A maioria das pessoas do mundo reza para que o Bush Jr seja derrotado e o Kerry vença as eleições americanas. Pensam que assim o mundo será mais seguro, pensam que assim os terroristas cessarão seu terrorismo, como se eles tivessem começado sua matança covarde por causa do Bush Jr. Pensam que é possível agradar a um terrorista. Enquanto isto, Kerry sonha com uma guerra só sua. Aguardemos.
Posted by César Miranda at outubro 13, 2004 03:36 AMJá vi que nem Bush nem Kerry sabem fritar um ovo sem emporcalhar a coziha. Pelo jeito aprenderam a cozinhar lendo o livro de culinária da Marilena Chauí. Lastimavel.
Posted by: Silvio at outubro 15, 2004 04:22 PMNG, veja isto:
"The Duelfer report makes clear that much of the accumulated body of 12 years of our intelligence and that of our allies was wrong, and we must find out why and correct the flaws. … At a time of many threats in the world, the intelligence on which the president and members of Congress base their decisions must be better—and it will be."
Presidente Bush explicando porque ele fez uma guerra sem motivo aparente, em South Lawn, 7 de outubro de 2004.
Quanto às prioridades militares de Bush, é bastante conhecido que ele está fazendo duas coisas: aumentando os gastos militares de volta aos níveis da Guerra Fria enquanto ao mesmo tempo está paralisando a transformação da força militar americana em uma força mais ágil. Ele está recuperando vários programas da guerra fria (por exemplo, o Howitzer Cruzader), que são inúteis no novo contexto, e paralisando o esforço que foi feito no governo Clinton para remodelar a Força para o cenário pós-guerra fria (você sabia que vários dos armamentos usados na invasão do Iraque foram desenvolvidos no período Clinton ?). Mas isto tem uma explicação óbvia: Bush e seus amigos têm fortes conexões com a indústria de defesa, que precisa liquidar o ferro velho que foi desenvolvido até 1989, quando o muro caiu. Life is complex.
Posted by: smart shade of blue at outubro 15, 2004 04:14 PMMeus caros...
Em primieiríssimo lugar, acho que deveríamos dar a palavra ao FBI, CIA e Interpol: os taques de 11 de setembro vinham sendo planejados 3 anos antes de sua ocorrência.
Penso que isso nos diz bastante sobre a suposta influência da política externa do Bush (ou inexistência dela) na questão. A menos que Bin Laden tivesse algum interesse no Texas, não vejo qualquer relação.
Segundo ponto: se os amigos não se lembram, as eleições de 2.000 foram PRECEDIDAS pelo atentado ao US Cole...também pela Al Qaeda.
Finalmente, antes do 11 de setembro, o Bush estava reintegrando as tropas, diminuindo o contingente militar no exterior...
Posted by: Nariz Gelado at outubro 15, 2004 11:58 AMSmart, peço licença para pegar um gancho na sua fala: "Tanto é verdade que assim que a invasão do Iraque por Bush filho foi completada, os americanos moveram suas bases da Arábia Saudita para outros países do Golfo, além do próprio Iraque.Portanto o interregno de 8 anos que foi o governo Clinton, que você chama de débil, pode ser entendido como bem sucedido, tendo conseguido aplacar por bastante tempo os delírios dos fundamentalistas desde o evento original que lançou com força a Al Qaeda até o 11/9."
Este é o ângulo. E é assim que se diferencia o "ovo no banho-maria" de Clinton do "fritar o ovo microondas" (com a mão junto) do Burrush.
E mais, o 11/09 somente ocorreu por que o fundamentalismo e seu recrutamento foi recrudescido pelo abandono da diplomacia e do "banho-maria", qdo Burrush fez questão de tornar ostensiva a parceria com Israel e a movimentação de tropas na Arábia, Kwait e cia.
Não é fofoca, Smart. É uma analogia. Vou mandar, vou mandar.
Quanto ao blog, fazer não é o problema. O duro é manter o blog. Já fiz uma tentativa mas nem tenho coragem de publicar ainda, tão ruim ficou. Estou retomando. Um dia publico.
Posted by: Adelice at outubro 15, 2004 08:16 AMAdelice,
Puxa. Puxa. Puxa !
