participo, onde a esquerda é dominante e eu sou a voz da "direita", é comum ouvir defesas do senso comum, a partir de um antiintelectualismo rampante.

Os dois lados se esquecem, porém, de que quando viceja o desprezo pela tecnicalidade, o populismo nada de braçadas. Por isso é que temos o país que temos.

Posted by: smart shade of blue at novembro 3, 2004 09:15 AM

Artur,

Boa questão a sua, em um primeiro momento me colocou em dúvida. O Estado deve regulamentar o que é senso comum. Ou seja, todos sabemos que se todo mundo fizer o que quiser no trânsito será impossível convivermos. Então, nós devemos impor as leis de trânsito para que possamos ter uma otimização.

É normal quando uma lei não reflete o senso comum, ser desobecida pela sociedade, em geral. Ela somente é seguida por coerção.

Então vocês me perguntarão: e se o senso comum disser que devemos educar as pessoas, não deveríamos então obrigar todo mundo a ir à escola?

A diferença é que o objeto da educação é a mente do homem. Ela deve e tem que ser livre, até porque é ela mesma que é formadora do senso comum. Portanto, ela é que define o que devemos fazer. Todo processo que tem por objeto "idéias", a mente do homem tem que ser livre. A imprensa tem que ser livre, a educação tem que ser livre, a arte tem que ser livre, mesmo que às vezes tenhamos que nos deparar com um cara louco tirando as calças no palco.

É difícil para quem estudou como nós admitir, mas se em um determinado momento, a educação formal estiver viciada, é possível que o alerta venha de alguém que está fora do sistema, e que somente por isso tenha a capacidade de perceber. Às vezes, até mesmo de uma pessoa que não tenha tanta educação quanto nós. O fato de uma pessoa não ter educação formal, não faz com que ela deixe de pensar. Ela ainda pensa e faz as mesmas perguntas que nós. Ela somente tem menos informação que nós e menos ferramental técnico. Mas às vezes é dessas pessoas que vem o alerta.

Ser um dicionário ambulante, cheio de informações não faz de uma pessoa, um sábio. Se o indivíduo não consegue fazer a síntese desta informação toda, tanto faz ter toda esta informação como não tê-la.

Espero ter esclarecido os motivos pelo qual não acredito na imposição.

Posted by: Adelice at novembro 3, 2004 07:59 AM

Cláudio,

Complicado seria fazer isso com adultos. Crianças são maleáveis. Se a escola for atraente, elas ficarão contentes em aprender. O maior problema dessas crianças não é não querer aprender, é ter que completar o orçamento familiar com seu trabalho.

abçs

Posted by: smart shade of blue at novembro 2, 2004 10:54 PM

Smart, você está partindo da premissa, errada ao meu ver, de que se o Estado forçar uma criança a ir para escola ela vai assimilar o que lhe for ensinado. A sua teoria funciona bem com vacinação pois a ação da vacina independe da vontade de quem está recebendo. Mesmo assim algumas pessoas tomam medicamentos que não são compatíveis com o álcool e depois vão tomar uma birita. Alguma responsabilidade sobre suas vidas as pessoas devem ter.

Acho que, num país como o Brasil, o Estado deve prover educação e saúde mas pegar as pessoas pelo braço e levá-las para as salas de aula ou para os postos de vacinação também já é demais.

Posted by: Claudio at novembro 2, 2004 10:51 PM

Boa noite a todos.
Em primeiro lugar, a manifestação de plena concordância com o César no tocante a descriminalização do uso de álcool, tabaco, drogas quaisquer e jogos de azar. Não compartilho do medo do advento de nenhum regime político ou modo de produção por conta disso.
Segundo: cuidado, cuidado mesmo, para que não se vá a criança com a água da bacia. Devemos também combater as medidas de saúde pública compulsória, só por serem fruto da ação estatal? Vale o mesmo para regras de trânsito ou para o estabelecimento do horário oficial? A existência ou ausência de determinadas regulações estatais devem, IMHO, ser atacadas ou defendidas à luz de sua eficácia o que, no caso de uma sociedade capitalista, significa dizer aquilo que maximize a reprodução do capital. E sociedades de baixo grau de educação formal, com parca compreensão de processos, com dificuldades de operação de sistemas de produção coletivos (como o de qqer empresa de mais de um empregado) são sociedades pouquíssimo propícias à otimização do acúmulo de riquezas.

