- Quanto mais capitalista o país, mais rico seu “proletário”. Mais rico os patrões também. Mais rico todo mundo.
- Quanto maior a poupança, maior o desenvolvimento do país.
- Chama-se “economia de livre mercado” o verdadeiro responsável pelo milagre econômico.
- O dinheiro do Estado não é o dinheiro do povo. ERA do povo.
- “Liberdade econômica” é apenas um tipo de liberdade, mas sem ela, todas as outras não fazem sentido.
Smart,
Respeito sua opinião de que a liberalização dos países asiáticos seja hipotética, mas lamentavelmente discordo dela. E comigo o Heritage Foundation, com uma forte e positiva correlação entre liberdade econômica e riqueza.
O famigerado Lee Iacocca tecia loas ao protecionismo japonês do MITI; já a Dama-de-ferro visualizava o problema a longo prazo. Foi a economia de mercado o grande diferencial no desenvolvimento, capital humano, novos e diversos agentes econômicos: crescimento apesar do protecionismo e do dirigismo, não por causa dele.
Prometo ler o livro de Robert Wade. Comprei o do Ian Buruma que você recomendou e estou gostando bastante. Há algum tempo meu "Statecraft" de Miss Thatcher estava implorando pra ser lido, o que vem a calhar. Há um belo capítulo sobre os dragões asiáticos com a perspectiva do Adam Smith Institute, o think tank do coração da velha.
Daqui a pouco vão dizer que o sucesso da China se deve ao dirigismo e não ao mercado.
Abraços.
Posted by: Vinicius at outubro 19, 2004 09:44 PMVínícius,
Desculpe, mas a interpretação de que uma hipotética liberalização seja a causa do sucesso do capitalismo asiático é inteiramente errônea e a-histórica. O problema desse ponto de vista é o postulado de que só existe um capitalismo. O capitalismo asiático é dirigista. Às vezes dá com os burros n´água, como no caso de diversos projetos no Japão, mas o que importa é saber se ele na média é melhor ou pior do que o delírio do "laissez faire", que não existe de fato em lugar nenhum, nem nos EUA.
Aí pelo início dos anos 90 até ensaiou-se uma autocrítica, e veio o papo dos "valores confucianos" que animavam o capitalismo à moda oriental. O próprio Banco Mundial fez um histórico mea culpa em seu relatório de 93 (claro que sob a influência de Stiglitz).
Recomendo dar uma lida em uma pequena preciosidade intitulada "Governing the Markets", de Robert Wade, que explica bastante bem, sob lentes de microscópio, o que esteve e está em jogo no milagre dos Tigres.
abçs
Posted by: smart shade of blue at outubro 18, 2004 10:51 AMArtur,
Entendo a posição de Stglitz mas discordo dela.
Os tigres asiáticos aderiram à economia de mercado, mas Stiglitz foca o intervencionismo como o propulsor dessa mudança. Não, foi o decréscimo no intervencionismo, e uma maior flexibilização na economia. Ele diz por exemplo que a China tem um longo caminho a percorrer, e que os tigres trilham o caminho da liberalização, no entanto atribui a isso as causas da crise. Até Paul Krugman (que curte um intervencionismo) advertiu que a crise cambial era uma consequência de deficiências estruturais, não a causa da crise.
Stiglitz afirma que os governos, a contrapelo de Washington, focaram o problema da desigualdade, com o que discordo, já que o protecionismo às chaebols não é exemplo de igualitarismo.
E não se pode reduzir o mérito do mercado em retirar as pessoas da miséria e atribui-lo exclusivamente ao governo, pois foi justamente diminuindo sua participação na economia que isso foi possível.
Com um pouco mais de economia de mercado, os países asiáticos deram um salto semelhante ao milagre brasileiro -- considerado por Meira Penna uma oportunidade única de o país sair do buraco. Mas vieram Médici e Geisel e o intervencionismo atingiu níveis insuportáveis.
