Não deve existir ninguém mais feliz do que um sanfoneiro (“só poetas seguem tristes” diz a canção). O que eu não daria para fazer um forró como os de Luiz Gonzaga, um xote, um arrasta-pé qualquer. Já presenciei um evento fabuloso. Dominguinhos deixando todos inquietos com seus 120 baixos. Inesquecível, de arrepiar. Como invejo um sanfoneiro. Trata-se de um artista realizado que pode seguir triste se quiser depois da festa porque a festa é sempre dele também. Certa vez ouvi falar de alguém que chorara com um poema meu, não imaginam como eu gostaria de estar ali ao lado desse alguém/leitor(a) e chorar junto. Mas isto não ocorre a escritores, são uns tristes. Um sanfoneiro “chora” junto com seu “leitor” inapelavelmente. E até amanhecer o dia.
Posted by César Miranda at maio 12, 2004 07:54 AMAh, eu gosto mais de engolir as lágrimas. Não sei tocar sanfona (nem violão, mas...)
Posted by: Igor (Aqui eu falo do meu senso de ridículo) at maio 14, 2004 02:35 PMObrigado Elton e Igor. Bela frase Igor, mas não fale mal do violão...
Posted by: César Miranda at maio 12, 2004 09:49 PMÉ porque a sanfona derrama as lágrimas que o violão engole.
Posted by: Igor at maio 12, 2004 08:39 AMMuito bom esse texto sobre poetas e sanfoneiros. Sobre a solidão do escritor e o compartilhar, mesmo que momentâneo, do forrozeiro... Além disso, concordo com você, João é eterno. Obrigado.
Posted by: Elton at maio 12, 2004 08:23 AM