Um cantor brasileiro que gravou algum LP na década de 70, hoje sonha com a digitalização de seu trabalho, para que se eternize. Eu e todos os Wunders estamos muito felizes com a realização de um sonho que é justamente o inverso do sonho do cantor. Nós temos tudo o que escrevemos digitalizados, nos blogues (é assim agora – blogue) e nós sonhamos, trabalhamos e realizamos um livro, o que era justamente o de tornar analógico, o digital. Livro não enguiça como diz o Millôr, mas livro dá traça, cupim, livro amassa, livro queima, livro molha, livro se empresta e não se devolve, livro encalha (batamos na madeira!). No entanto, as editoras brasileiras recebem todo ano dezenas de milhares de originais. Originais que poderiam gratuitamente estar eternizados digitalmente na internet e à disposição de todos. Mas isto é pouco para quem escreve. Somos conservadores nesse particular. Queremos nosso nome impresso em um livro e que este vá para a estante de alguém porque é bonito. Só por isto. Um livro em uma estante é bonito. É como o mar quando quebra na praia, da canção de Caymmi. Nos países ricos também há essa volta ao analógico. Alguns cantores pedem às gravadoras que imprima seu CD em formato de LP. Eis o fascínio da impressão tão óbvia no livro, mas que é impressão do mesmo jeito em um LP, pois o formato da capa de um CD é muito sem graça e LP é mais antigo, mais tradicional e é analógico. Muitas coisas antigas, como o LP e as músicas de carnaval, eram mais bonitas que seus substitutos hodiernos. No futuro, quiçá, a grande conquista será justamente termos nossos textos digitalizados e gravados em áudio e empacotados em uma bela caixa em formato de livro. E guardado na estante, bonito, bonito.
ps - é bom que se lembre que nas cidades onde há FNAC (Brasília, Rio e São Paulo) o wunderlivro está 20% mais barato.
pps - nas lojas pela internet, além da Livraria Cultura, vendem o livro também o ShopTime (onde pode ser comprado em 12 vezes sem juros) e a Livraria Saraiva. No Submarino já baixaram o preço.
Posted by César Miranda at julho 18, 2004 09:44 AMEu já pensei nisso aí uma vez, sem palavras. Parabéns.
12x sem juros? hummm.
César,
Belo ensaio sobre o analógico feito a dedo!
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as!
Abraços,