Stiglitz ainda afirma que o Consenso de Washington recomenda privatizações, mas os países da Ásia trilharam um caminho diferente.
No entanto, entre a medidas adotadas por Kim Dae Jung para reverter os efeitos da crise e modernização do país, a privatização ocupa um lugar de destaque. Houve liquidação de bancos, reforma tributária, maior flexibilização na burocracia, recuperação das exportações, etc.
Tudo isso para sedimentar uma das metas de Kim Dae Jung:
"Democracia com economia de mercado".
Os tigres asiáticos estão entre os primeiros lugares de países com índice de liberdade econômica do Heritage foundation. O Brasil está lá no fim, junto com os mais miseráveis.
Por fim, as observações de Stglitz reforçam o que disse sobre ele. Pode ser considerado um homem de esquerda na América. Um liberal, lá.
SSoB,
O Liszt é a principal influência do VP do BNDES, Darc Costa. Só li excertos dele, mas tenho dedicado algum tempo ao estudo dos asiáticos, pq creio haver ali fumaça de boa gestão.
Abraços.
Vinicius,
Dos vários textos que sugeri o Stiglitz é o único que, por coincidência, tenho à mão agora aqui em casa. Minha edição é de 2003, já com o posfácio escrito após a reação mundial às primeiras edições em 2002. Creio, portanto, representar quase que up-to-date o pensamento do autor (que, de resto, tenho acompanhado através de artigos e do site dele). Vou transcrever alguns trechos que, imagino, são autoexplicativos.
Ao César, que gentilmente cede o espaço, agradeço muito e recomendo que, caso ache muito chata ou sem sentido a conversa aqui em sua sala, sinta-se totalmente à vontade para apagar meus comentários.
Whether one calls it a miracle or not is beside the point: the increases in incomes and the reductions in poverty in East Asia over the last three decades has been unprecedent.
[...]
The combination of high savings rates, government investment in education and state-directed industrial policy all served to make the region an economic powerhouse. [...] the governments had devised a strategy that worked, a strategy that had but one item in common with the Washington Consensus policies – the importance of macrostability. [...] While the Wahington Consensus policies emphasized rapid financial and capital market liberalization, the East Asian countries liberalized only gradually – some of the most succesful, like China, still have a long way to go. While the Wahington Consensus policies emphasized privatization, government at national and local levels helped create efficient enterprises that played a key role in the success of several countries. In the Washington Consensus view, industrial policies, in which governments try to shape the future direction of the economy, are a mistake. But the East Asian governments took that as one of their central responsibilities. [...] While the Washington Consensus paid little attention to inequality, arguing implicitly or explicitly that the benefits would trickle down to the poor, the East Asian governments worked actively to reduce poverty and limit inequality, believing that such policies were important for maintaining social cohesion, which was necessary for a climate favorable for investment and growth.
[...]
But whereas in the early days of its transformation [from a poor to a developed country] [Korea] had tightly controlled its financial markets, under pressure from the United States it had reluctantly allowed its firms to borrow abroad. But by borrowing abroad, the firms exposed themselves to the vagaries of the international market: in late 1997 rumors flashed through Wall Street that Korea was in trouble. [...] Quickly the banks which such a short time earlier were so eager to lend money to Korean firms decide not to roll over their loans. When they all decided not to roll over their loans, their prophecy came through: Korea WAS in trouble.
[...]
I was in President Clinton’s Council of Economic Advisers in 1993 when South Korea’s trade relations with the United States came up for discussion. The negotiations included a host of minor issues – such as opening up South Korea’s markets to American sausages – and the important issue of financial and capital market liberalization. For three decades, Korea had enjoyed remarkable economic growth without significant international investment. Growth had come based on the nation’s own savings and on its own firms managed by its own people. It did not need Western funds and had demonstrated an alternative route for the importation of modern technology and market access.
[...]
... South Korea had carefully charted out a path of liberalization. This path was too slow for Wall Street, which saw profitable opportunities and did not want to wait. While Wall Streer defended the principles of free markets and a limited role for government, they were not above asking help from government to push their agenda for them. And as we shall see, the Treasury Department responded with force.