Queria saber da fofoca...manda pro meu e-mail !
smart.shade@gmail.com
Qto ao blog, se quiser um help, é só falar que eu te ajudo.
abçs
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 10:58 PMhummmmmmm.......dura cerviz.......vou pensar nisto...
NG, você está se enredando na tal teia da qual falei. A retórica do Grande Satã foi iniciada, ao que me lembre, na revolução islâmica do Irã. E o que havia no Irã antes disso ? Havia um ditador, o Xá Rheza Pahlevi, aboletado no poder pelas mãos dos EUA. Então, por outro ponto de vista, o fundamentalismo islâmico no Irã pode ser entendido também como uma forma de reação a uma imposição vinda de fora. Eu não conheço tanto assim a história do Irã, mas sei que o Irã era a Pérsia, não é um país árabe, e seu povo não tem fortes razões culturais ou históricas para abraçar uma versão especialmente virulenta e fanática do Islã a não ser porque esta bandeira se confundiu com a da libertação nacional.
Por outro lado, sua leitura do governo Clinton é viesada. Bush pai invadiu o Iraque pela primeira vez. O acontecimento que deu força à Al Qaeda foi, não a invasão do Iraque, porque Saddam era e é odiado pelos fundamentalistas, mas sim o apoio da Arábia Saudita às forças americanas e a posterior lotação de tropas e bases americanas em solo saudita, solo que para o Islã é sagrado - é a terra das duas cidades sacras, Meca e Medina. Tanto é verdade que assim que a invasão do Iraque por Bush filho foi completada, os americanos moveram suas bases da Arábia Saudita para outros países do Golfo, além do próprio Iraque.
Portanto o interregno de 8 anos que foi o governo Clinton, que você chama de débil, pode ser entendido como bem sucedido, tendo conseguido aplacar por bastante tempo os delírios dos fundamentalistas desde o evento original que lançou com força a Al Qaeda até o 11/9.
abçs
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 07:13 PMNariz Gelado, concordo com você.
Smart, não é apelação sentimentalista e emocional. É muito racional o que eu estou dizendo.
Ia te dar um exemplo legal, mas não vou fazê-lo porque iria mencionar celebridades brasileiras e ultimamente andam tirando sites do ar e não quero que o César seja prejudicado por comentários meus.
Quando criar vergonha e fazer meu blog, como você, escreverei lá.
Abraços cordiais
Posted by: Adelice at outubro 14, 2004 04:07 PMSmart, criatura de dura cerviz,
A "demonização dos terroristas" é resultado da dialética estabelecida pelos próprios - que há muito rotularam os EUA, enquanto representantes do capitalismo e democracia ocidentais, de "O Grande Satã". Você conhece esta velha retórica: é ela que sustenta a simpatia das esquerdas pelo radicalismo islâmico...Na verdade, por qualquer causa ou movimenteco que se oponha ao capitalismo.
O fato é que toda a sua argumentação revela um senso de superioridade em relação ao oriente islâmico. Como se eles fossem um "povo criança", em estágio ainda intermediário de evolução, e de quem devemos aceitar todas as malcriações sem revidar na mesma moeda.
E a triste verdade é que, na década de noventa, eles foram tratados exatamente assim. Clinton agiu como um diretor de escola, que tenta fazer dois pequenos brigões se entenderem. A ONU agiu como uma mãe condenscende - que impõem sanções e faz que não vê as escapadelas.
Mas eles são grandinhos. E sabem o que querem. E vão conseguir, se ninguém tratá-los de igual para igual.
No dia em que eu puder passear em Meca trajando o meu jeans - da mesma forma que uma muçulmana pode passear no Vaticano com seu véu - eu mudo de idéia.. Até lá, meu lema é "antes eles do que eu".
Adelice,
Eu não acho que os países islâmicos perseguirão a Al-Qaeda na boa fé. É claro que não. Eu acho que o caminho é justamente o dos EUA (e se possível, a UE também) forçarem a barra para que os países islâmicos o façam, usando toda forma de pressão diplomática e econômica.
