Os livros não valem muita coisa sozinhos. Livros são para serem lidos e comparados com a realidade. Se não bater, joga o livro fora. Então é assim, você pega seu aprendizado e joga a vida na cara dele, só daí pode surgir a sabedoria, mesmo que seja em forma de decepção. Por exemplo, um estudante da doutrina socialista que pegar os fatos da história e, honestamente (honestidade é pressuposto da sabedoria), sem ilusões, jogar na cara do seu aprendizado, vai ver que uma coisa não bate com a outra. Ele saiu mais sábio por causa da realidade e apesar do que “aprendeu” em Marx e companhia. Então faça o seguinte, não acredite só no que o livro diz. A realidade é que tem que concordar com o livro. Leia a obra completa de Aristóteles e então traga o que aprendeu para a vida, é dessa mistura que nasce a sabedoria. Se um dia destruirmos todos os livros já escritos, eles brotarão novamente da realidade.
Leia também o post Deus é realidade.
Posted by César Miranda at agosto 31, 2004 07:18 AMEu tenho medo da BiaBerna.
Posted by: Gustavo Nogy at setembro 1, 2004 05:51 PMPara César Miranda.
Além de encarar o livro como "ponto de apoio", há regrinhas (fáceis de memorizar), para que o leitor consiga dar conta de uma pilha de livros, sem se estressar. Se trata dos "direitos" que usufrui o leitor,no seu processo de leitura [*]:
01. Direito de não ler nada do livro.
02. Direito de pular parágrafos, páginas, capítulos.
03. Direito de não terminar o livro.
04. Direito de reler.
05. Direito de ler qualquer coisa.
06. Direito ao bovarismo. [**]
07. Direito de ler em qualquer lugar.
08. Direito de ler frase aqui frase ali e lá e acolá.
09. Direito de ler em voz alta.
10. direito de calar a respeito do lido.
[* "Como um romance", Daniel Pennac, Ed. Rocco/1993]
[** Bovarismo: "não é conceber-se o outro, mas carregar o outro"; é mais ou menos como carregar consigo os personagens lidos e, até fazer simulacros deles enquanto por aí]
Olha só, então se lembra! Sinceramente, não esperava.
Bom, volto nos próximos dias: novo nome ("Esqueçam tudo o que escrevi, oh!..."), visual novo e tal.
Tenho uma meia dúzia de textos preparados. Notinhas esparsas e irrelevantes.
Agradeço e deixo um abraço
Gustavo Nogy
Posted by: Gustavo Nogy at agosto 31, 2004 10:39 PMGustavo, avise aqui mesmo de sua volta. Claro que me lembro, com saudade, de seu blog (o ceu dos violentos, n'est pas?). Eis uma ótima notícia.
Posted by: César Miranda at agosto 31, 2004 10:30 PMCésar, estive pensando, mais ou menos seguindo sua linha de raciocínio (e me perdoe se não o estou fazendo com seu consentimento), que há teorias que podem ser estudadas retroativamente. Esclareço: depois de século e meio de doutrinas socialistas pelo mundo, depois de genocídios e fracassos econômicos retumbantes, depois, enfim, do estudo da história bruta, dos fatos brutos, praticamente não há mais necessidade de se estudar marxismo a sério. Um ano de estudo, ou menos, basta.
É mais ou menos isso aí. Estou voltando, talvez em alguns poucos dias, a escrever. Vou abrir um outro blog (se é que se lembra do anterior). Pretendo publicar um notinha sobre este assunto.
Abraço do
Gustavo Nogy
Posted by: Gustavo Nogy at agosto 31, 2004 09:18 PMÉ uma prova da burrice brasileira que tão poucas pessoas façam isso com Paulo Francis, Roberto Campos, Olavo de Carvalho, ou seja, comparar o que eles dizem com dados verificáveis e evoluir a partir desse confronto.
Posted by: Jorge Nobre at agosto 31, 2004 09:03 PMTe seguuuuuuuuuuuuuuura peão!