Leônidas,
Calma. Já concluí que comentários têm vida própria, quanto a isso, me parece que não adianta reclamar muito, e ainda assim não creio que tenhamos nos distanciado tanto assim da intenção do post do CM. Dizer que o Ocidente é invencível, assim, por dizer, me parece ato temerário, daqueles que costumam ser castigados por uma Nêmesis. O Ocidente pode ser defendido por uma pancada de motivos, antes de termos que apelar para um artigo de fé...
Artur,
Concordo com você. Em algum lugar por aí já comentei sobre a questão das variedades do capitalismo. Tem um livro interessante de um coreano (não me lembro o nome dele) chamado "Quicking the Ladder", que está sendo publicado em português, relativo a exatamente este fenômeno a que se referes, aliás diagnosticado pela primeira vez por um eocnomista alemão de nome Liszt, ainda no séc. XIX.
abçs
Posted by: smart shade of blue at outubro 16, 2004 05:42 PMBoa tarde, Artur
Stiglitz, que já ganhou o Nobel, foi aos poucos se afastando da idéia de que o estado é o mais eficaz na reforma do mercado após sua participação no governo Clinton. Ele advoga agora por uma maior eficiência do estado, cujas informações são deficientes. Stiglitz está mais pro "liberal" na América do que pro liberal aqui.
Tendo a discordar de que a crise dos anos 90 foi devido a um afastamento da fórmula vencedora. O que você chama de semiconversão ao receituário liberal foi o ajuste pra enfrentar a crise. Em 1997 as chaebols sugavam 15% de todo o crédito bancário sul-coreano -- o governo gastou o que não tinha. Kim Dae Jung deu o braço a torcer como FHC. A conta está sendo paga agora, pela população.
Não creio que o FMI seja uma instituição de receituário liberal, mas isso é outro papo.
IMHO.
Posted by: Vinicius at outubro 16, 2004 04:45 PMVinícius, boa tarde.
O progresso econômico e social conquistado pelos países do sudeste asiático - seja os de 'primeira geração' como Japão, Taiwan e Coréia, seja os de 'segunda', como Tailândia, Malásia e Indonésia – foi gestado sob premissas e ações que negam, na essência, os modelos de laissez-faire e desregulamentação. Processo, inclusive, com muitas identidades com o avanço do capitalismo nos EUA de 1870/1914 e na Alemanha pós-Bismarck. A crise do final dos anos mil novecentos e noventa, que inclusive atingiu de forma totalmente diferente cada um desses países, em função de condicionantes locais - e que foram mais ou menos potencializadas pelo alcance das desastradas intervenções do FMI em cada qual - foi uma crise muito mais desencadeada pelo afastamento desses países da fórmula vencedora que haviam adotado e por uma semiconversão ao receituário liberal, muitas vezes imposta como condicionante de acesso a mercados pelos países centrais. Poderia citar um enorme conjunto de dados empíricos que demonstram essa afirmação minha, mas lotar caixa de comentários dos outros não é de bom tom.
Contento-me em sugerir fontes interessantes para essa discussão: "The rise of 'The Rest'", de Alice Amsden; "The Developmental State", de Meredith Woo-Cummings; "Globalization and its discontents", de Joseph Stiglitz; "Growing out of the Plan", de Barry Naughton e "The Chastening", de Paul Blustein. Com o ‘caveat’ de que a nenhum deles se pode associar um mínimo de posições socialistas ou mesmo ‘de esquerda’. São todos abertos defensores do capitalismo.
Abraços.
Acho que essa discussão realmente saiu um pouco do espírito do post de César Miranda que deu origem a isso tudo .Aliás , quem saiu do caminho correto eu . Sinto muito .Pessoalmente , ainda acho que mesmo que o Brasil seja mais capitalista que a China , as atuais autoridades chinesas são muito mais capitalistas que as nossas . Estão muito mais interessadas no progresso material que as nossas.
