Vou explicar este post aqui ( para não magoar ninguém, tenho pessoas muito próximas de mim que freqüentam a Renovação Carismática, inclusive minha mãe). Mas não vou falar da Igreja, vou falar só do samba. Noel já fez letra para um samba de Vadico chamado “Feitio de Oração” e Vinícius de Moraes, aproveitando a deixa, disse que um bom samba é uma forma de oração. Dito isto, não precisaria mais dizer nada, mas direi. Não só o grande samba, mas a grande música em geral é triste. A música alegre tem grandes momentos aqui e ali, em Mozart, em Bach, e só. De resto, quase toda grande música é triste. O carnaval é justamente a esculhambação da tristeza do samba. Um dia desses sugeri o mais recente CD de Moacyr Luz, onde, eu dizia, “Lindos sambas melancólicos, plenos de uma tristeza que a grande música deve ter...” (reitero a indicação, veja aqui). A música alegre existe e pode ser bela, mas como o carnaval ela é um evento de três dias por ano. Ou deveria ser, infelizmente hoje em dia todos os dias é carnaval e todo o país é a Bahia. Resolvi, vou falar de Igreja, vá a uma missa em uma Igreja influenciada pela RC, aquela com palmas, pulinhos, violão, bateria, baixo e coreografias, depois vá a uma no mosteiro de São Bento onde os credos são cânticos em latim e me digam o que é mais bonito e até mais apropriado.
Posted by César Miranda at junho 16, 2004 07:57 AMBruno, a tristeza a que me refiro é a tristeza "musical", aquela feita de largos, tons menores e diminutas.
Posted by: César Miranda at junho 20, 2004 08:00 PMRodrigo, para encerrar o assunto: "adoro" os seus comentários; já venerei ( posso voltar, quem sabe? ) "São Chico" ( minha mãe até me deu o mesmo nome ); e admiro Francisco de Assis.
Fraternal abraço.
Prezado Chico Sena,
O Aurélio é autoridade em dicionário, não em religião. As definições dos dicionários são nominais, não se preocupam com a essência do objeto a que se referem (ver a respeito o excelente livro de Mortimer Adler, porém muito mal traduzido, "Como ler um livro"). Como vc já foi católico, deve ter lido no catecismo que os santos não devem ser adorados, mas venerados -- e que isso são coisas distintas.
Um abraço,
Rodrigo R. Pedroso.
Posted by: Rodrigo R. Pedroso at junho 17, 2004 12:05 PMCaro Rodrigo, sem querer provocar polêmica, eis a definição do termo adoração segundo o Dic. Aurélio: "( do latim adoratione )s.f. 1. ato de adorar. 2. Culto a uma divindade 3. Por ext. Culto, reverência, veneração 4. Amor excessivo; idolotria. 5. Gosto imoderado de alguma coisa 6. Quadro que representa a veneração dos Reis Magos ao Menino Jesus".
Se nenhuma das definições acima for suficiente. Esclareço a você que eu não adoro nem venero o citado santo. Já fui católico e respeito muito Francisco de Assis, mais ainda, depois que li uma excelente biografia dele numa obra de Chesterton.
Fraternal abraço.
Eu tenho que discordar de você, César.
A grande música é alegre, a música que se quer grande é triste. Eis a diferença. Por exemplo, quando Bartók deixou de ser grande, passou a escrever músicas tristes (3o. concerto para piano); quando Beethoven passou a ser grande, começou a escrever músicas ao menos esperançosas (9a. Sinfonia, Sonatas op. 106 e 111, Missa Solemnis, Quarteto op. 127, Fidelio); Wagner nem quando tentou fazer comédia conseguiu ser alegre...
Agora vou ouvir o Et ressurexit da Missa in Angustiis de Haydn. Com licença.
Posted by: Bruno at junho 16, 2004 08:23 PMQuem quiser conhecer a Missa segundo o rito de São Pio V, em São Paulo (devidamente regularizada pelo Cardeal-Arcebispo D. Cláudio Hummes):
todos os domingos, às 16h30, na Capela de Santa Luzia, Rua da Tabatinguera, próximo à Praça João Mendes e ao Fórum Central. O celebrante, em geral, é o Padre José Edilson.
E caro Chico Sena, gostaria de fazer uma breve correção ao seu comentário: os santos não são adorados, mas venerados.
Um abraço fraterno a todos,
Rodrigo R. Pedroso.
Posted by: Rodrigo R. Pedroso at junho 16, 2004 07:04 PMAmigos César e Zadig, e caríssimos visitantes. Na religião, desde que o objetivo seja alcançar a Graça de Deus, cada um que dance, ore, reze e cante do jeito que gosta. Eu gosto do culto cristão tradicional e com reverência. Mas não posso reprovar os que gostam do culto cristão mais alegre e barulhento. São Francisco de Assis foi um moço barulhento e "elétrico" e nem por isso deixou de ser um dos santos mais adorados do mundo.
Fraternal abraço.
Ah, eu não assisto missa porque perto de casa não dá mais, decepcionando papai, que obedece o bispo. Acho que sou Cristão ortodoxo, o que me deixa poucas opçoes no Rio de Janeiro.
Posted by: Igor at junho 16, 2004 01:06 PMSobre a Igreja: os dois são bonitos e de certa forma se complementam, pois mesmo dentro da Igreja há diversidade de, digamos, gosto. O que importa é que a RCC faz um belo trabalho trazendo muita gente que estava de fora para dentro da Igreja novamente.
Posted by: Lele Carabina at junho 16, 2004 12:33 PMCaro Amigo CÉSAR,
Embora discorde de algumas coisas neste courrier, uma afirmação é irrefutável, concordo que é difícil aguentar as missas de palmas e pulinhos.
Nem quando eu era protestante, tolerava isso.
Ainda não me acertei com uma comunidade em Goiânia em que possa seguir a missa, como diz nosso amigo virtual Ruy Maia Freitas, lá no Despoina Damale:
"...Missa celebrada em silêncio, sem agitação, com as pessoas aguardando o início da cerimônia sem conversar umas com as outras; missa em que o celebrante apresenta sua homilia como quem está conversando com os fiéis, como quem está ministrando discretamente uma aula sobre as verdades essenciais da nossa fé, verdades que ele conhece em profundidade."
Você e M. é que são felizes, atravessam o lago e estão no Mosteiro de São Bento. RMF atravessa o Rio de Janeiro, segundo depõe em courrier de 6.6.04.
Pra quem se interessa pelos Cantos Gregorianos, achei um CD em Belo Horizonte que é uma prova de que é possível termos aqui bem perto excelentes músicos e leigos que o executam à altura da melhor tradição.
Amitiés,
BetoQ.
O canto gregoriano é obviamente mais apropriado para a oração. Tão obviamente, na verdade, que até sinto certa curiosidade de ouvir algum argumento que diga o contrário. Deve ser divertido.
The fun never stops, é o que sempre digo.
Posted by: Marcelo De Polli at junho 16, 2004 10:39 AM