Posted by: Artur at novembro 2, 2004 08:51 PM

Prezada(o)s,

Volto à carga, agora usando o ferramental do economista. Se tiver algum aí que me corrija.

Há várias outras boas razões para que o Estado imponha educação formal. Essas boas razões são inclusive uma necessidade do funcionamento de uma sociedade de massas capitalista.

Em primeiro lugar, há a questão da divisão do trabalho, e da estruturação as atividades humanas em torno de campos de conhecimento e ocupações relativamente bem definidas. Isto exige uma padronização dos conhecimentos, coisa que ficaria de pernas para o ar se fosse permitido a cada um inventar a formação que quisesse.

Em segundo lugar, o mercado de trabalho é um mercado imperfeito, por ser um mercado onde as assimetrias informacionais são enormes. Assim, um empregador nunca tem como saber ao certo as qualidades e conhecimentos de um empregado. A formação cumpre assim um papel de "sinalização", transmitindo ao empregador a informação de que aquele empregado está ao menos minimamente inteirado dos assuntos básicos da ocupação.

Finalmente, o "direito" de alguém não querer estudar é tão questionável quanto o "direito" de alguém não querer ser vacinado ou não querer fazer uma poupança para a velhice, pois este alguém se tornará um peso morto para os demais (no primeiro e no último caso, por incapacidade de sustentar-se; no segundo, por transformar-se em um perigo para a saúde pública). Daí a imposição destas coisas.

Posted by: smart shade of blue at novembro 2, 2004 08:20 PM

Concordo com a Adelice que em nada adianta o Estado forçar a matrícula de crianças. Isto só gera material para retórica populista barata que estamos acostumados por aqui onde comemora-se o número de crianças matriculadas, mas faz-se piadas com o quase-analfabetismo presente nas provas dos vestibulares. Para aquele que ajudou a montar ou apoia essa estrutura cruel, suas mãos estão limpas porque ele fez a sua parte e é sempre possível culpar o Estado pela criancinha que assalta no sinal, mas quando ele finge que não sabe que o Estado vende uma coisa e entrega outra, ele se torna cúmplice desse mesmo sistema.

Se a Adelice dissesse ser contra o fornecimento de educação pública eu discordaria pois a esmagadora parcela da população pobre não tem como custear sua educação (é um fato, temos que viver com isso). Entretanto, ela foi categórica em afirmar que é contra a IMPOSIÇÃO e nisso estou com ela. Se a pessoa não está convencida de que a educação é a única chance dela ter uma vida melhor não há nada que o MEC possa fazer quanto a isso, apenas torrar dinheiro.

Posted by: Cláudio at novembro 2, 2004 07:23 PM

Adelice,

Acho que certas discussões assumem rapidamente uma atmosfera bizarra por rodarem no abstrato. Eu acho que é até possível que na Suíça, onde os pimpolhos provavelmente têm mais educação em casa do que uma criança brasileira jamais terá em todos os seus anos de escola pública, a tal da liberdade de ir para a escola ou não seja uma possibilidade real. Em um país onde uma quantidade enorme de pessoas nem sequer tem assegurado o DIREITO básico a uma educação, essa discussão é absolutamente inútil, ou pior, até presta um desserviço à sociedade, principalmente quando se sabe que no Brasil anos de educação representam muitos e muitos pontos adicionais de renda. Ou seja, reclamar da imposição da educação pelo Estado, no Brasil, é algo fortemente regressivo - muito legal para um filho da burguesia com amplo acesso aos bens culturais da Humanidade, perverso para o moleque do morro que prefere mesmo ficar vendendo bala na praia.