Quanto à questão sobre o despertar da Ásia , acho que a História pode pegar os mais surpreendentes atalhos , mas só pode caminhar para a frente .Achar que os filhos de Gengis Khan terão novamente papel importante na História é crer na volta de Dom Sebastião.
"Mas me parece ser um ato de pura fé acreditar que a Ásia, que ora concentra a maioria da população mundial, ficará para sempre em estado de subordinação."-Smart
Bem , Smart , um tigre é mais forte que um homem .No entanto , quem está dentro da jaula e quem está fora ? Quem é o submisso : o tigre ou o domador? O Ocidente não é invulnerável , mas é invencível.
Mas Artur,
Até onde eu sei, Japão e Coréia estão pagando essa dívida. O primeiro está estagnado há dez anos, o segundo apertou o cinto devido aos US$ 50 bilhões de dívida das chaebols. Recorreram ao famigerado FMI.
"O governo não dá nada que antes não tenha tomado"
Bob Fields
"não acho que possamos dizer que os resultados chineses são melhores que os nossos"
"O fato de triunfar sobre o Brasil não significará que a China triunfará sobre o resto do Ocidente"
Leônidas, começamos divergindo sobre se a China é mais ou menos capitalista que o Brasil e terminamos com uma discussão sobre se a China triunfará sobre o Ocidente ou não.
Particularmente, acho que o Brasil está patinando há décadas, e o problema não é a "quantidade" de capitalismo mas sua qualidade.
Quanto à supremacia do Ocidente ou da Ásia, se você procurar ler alguns autores que lidam com a macrohistória, como o Jared Diamond, verá que todas as supremacias são passageiras, e que não parece realista esperar que a vantagem do Ocidente dure para sempre. Em particular eu acredito que a supremacia do Ocidente nos últimos, digamos, cinco séculos (um período de tempo relativamente curto) se deve aos efeitos multiplicadores da colonização de um continente inteiro, graças aos descobrimentos e à Escola de Sagres da tão vilipendiada Ibéria. Mas me parece ser um ato de pura fé acreditar que a Ásia, que ora concentra a maioria da população mundial, ficará para sempre em estado de subordinação. Eu acho que o pêndulo da História voltará a vibrar para o Oriente em muito pouco tempo (histórico), exceto pela ocorrência de acontecimentos imprevistos como epidemias, guerras, etc.
abraços
Posted by: smart shade of blue at outubro 16, 2004 12:02 PMQuinta-coluna da China? Uau! Não tardará em surgir por aqui a 'famosa denúncia' do financiamento de Clinton pelo PCC. E sugiro que se examine com muito mais cautela o processo econômico de toda a Ásia - com estado interventor, planejamento central, estímulo à formação de cartéis e monopólios, hiperconcentração empresarial (zaibatsu e chaebol, p. ex.), controle cambial, barreiras comerciais avantajadas - e, também, o quadro da agricultura chinesa atual (e seus mecanismos de propriedade) antes que muita bobagem seja dita.
Abraços a todos.
Smart , os líderes chineses são assim mesmo : sempre é cedo para avaliar a Democracia , nunca é cedo para liquidar estudantes inocentes que protestam contra a tirania . Já se esqueceu da Pra-ça da Paz Celestial ? E nem sempre as pessoas mais velhas são as mais ajuizadas (o mesmo vale para Civilizações) . Antes de tremermos diante da antiguidade da civilização deles , temos que nos certificar de que eles possuem uma Civilização . Não sei o que o senhor e os quinta colunas da China na imprensa viram no modelo chinês . O que eu vejo nessa antiga "Civilização"é um bando de bárbaros fingindo de civilizados .Pena que alguns civilizados caiam nesse truque.
Posted by: Leonidas at outubro 15, 2004 05:31 PMQualquer país enriquece mesmo quando se torna capitalista. Até a China.
Cadê a BiaBerna, hein?!
Hummm....uma história ótima sobre a questão da China "improvisar uma civilização".
