“ Enjoadíssima doença, conservarmos a saúde a custa de uma dieta rigorosa”. Duc de la Rochefoucauld (1613-1680) align="right">
Algumas igrejas protestantes se comportam como um tipo de macrobióticos da fé. A macrobiótica é ideal para pessoas não muito sadias e apenas durante o tempo em que estiverem meio adoentadas. Alguém saudável também pode levar uma vida macrobiótica (por falar nisto, misturando os assuntos de vez, há alguns protestantes que defendem literalmente o vegetarianismo) e acreditar que isto é bom para sua saúde, mas está apenas se alimentando como um convalescente. A morte é muito original, há milhares de formas de se morrer jovem e em perfeita saúde, por isto não é sensato deixar de comer e beber o que acha gostoso, por exemplo, e levar uma vida aborrecida só para viver demais, porque de repente, vem um carro na contramão e pimba, manda sua vontade de viver demais pelos ares. Já fui quase macrobiótico, mudei minha alimentação para consumir menos calorias e cortei de minha alimentação a carne vermelha durante mais de dez anos. Já freqüentei igreja protestante também e tenho muitos amigos que o são. Jamais entendi por que as meninas não podiam usar baton (nem os meninos, por falar nisto), nem beber cerveja ou vinho ou ir ao cinema. Isto não é cristianismo, é puritanismo (há alguns textos ótimos do Júlio Lemos sobre o assunto). O puritanismo é uma seita protestante, cujos tiques pegaram os moralistas em geral. Muitos desconhecedores da Igreja Católica confundem a religião com o puritanismo. Já ouvi muita gente dizendo bobagens do tipo “a religião é opressora, impede a gente de fazer o que quer o que gosta etc”. Cortar o álcool radicalmente é aconselhável a um alcoólatra. Você pode até ver uma coisa como sua inimiga se sua relação com essa coisa chegou a uma situação limite, mas a mesma coisa não pode ser considerada inimiga de todos. Trata-se, no seu caso, de uma relação não sadia, situação que justifica uma abordagem macrobiótica. Se você é saudável, não seja macrobiótico por causa de sua saúde (arranje outra desculpa, do tipo, “não como carne porque não quero, vê se não enche!”), nem saia por aí dizendo que carne “faz mal”, isto é o mesmo que dizer que quem vai aos bares passará a eternidade no inferno, como se não houvesse gente que não sai de igrejas e vai para o inferno também.
ps – um apêndice ao post, só para dizer que muitas igrejas protestantes exigem de seus fiéis comportamentos que mais parece do exército com seus recrutas. Jesus tinha cabelo grande e bebia vinho e isto é terminantemente proibido a milhões de jovens que querem se parecer com um cristão. Dá para entender?
Posted by César Miranda at julho 22, 2004 07:17 AMDeus fez a arvore do bem e do mal Yin e o Yang .
Deus habita nas trevas e na luz diz a bíblia .
Neste caso a alimentação macrobiótica tem algum amparo bíblico , concordo que o doente precisa da macrobiótica independente de ser cristão ,pois os que vão às igrejas sáo doentes que precisam de alimento espiritual macrobiótico.
César, não sei se vc já sabe, mas a matéria sobre os Wunderblogs e o livro está em um link no site do programa vitrine, da tv cultura.
Algumas identificações estão realmente trocadas.
Posted by: ADRILLES JORGE at julho 22, 2004 08:36 PMTem uma menina lá na faculdade que gosta de dançar, de paquerar, é vaidosa de não sair de casa sem batom e freqüenta igreja. Já vi mais de uma vez algumas pessoas exclamarem diante da última informação: "Sério? Não podia imaginar!"
Posted by: Clarice at julho 22, 2004 05:50 PMe são, por isso, consideradas igrejas "mortas" pelos pentecostais. Aliás, a que se deve o fascinio das igrejas pentecostais em reviver o cristianismo primitivo (Ou pelo menos o que eles pensam ser o cristianismo dos primeiros anos)?
