O virtual criou um segundo nós. O eu real não é o mesmo eu virtual, embora o virtual seja apenas um tipo diferente de real. O ser humano virtual geralmente é até mais interessante, mas sei de casos em que o virtual é mais chato. O certo é que não é a mesma pessoa. Você jamais se sentirá à vontade quando o seu amigo virtual surgir em carne e osso na sua frente. Ficará sempre aquele gosto de gramática entre vocês, aquela ânsia de ler o que ele diz e a frustração de não ter corretor ortográfico para corrigir o que você diz. O Orkut (quem ainda não entrou, não entre, trust me!) nos desdobra ainda mais. Os amigos ali são um terceiro tipo de amigos. São pessoas que julgam pelas aparências, enfim, gente de verdade. Não estou julgando mal, Wilde dizia que "só o medíocre não julga pelas aparências" mas voltemos ao Orkut. Sabendo disto, que serão julgados pela aparência, muitos não mandam as próprias fotos. Sabendo que serão julgados pela aparência, muitos mandam. As mulheres lindas (ou que têm fotos onde estão lindas) têm, algumas delas, centenas de "amigos", logo se igualarão ao sonho de Roberto Carlos de ter um milhão de amigos. É um novo tipo de amizade. São os amigorkut de quem falei ontem. Nas listas de discussão normais, via email, temos 1 coisa em comum com as outras pessoas e isto não torna ninguém propriamente amigo. No Orkut, você vê o perfil da pessoa e encontra muita coisa em comum e muita coisa diferente e vê ser quer ser amigo daquela ali. O candidato a amigo ter um blog ajuda porque no blog você vê pelo menos se a pessoa escreve "aki", "naum", "vc", essas bizarrices. Daqui a pouco todos terão que ter blogs. Tenho blog, logo existo, dirá o Descartes contemporâneo. Quem não tem blog é descartado (foi um trocadilho com Descartes, perceberam?). Fala-se de teorias conspiratórias, que o Orkut serviria para ser um enorme banco de dados de todo mundo, onde se descobririam todos os gostos etc, etc. Ora, mas é isto mesmo que ele é e não há nada demais nisto, entra quem quiser (não entre, truste me!). Dizem que muitos mentem, ao enfeitar demais o próprio perfil, coisa de tarado. Às vezes um meio se esgota e outro é criado ou uma tecnologia é criada e engendra uma demanda e tudo serve para a mesmíssima coisa, que é a grande demanda da humanidade: gente conhecer gente. Há coisa melhor, gente?!
Posted by César Miranda at maio 26, 2004 08:08 PMEu gostava do Orkut quando este tinha aquele "quê" de sociedade secreta, quando o "só entrar convidados" nos fazia acreditar que aquelas pessoas eram, pelo menos um pouco, selecionada. Só que alguns "selecionados" não tinham muito critério na hora de enviar convites e agora parece que todos entram no Orkut, principalmente todos aqueles que falam "axim" e escrevem "AxIm" e argh, não dá pra aguentar.
As pessoas agora fazem orkontros e criam comunidades com o nome dos seus bairros para juntar a "galera" de um determinado local. "Aê, galera do bairro Y, vamos nos reunir!" Nossa, não me agrada nem um pouco a idéia.
Eu estou no Orkut, coloquei várias fotos onde estou um pouco mais bonitinha que o normal e gosto de conhecer novas pessoas e coisital. Mas toda semana eu deleto uns vários da lista de amigos. Sim, sou uma chata mesmo.
Ah, ótimos textos os seus.
Um abraço,
Roberta