Na comemoração dos 200 anos da Revolução Francesa, um dignitário chinês foi convidado pelo Mitterand a participar das comemorações. Lá pelas tantas, após um infindável desfile das pompas militares francesas, um repórter perguntou ao representante chinês o que ele achava da democracia. Ele respondeu que era muito cedo para opinar, ainda.
Bom, eu sou um democrata radical, mas devemos reconhecer que os caras têm perspectiva. Afinal, Leônidas, a China é uma das civilizações mais antigas da História universal, só isso.
abração
Posted by: smart shade of blue at outubro 15, 2004 03:25 PMOK, entramos no reino da mitologia, pois.
Abração !
Posted by: smart shade of blue at outubro 15, 2004 03:20 PMComo eu já disse , sou leigo em Economia e obviamente tudo que eu escrevo sobre o assunto tem valor apenas como palpite .
Quanto às relações comerciais entre Brasil e China , talvez o senhor tenha razão .E daí ? Um
modelo perdedor pode ser vencedor quando enfrenta um modelo ainda mais perdedor .O conflito entre esses dois refugos da História (o nosso modelo e o deles )provavelmente vai ser um interessantíssimo processo histórico ( embora dramático para as vítimas , é claro).
O fato de triunfar sobre o Brasil não significará que a China triunfará sobre o resto do Ocidente . Se o Ocidente souber administrar corretamente sua superioridade , ele continuará sendo invencível .Eles puderam improvisar em poucas décadas um Capitalismo torto lá deles , mas não podem improvisar em pouco tempo uma Civilização . Até prova em contrário , continua- rei acreditando na indiscutível superioridade
ocidental .
Cordiais abraços!
Posted by: Leônidas at outubro 15, 2004 02:53 PMah ! Mais um detalhezinho.
Apesar de toda a bateção de bumbo do atual governo sobre nossos êxitos exportadores _ de fato, uma conquista admirável sobre a inação criminosa e inapetente do governo anterior nesta área _ a verdade é que nossa balança comercial com a China está mostrando que estamos nos tornando uma economia auxiliar da deles, especializada na exportação de matérias primas e insumos, enquanto o comércio de lá pra cá e em sua maioria de produtos manufaturados. Se ninguém abrir o olho em muito pouco tempo seremos uma colônia chinesa. O problema com este tipo de coisa é que rapidamente cristalizam-se interesses que correm no sentido de perpetuar tais condições (interesses internos, eu digo: produtores de soja, que já conseguiram vencer a queda de braço com o governo para plantar soja transgênica de olho no mercado Chinês, por exemplo). A janela de oportunidade é frágil e está se fechando. Está na hora de rever os seus conceitos, Leônidas !
abração
Posted by: smart shade of blue at outubro 15, 2004 01:02 PMOi Leonidas,
Hummm.....que eu me lembre, nossa ditadura nos legou um endividamento monstruoso. Nada de parecido com a China atual, com saldos comerciais monstruosos e uma taxa de investimento admirável. Não que eu goste de todas as características do modelo, mas acho que negar o sucesso da China exige um esforço hercúleo da má vontade........
Os investimentos chineses em educação, por exemplo, são colossais. Dado que você tem uma população de um bilhão e trezentos milhões de pessoas, a lei dos grandes números nos faz concluir que em mais alguns anos seremos totalmente overwhelmed por aquele paizeco. Mas parece que ninguém anda preocupado com isso, inclusive, se trata de um modelo "perdedor"...
abração,
Posted by: smart shade of blue at outubro 15, 2004 12:57 PM" Em nenhum momento estou tentando disputar o fato de que é a modernização da China que está fazendo aquele país dar certo. "-Smart
O problema é : quem disse que a China está dando certo ? Como eu disse , o pouco avanço que a China experimentou até agora era natural depois da eliminação dos preconceitos contra o Capitalismo (os quais marcaram a Era Mao).É como existir um lugar onde há uma grande fome e muitas vacas , mas é proibido usá-las como alimento devido às imposições de um líder (motivos religiosos , por exemplo). Se um novo líder elimina esse preconceito , é natural que haja uma melhora no nível de vida ( o único entrave era o antigo sistema).Para conseguir novas melhoras , será necessário muito mais trabalho árduo.