Posted by: cezar at julho 22, 2004 03:31 PMDeixa um agnóstico aqui então dar um pitaco. Me pareceu que o César abordou, no post, as facções de viés mais - digamos - fundamentalista entre os protestantes. A proibição do corte de cabelo e a intransigência quanto ao consumo de álcool são preceitos de igrejas pentencostais. Como o Marco Aurélio bem lembrou, outras vertentes do luteranismo - fiquemos com os batistas e os metodistas, e.g. - investem bastante no livre arbítrio dos fiéis. Mas reitero: é pitaco de quem está de fora.
Posted by: Nelson Moraes at julho 22, 2004 02:57 PMHenrique, engraçado você citar exatamente a mesma passagem na qual eu estava pensando, "tudo me é lícito mas nem tudo me convém". Pensava em outra do véio Paulo também: "Examinai tudo. Retende o bem". Essas duas premissas me foram marteladas na cabeça por um pastor Batista. Ele fazia questão da liberdade absoluta dos fiéis, portanto não foi falta de liberdade o que me afastou da igreja. Não sei se é uma exceção entre as igrejas protestantes, não andava pulando de igreja em igreja para saber.
Posted by: Marco Aurélio at julho 22, 2004 12:50 PMCésar,
É sempre uma alegria lê-lo. O post traduz exatamente o que penso sobre o assunto. A negação do "tudo me é lícito mas nem tudo me convém" foi a razão principal do meu afastamento da igreja protestante freqüentada pela minha família. A liberdade e o livre arbítrio são defendidos formalmente mas, na prática, há uma série rígida de regras não escritas que buscam anular toda individualidade. Vive-se um clima de patrulhamento e controle do diferente pela vergonha. Em suma, Deus é deixado de lado para discutir o comprimento do cabelo de Fulana/o.
Um forte abraço.
P.S. Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente no lançamento do livro aqui em São Paulo.
Posted by: Henrique at julho 22, 2004 12:06 PMCésar,
Muito bom, o texto. O interessante é que, no meio protestante, nem todas as regras de conduta do estão expressas em um tipo de estatuto. Isso causa o problema das derivações de derivações de regras, que não estão expressas, mas são exigidas na prática.
A política é: "As pessoas não podem decidir por si mesmas, são incapazes, é melhor previnir do que remediar, façamos exigências e mais exigências." Assim o que seria apenas "não é aconselhável" torna-se "proibido". Esse tipo de comportamento é um insulto a inteligência das pessoas.
Digo isso, assim como você, com conhecimento de causa.
[]s
Posted by: Luciano L. Chaves at julho 22, 2004 09:33 AMCésar, já o disse lá na Meg e reitero aqui.
Shame, shame on me, que só muito depois fui ler sua entrevista - onde meu modesto nome aparece citado como "autor publicável", graças a prováveis cinco segundos de sandice que te acometeram, assim como ao Ruy (Marcelo de Polli, interna esses caras! :-))) ). Eu havia salvo as demais entrevistas, para as quais a Meg tinha posto link, e as leria quando tivesse um tempinho aqui na agência - coisa que só fui conseguir ontem à noite.
Mais uma vez, me desculpe pela omissão. A culpa é da propaganda: ela é a alma do negócio porque rouba a alma e o tempo dos publicitários. :-))
Grande abraço.
Posted by: Nelson Moraes at julho 22, 2004 09:18 AMO filho do pastor, cabeludo, vadio e beberrão, faria 18 anos em um mês. Perguntou ao pai:
-Ô véio, qual é o carro que cê vai me dar?
-Nenhum, enquanto você não ler a Bíblia, parar de beber e cortar o cabelo.
O rapaz leu a Bíblia inteira, parou de beber, mas teve dó do cabelo. Aí falou com o pai:
-E o carro, pai?
-E o cabelo, garoto?
-Mas pai, Jesus, Davi, Sansão, esses todos tinham cabelo grande!
-E todos eles andavam a pé, veja você.
Caro César,
É mais ou menos o caso do carinha aquele dos Titãs (titãs?) que morreu atropelado enquanto fazia cooper.
Melhor aproveitar o que a vida tem de bom.
Abraços.
Posted by: Francisco at julho 22, 2004 08:48 AM