Jules,

Acho bastante injusta esta sua observação. Já me recomendaram muito o que ler aqui. Aliás, conheço pouca gente tão pedante quanto alguns dos wunders e alguns de seus frequentadores. Isso, entretanto, não me abala, é um downside de se frequentar pessoas inteligentes. Considero sugestões de leitura um presente, para falar a verdade. Quanto ao que estamos discutindo, continuo achando certas sugestões por aqui anacrônicas, coisas de um tipo que me pareciam ter sido resolvidas pelo mundo civilizado pelo menos desde a guerra civil inglesa. Às vezes, tenho certeza de que ainda vai me aparecer pela frente alguém defendendo a restauração da Casa Imperial.

Posted by: smart shade of blue at novembro 2, 2004 04:21 PM

César, acho que está faltando um pouco de história nesse argumento. A liberação das drogas é um desejo histórico dos socialistas. Não basta a defesa abstrata de uma tese. É preciso considerá-la na prática, e, no momento atual, a liberação das drogas só contribuiria para a tomada do poder pelos socialistas, o que nos impediria de defender qualquer outra tese abstrata, seja a da liberação ou proibição de qualquer coisa. Um grande abraço.

Posted by: André at novembro 2, 2004 04:02 PM

Smart, já que você gosta de dizer para as pessoas estudarem isso e aquilo, imagino que não irá se melindrar se eu te indicar uma leitura: o Ensaio sobre a Pobreza, do Tocqueville, um "mémoir" curtinho que o tio Alexis escreveu depois de ser testemunha ocular de como funcionavam as Poor Laws lá na Inglaterra.

Posted by: Jules at novembro 2, 2004 10:19 AM

As criancinhas assaltando no sinal é muito mais fruto de uma educação deturpada que diz pra todo mundo que ele pode tudo e tem direitos e nenhum dever, do que pela falta dela. Eu não sou contra a educação, muito pelo contrário, claro que não. Eu sei que somente a educação pode libertar alguém, Até acho que o Estado deve prover para quem quiser. Mas impor, jamais.

Posted by: Adelice at novembro 2, 2004 10:15 AM

Aliás, Adelice, estude um pouco a história da Inglaterra, berço do liberalismo. A coisa começou por lá mesmo, com as leis dos pobres - quando os caras começaram a perceber que ou se fazia alguma coisa ou a casa caía.

Agora, se você acha que a solução para o problema da pobreza é a caridade espontânea dos bem-de-vida, prepare-se...

Posted by: smart shade of blue at novembro 2, 2004 08:34 AM

Tá, depois não reclama de ser assaltada no sinal, Adelice.

Posted by: smart shade of blue at novembro 2, 2004 08:31 AM

A consequência de ter gente indo para escola obrigatoriamente também é uma enganação. O professor acha que está ensinando e o cara finge que está aprendendo e o custo aumenta mais ainda, porque o assistencialismo continua sendo necessário.

Nada que o estado imponha é bom. O Estado deve servir ao que o homem precisa. O Estado não é Deus e não tem inteligência própria. Todo coletivo pensa pior que o indivíduo. Se eu não quero estudar, problema meu. Se você não quiser me ajudar depois disso, problema seu.

Ah, mas coitadas das criancinhas, filhas dos pais bêbados.

As criancinhas sempre tiveram e sempre terão solidariedade das pessoas. A solidariedade espontânea das pessoas só diminui depois que o Estado resolveu que era função dele ajudar e por isso quis cobrar pra isso. Agora todo mundo, feito Pilatos (pra não deixar de citar alguém na discussão) lava as mãos.

Posted by: Adelice at novembro 2, 2004 08:02 AM

Eu concordo em grande parte, mas aí mora um problema, que em economia se refere aos "bens de mérito". É uma tese controvertida, mas que acho que se aplica aos bens com externalidade negativa.

Por exemplo, é razoável que o Estado imponha educação universal e saúde preventiva universal (como vacinação), pois a consequencia de ter gente não indo para a escola ou não sendo vacinada é aumento de criminalidade e de epidemias, impondo custos sobre todos.

Posted by: smart shade of blue at novembro 2, 2004 07:25 AM

you bet.

Posted by: FDR at novembro 1, 2004 07:41 PM
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