Até onde eu sei , Olavo de Carvalho só defende a Redentora como mal menor ( em comparação com Prestes ,Cuba , etc.). O trecho que eu citei é parte de um discurso que ele fez no Clube Militar do Rio de Janeiro em 31 de Março de 1999 e é mais uma defesa do Regime Militar como improviso para salvar a Pátria do que defesa ideológica do Regime . Não creio que ele ache o Regime Militar liberal , mas como a opção era muito menos liberal ainda ele fez sua escolha .E eu não tentei fazer supor que a Ditadura Militar foi liberal (ainda não enlouqueci!), apenas quis mostrar que o Brasil daquela época conseguiu avanços proporcionalmente muito superiores aos da China e que portanto se as pessoas fazem tanta questão de endeusar uma ditadura ,já temos aqui uma a nossa disposição e genuinamente brasileira . Temos que valorizar o produto nacional .
Cordiais abraços
Leônidas,
Acho que está havendo um engano. Em nenhum momento estou tentando disputar o fato de que é a modernização da China que está fazendo aquele país dar certo. O que estou dizendo é que a China é muito menos liberal do que o Brasil. Trata-se de um país onde praticamente não existe um Poder Judiciário, só pra começar. O poder do Partido ainda é muito grande, e só há alguns anos o PCC começou a admitir empresários entre seus quadros.
Olavo de Carvalho seguramente havia bebido quando escreveu esta frase. Não o conheço tanto assim para saber se ele é um defensor da Redentora (ie, o Golpe Militar de 64) ou não, mas imaginava que não, já que o Brasil talvez nunca tenha sido tão pouco liberal como quando sob o jugo militar. Mas se ele acha que o governo militar era liberal, então ele é mais gagá do que eu supunha.
abçs
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 10:51 PM"Consta que a China tirou 400 milhões de pessoas da pobreza em 20 anos."-Smart
Que ela só tenha conseguido fazer isso depois de converter áreas inteiras ao Capitalismo (Zonas Especiais Econômicas ) não é surpresa nenhuma. Volto a afirmar : a China Capitalista cresce , a outra está condenada à miséria Aliás , esse período de 20 anos é praticamente o mesmo período que vai do estabelecimento da primeira Zona Econômica Especial até hoje , ou seja , desde à introdução do Capitalismo na China até hoje .Ponto para o Capitalismo . A China anterior à introdução do Capitalismo é a China destruída pelas besteiras de Mao e boa parte de sua pobreza devia-se apenas ao velho sistema .Uma vez eliminada a causa , essa pobreza é facilmente eliminada .Para melhorar mais os indicadores sociais , a China terá que exigir agora sacrifícios crudelíssimos de sua população .E mesmo assim , duvido que alcance os indicadores sociais da territorialmente insignificante Taiwan .
"Vamos ver: em 1964, o número de pessoas que viviam na miséria, que viviam com menos de um salário mínimo neste país era de sessenta por cento da população nacional. Quando terminou o regime militar, eram vinte e poucos por cento. Ou seja, esse regime que não tinha ideologia, que não tinha planos, que nem sabia o que haveria de fazer, conseguiu tirar da miséria quarenta por cento da população brasileira."-Olavo de Carvalho
Antes de tentar ser Taiwan , a China deveria tentar ser Brasil .
Posted by: Leonidas at outubro 14, 2004 08:15 PMLeonidas,
Consta que a China tirou 400 milhões de pessoas da pobreza em 20 anos. Cerca de 1/4 de sua população atual. Seria como se tivéssemos tirado 40 milhões de pessoas da pobreza, no Brasil, desde 84. É ruim, hein ?