Agora, a satanização do terrorista é o tipo da apelação sentimentalista que não resolve nada, pois bloqueia o agir racional sobre o problema. O cara que estava ameaçando as crianças em Beslan pode muito bem ter visto o massacre das crianças pelos mísseis russos em Grozny. Ficar pensando assim, nessa lógica do "terrorista subhumano", autoriza o mesmo pensamendo vindo do lado de lá, esborrachando na nossa cara, é um caminho sem volta, é um Abril Despedaçado.
Eu não estou falando em "convencer" os terroristas. Eu estou falando em usar a força sim, mas de modo mais inteligente. A atuação americana no Iraque é super macha, mas criou uma barafunda dos infernos, um cenário de guerra convencional onde os EUA não têm tanta superioridade real quanto faz supor o seu poderio high-tech, enfim, um atoleiro que faz mais por piorar a situação do que o contrário.
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 12:31 PMCésar,
Se o Burrush perder porque realizou uma guerra só sua (aliás já era uma guerra do pai dele), o Kerry pensará duas vezes em realizar tb uma guerra só dele.
A contrario sensu, se o Burrush vencer devido a sua guerra, isto poderá representar a pedra-de-toque para o surgimento de novos líderes cujas plataformas utilizadas para alcançar ou se manter no poder sejam todas baseadas em conflitos armados.
Concordo com o Smart, e ainda mais especialmente quando diz: "A invasão do Iraque, então, age: 1) aumentando a má vontade das ruas muçulmanas contra os americanos, potencialmente aumentando o recrutamento terrorista".
Quanto ao fritar o ovo no microondas, rapidinho e sem sujeira, acho mesmo que a proposta do Bush seria esta. Aliás, acho que o Bush não queria sujar nem prato, por isto, com sua peculiar inteligência, optou por fritar o ovo no microondas sobre a própria mão.
Esperar que os países islâmicos desmantelem a Al Qaeda, na base da conversa, é como acreditar em Papai Noel. O que os americanos fizeram durante anos? Não foi a diplomacia, a conversa? E o que eles receberam de volta? Esquece. Só se o deles estiver na reta que vão colaborar.
Se eles deveriam ter invadido ou não o Iraque e o que fazer com o pepino? Não sei.
Mas concordo com CM: impossível agradar a um terrorista e não é possível conversar com terrorista. Nós temos que ter em mente que pagaremos um preço caro para manter o nosso modo de vida e a nossa liberdade. Não tem jeito. A cada sequestro de estrangeiros, o país envolvido tem que dizer: não negociamos. Eu sei que é difícil. Vocês me perguntarão: e se fosse alguém da sua família? Eu respondo: iria desesperadamente pedir para o governo do meu país intervir, sair do Iraque, fazer qualquer coisa por ele. Mas este é o meu papel. Defender minha família. Mas não é o papel da nação como um todo. A nação tem que dizer não, porque eles não irão parar. São chantagistas, são baixos. São covardes. Felizmente, até o momento o Brasil não tem nada a ver com isso e espero que continue assim, porque nós já temos sementes de terrorismo internas que teremos que dar conta.
Não existe coragem, não existe nobreza, não existe nada de bom no terrorismo. É o tipo de gente mais baixa do mundo.
Ao ver as imagens do ataque na escola russa, você sente que nada, nada mesmo justifica o terrorismo. Não há pobreza, não há vida difícil, não há exploração, não há nada que justifique aquilo. Quem fez aquilo não é gente. Era, mas optou por se transformar em bicho. Porque não sei como alguém pode ver tanta criança daquele jeito e não ceder. Não ir embora. Não sentir comoção. Não dá para entender.
Posted by: Adelice at outubro 14, 2004 10:32 AMÓ, NG, não me provoca hein...
O Japão começou a ser um problema real não quando bombardeou Pearl Harbour mas quando derrotou os russos em 1905 (inclusive ajudando a despachar os Romanov para o meio do inferno). Não houve nada de rápido ali, a menos que estejamos falando de escalas geológicas de tempo.