I) César Miranda: “... não acredite só no que o livro diz...”.
1. Ô psit... tá danado de ruim isso daí... nem sei por onde começar... a descer o sarrafo! É só isso que me ocorre de momento... moer os ossos do moleque!
2. Imaginar em tempos primordiais, época em que grupos de homens atacavam um mamute, no qual havia um custo para abater o bichão, que dava algo como dezenas de homens abatidos, alguns mortos e muitos feridos.
3. Nossos antepassados faziam variadas leituras: referente aos movimentos do bicho que se propunham matar e, cêrco, velocidade, reação, força, resistência, agonia, e “n” situações de perigo.
4. O tal de “livro” das leituras era em tempo real e, após desfechos, na aldeia o “livro” adquiria feições de relatos e aconselhamentos daqueles com-experiências para demais sem-experiências. Com o tempo os desenhos nas paredes das cavernas adquiriram características de “livro”. Outros “livros” se sucederam no transcorrer dos tempos: pedra, madeira, papiro, pergaminho, papel.
II) Quero colocar de que o livro está figurativamente tal como foi colocado por Arquimedes, o filósofo da antiga Grécia que “pedia um ponto de apoio e com ele levantaria o mundo...”.
1. O livro está caracterizável como o “ponto de apoio”. Na mesma característioca todos os meios de disponibilizar situações de fenômeno: filme, fotografia, representação teatral, eventos diversos.
2. Considerar o indivíduo no estádio de Atenas, inicialmente a acompanhar eventos pelo telão e, após presenciar os eventos que se sucedem na arena. Dá para –com alguma força de vontade-, caracterizar-se de “livrão”, isso daí. Não importa o meio de leitura, seja livro ou “livro”, o que há de comum está que serve de “ponto de apoio”.
3. “Ponto de apoio” com sentidos tão variados quanto as situações imagináveis.
Na fase miúda, adulto lê pra o adormecer: ponto de apoio. Na fase pré-escolar, a criança lê para acelerar alfabetização: ponto de. No Ensino Fundamental ao Superior, ler para aprender e prestar prova: ponto de. Na fase pré adolescência ler livros preferidos pró fantasias na mente: ponto. Na adolescência ler livros maliciosos pró elocubrações na mente: ponto.
E assim por diante, a vida inteira, leitura vista como ponto de apoio para algum objetivo em mente.
III) CM: “...A realidade é que tem que concordar com o livro...”.
1. Isso daí tá ruim de esfolar! Duvido... dê ú vê í dê ó... duvido que algum livro se apresente com a pretensão de bater com a realidade. Vou até repetir para não deixar dúvidas: nunca de nunca!
2. Ocorre que todo evento humano após o efetivo transcorrer, só permite elaborar versões a respeito, pois o fato em si -tal e qual (ipsis litteris)-, já era, nunca mais, bye-bye...
3. Certamente que estão “versões da realidade”, todos os livros didáticos-descritivos, por mais completos-precisos que tentam sido elaborados.
4. Enquanto interpretar o livro como um ponto de apoio para objetividades reais, aí sim a coisa funciona. O dicionário recebe o amigável apelido de amansa-burro, devido ao “apoio” dado.
5. A leitura pelos variados veículos intelectuais, está o modo das gerações se sucederem sem hiatos, ou seja a geração nova se apoiar nas gerações anteriores.
6. Oquêi?
Flávio, acho que ele já está cozinhando o galo.
Posted by: Bernardo Só at agosto 31, 2004 11:20 AMFalando em galo, como está a saga inconclusa do galo?
Posted by: O!/\@|£ at agosto 31, 2004 11:06 AMComo diz Millôr:
“ Intelectual é o sujeito capaz de chamar a galinha em meia dúzia de línguas diferentes, mas que pensa que o galo é quem põe o ovo”
Perfeito!
Eu chamo aqueles que lêem apenas para acumularem citações e que não confrontam sua leitura com a realidade que os cerca de "erudiotas".