Não estou fazendo a apologia do regime chinês, mas acho difícil querer comparar a China com o Brasil em matéria dos pressupostos capitalistas. Aliás, há, entre os economistas, uma sugestão de que talvez a ênfase nas "instituições corretas", postura adotada pelo Banco Mundial desde o chamado 2o. Consenso de Washington, não explica tudo, já que os países que mais vem crescendo _ Índia e China _ são os que mais desprezaram as receitas do Consenso. Na China, por exemplo, a propriedade privada foi reconhecida bem recentemente, a Justiça basicamente não existe e o câmbio é fixo. Enfim, em matéria das "instituições fundamentais do capitalismo", o Bananão dá de dez a zero na China, believe me.
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 06:37 PMVamos com calma ,Smart.Em primeiro lugar , é justamente a face capitalista da China que está prosperando :Hong Kong ,atração de investimentos , negação do velho furor igualitário da época de Mao , relativização do Marxismo ,etc.Ao contrário das autoridades brasileiras ( as quais acham que todos problemas brasileiros são culpa do Capitalismo) , as autoridades chinesas mergulharam sem culpas no Capitalismo ( um Capitalismo sob controle estatal , mas ainda assim Capitalismo ).E embora eu seja leigo em Economia e assuntos desse tipo , não acho que possamos dizer que os resultados chineses são melhores que os nossos.Na década de 60 , quando Sartre e outros diziam que a URSS iria alcançar e superar o Ocidente economicamente , militarmente e em feitos sociais , Suzzane Labin demonstrou que o Regime Soviético era muito inferior em eficiência ao Capitalismo Ocidental e que as "conquistas " do Socialismo tinham uma propor-ção custo/benefício selvagem demais para ser levada a sério .Acho que a atual "paixão" dos meios de comunicação , políticos e outros pelo "Modelo Chinês" é só uma mistura de falta de memória e falta de perspectiva histórica. Quanto ao PT, ele parece ter renunciado às aventuras ao estilo Fidel Castro , mas ele não simpatiza com o Capitalismo .Se não vai matar o Capitalismo , também não vai fazer nada por ele. E não adianta tentar fechar o caixão do Socialismo , a estupidez humana é imortal : ele ( o Socialismo) vai ressuscitar no terceiro dia .
Posted by: Leonidas at outubro 14, 2004 03:04 PMPois é. Eu divirjo.
A China é um bom exemplo de um país que está obtendo resultados MUITO melhores que o nosso, mas que, por quase qualquer métrica imaginável, é muito menos capitalista que o Bananão (we).
Também acho essa opinião sobre o que está acontecendo com o Brasil sob o PT está enganada. Quanto mais eu vejo o que acontece, mais me convenço de que o PT está pregando o último prego no caixão do socialismo brasileiro, se é que algum dia existiu um.
disclaimer: estou longe de ser petista ou simpatizante do socialismo.
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 01:22 AMFavor ignorar última linha do meu comentário anterior , fruto de um erro de digitação de um ser inferior (eu).Ao falar em centímetros ,eu estava pensando na China atual (que está absorvendo algumas características capitalistas).Um país ( o nosso) que está pensando seriamente em abandonar o pouco Capitalismo que conhece só pode ser medido em escala atômica (sem querer ofender os átomos).
Posted by: Leonidas at outubro 13, 2004 09:59 PMAntes que ele responda , respondo eu . Nos países civilizados , são usadas medidas extremamente precisas obtidas através de satélites e voôs espaciais tripulados ( o Capitalismo Americano é a única construção humana visível da Lua) .No caso do Brasil ,usa-se um microscópio eletrônico de última geração .
Quando o Capitalismo Brasileiro puder ser visto através desse microscópio , o Brasil será declarado país capitalista .Ainda falta muito .
sa-se uma régua com indicações em centímetro .
Posted by: Leonidas at outubro 13, 2004 09:51 PMô César, como é que se mede o "capitalismo" de um país ?
Posted by: smart shade of blue at outubro 13, 2004 07:42 PM