Quanto à paz de espírito de NY e do resto do Homeland, até os alicerces do Pentágono sabem que nada garante que o próximo ataque não possa acontecer amanhã. É virtualmente impossível impedir que a Al Qaeda penetre nos EUA. Não digo que isso não possa acontecer em futuro próximo, mas demandaria medidas extremas que o povo americano dificilmente estará propenso a aceitar, a menos que o Pentágono cruze o Rubicão. Isto seria precisamente o caso se acontecesse algo como a explosão de uma arma nuclear tática em alguma grande cidade norteamericana. E também acho que é por isso mesmo que tal coisa ainda não aconteceu. Para seu governo, um número razoável de armas nucleares táticas desapareceram misteriosamente dos mal cuidados arsenais soviéticos durante os anos de balbúrdia na Rússia e nas repúblicas. Você consegue imaginar onde elas estão ?
Posted by: smart shade of blue at outubro 14, 2004 01:34 AMRapidinho: tá certo que, depois da visitinha do Enola Gay, o Japão levou alguns anos para entrar nos eixos ...mas virou uma belezinha.
Sem sujeira: mantendo os terroristas ocupados no Iraque, fazendo sujeita por lá, ao invés de emporcalhar New York.
NG,
Rapidinho ? Sem sujeira ??
Quantos anos ainda você acha que vai demorar a guerra no Iraque ? Quantos ainda morrerão, de todos os lados do conflito ? Como você define "rapidinho e sem sujeira" ??
Vou dar uma dica. A Al Qaeda está longe de uma vitória porque não conseguiu seu objetivo, que é reinstaurar o grande Califado do Norte da África ao Hindu Kush. Não conseguiu nem derrubar o governo da Arábia Saudita, ainda. Por outro lado, os americanos também estão longe de conseguir seu objetivo, que é desmantelar a Al Qaeda. Pelo contrário, enquanto estiverem no Iraque, centenas, talvez milhares, de jovens muçulmanos abraçarão a causa dos terroristas.
O segredo da guerra, para os americanos, e conseguir que os próprios países islâmicos desmantelem a Al Qaeda. Só suas forças de segurança e sua inteligência logrará isto. Este é um objetivo fora do alcance da CIA, esteja ela bem ou mal aparelhada.
A invasão do Iraque, então, age: 1) aumentando a má vontade das ruas muçulmanas contra os americanos, potencialmente aumentando o recrutamento terrorista; 2) como um aviso aos países muçulmanos de que os EUA falam sério.
Problema: os EUA falam sério, mas não podem, de fato, invadir qualquer outro país islâmico. Os EUA simplesmente não tem força para isso. A ameaça americana de intervenção militar, portanto, não tem credibilidade, embora a pressão econômica tenha.
Por isso é que a guerra do Iraque é inútil, e uma burrice, que atira no próprio pé dos americanos. Portanto, tanto Bush quanto Kerry não devem ser comparados quanto ao que farão quanto ao Iraque, mas sim quanto ao que farão para conseguir maior colaboração dos países islâmicos para a destruição da Al Qaeda. E eu acho que Bush já mostrou que não é muito capaz de falar essa linguagem. O problema é saber se o Kerry é.
Posted by: smart shade of blue at outubro 13, 2004 08:26 PMImpossível agradar a um terrorista.
Porem,há mais de uma forma para se fritar um ovo. O do Bush vai no microondas: rapidinho e sem sujeira. O do Kerry vai passar do ponto, pois estava no banho-maria desde o Clinton.
Mas fico 'absurdada' mesmo é de ver o senador falar de um maior aparelhamento da inteligência. Não foram os democratas que desmantelaram a CIA?
César,
Se você quer fritar um ovo, não há muitas formas criativas ou práticas de fazê-lo. Tanto Bush como Kerry têm poucas opções quanto à "guerra ao terror". Acredito que um Clinton não teria invadido o Iraque, mas dado que o Iraque foi invadido, tanto os Reps quanto os Dems têm pouquíssimas opções disponíveis. A guerra vai continuar; se Kerry ganhar, ele tem uma janela de oportunidade de algumas semanas ou meses para tentar uma opção diplomática junto aos países do Oriente Médio, mas não vai sair do Iraque de mãos abanando; se Bush ganhar, fica tudo na mesma.
Posted by: smart shade of blue at outubro 13, 2004 07:55 PMKerry só vai acabar com o terrorismo se ele conseguir oferecer 70 virgens peladinhas para cada terrorista do planeta!
Posted by: Silvio at outubro 13, 2004 07:33 PM