
Elomar é um ser humano extremamente religioso. Essa religiosidade extrema o fez sempre desprezar de certa forma este mundo, talvez dando ouvidos ao Cristo que dizia seu reino não ser deste mundo. Porém este mundo que Elomar despreza não é o planeta terra, é sim, este nosso mundo contemporâneo. Elomar escreve como se nascera no século X. Eis o xis da questão, Elomar não nasceu no século X e sim no XX. O Século X era o auge da Idade Média, que muitos equivocadamente, chamam idade das trevas. Idade das trevas, Elomar (e eu também) considera este tempo em que vivemos. Naquele tempo, as crianças eram mais sábias que os homens de hoje, embora, as crianças de hoje conheçam mais coisas do que os homens daquele tempo. As pessoas naquele tempo tinham Esperança (com E maiúsculo), hoje, vivemos todos, quase a definhar de medo, fruto da falta de fé e do tédio em que os últimos quatro séculos estão mergulhados. Dito isto, entende-se por que Elomar, um ser totalmente fora de seu tempo, jamais se importou muito em divulgar sua música. Em fazê-la, ao contrário, considerando-a como uma dádiva divina, Elomar se empenha bastante. Vara noites estudando orquestração, escrevendo melodias e letras. Elomar é o melhor melodista do país e também seu melhor letrista. Um menestrel do século X, nascido no século XX, na caatinga, com todas as possibilidades de produzir a música soprada pelos céus a seus ouvidos e disposto a ouvir o que a bendita musa lhe dita, ignorando totalmente as contingências seculares, os modismos e demais seduções mundanas. Na idade média havia a comum figura dos menestréis, andarilhos que, com seu instrumento, cantavam a esperança, o amor, a amizade e a fé. Elomar é isto, um desses menestréis, que vive como menestrel, como se no seu mundo não houvesse gravadora, rádio, tv, direito autoral, etc. Felizmente é assim, pois aproveita seu tempo para escrever sua música imortal, em sua quase totalidade inédita em disco. Suas óperas, todas inéditas nos palcos, seus concertos e peças para instrumentos solos, todas, inexplicavelmente inéditas nos programas de nossos instrumentistas. É o que dá estar muito além de seu tempo. Os homens do século XXX, certamente, se forem sábios como os do século X eram, verão Elomar ao lado de J. S. Bach, Mozart e Beethoven, com uma vantagem, Elomar era melhor letrista que os outros três. Aqueles do século XXX, encantados com o compositor do século XX que mais parece do século X, não entenderão por que seus contemporâneos o ignoraram. É possível que este nosso tempo entre para a história como a incrível época em que só uma pequeníssima parcela conseguia distinguir uma boa música de um barulho qualquer. Sorte nossa que fazemos parte da tal parcela e sorte de Elomar que, sem muito incômodo, segue chiqueirando seus bodes e escrevendo sua música suprema.
Posted by César Miranda at maio 14, 2004 06:50 PMEstou me formando como professor de língua portuguesa. E podem ter certeza de que será uma das minhas bandeiras ensinar a poesia de Elomar aos meus alunos. A música ficará por conta deles mesmos. Afinal, a sua obra é magnífica e mesmo não compreendendo o dialeto sertaneza, a paixão por ele virá, com certeza!
Posted by: Pablo at novembro 20, 2008 08:33 PMEu não entendo!! essa musica, adentra a minha alma, me enche de paz e ao mesmo tempo de angustia.sinto-me elevado em ouvir por seus cantos a história da vida simples da gente do sertão, que acaba sendo contaminada com a esperteza urbana, com o mau caratismo urbano, com a falta de fé urbana, quando da saida do nosso povo em direção aos grandes centros em busca de melhores dias. não entendo nada de musica, mas tenho uma audição bastante apurada portanto posso dizer com toda certeza d'alma que o canto de Elomar é humano, é universal é divino
Posted by: Joel Martins Viana at maio 22, 2008 12:17 PMElomar é um prícipe de Castelos ainda não explorados, está trancado em sua majestade fazendo canções (operetas e megaóperas)rs....canções que só quem é dotado de grande apuração auditiva valoriza!!!!É preciso entender os caminhos que traça um rei para compreender as influências da música desse gênio...sou apaixonada por ele!!!
Posted by: Ilca M. Dias Souza at abril 29, 2006 06:08 PMValdir, este texto já foi divulgado lá, aliás, faço parte do grupo, mas pode divulgá-lo novamente lá e onde você quiser. Um grande abraço.
Posted by: César Miranda at junho 26, 2005 05:51 PMQueria sua autorização para divulgar seu texto no grupo "Casa dos Carneiros".
http://br.groups.yahoo.com/group/casadoscarneiros/
Aguardo confirmação.
Posted by: Valdir at junho 26, 2005 05:25 PMObrigado a todos os malungos que comentaram. Falarei sempre de Elomar aqui pois quem não conhece têm que conhecer. Seus melhos discos podem ser adquiridos no seu site. Tem um link no post.
Posted by: César Miranda at maio 17, 2004 05:48 PMQue bom é ouvir de outros que também se emocionam com a bela música de Elomar. Não sei quando Elomar terá o devido reconhecimento nesse mundo, se o tiver. Por isso lamento sinceramente por aqueles que não irão travar conhecimento com essa música belíssima que tanto me emociona.
Por ter tido o privilégio de ter conhecido parte de sua obra já me considero verdadeiramente abençoado.
Bach também foi pouco reconhecido até pouco tempo atrás, não? Acho que Carl Barks será visto como o maior pintor do século XX.
Posted by: Igor at maio 17, 2004 09:56 AMMalungo Cesar
Seu texto está excelente, bem fundamentado e com um bom conhecimento de causa. Peço a Deus , que a mensagem repassadas na musica do mestre, seja um dia até estudadas nas escolas, como é hoje o Guimarães Rosa, porém gostaria que fosse em vida e não depois de sua passagem. Texto como esse que você escreveu nos faz acordar para a nosa riquesa popular que temos , e que não damos valor.
valeu
Harrison Araujo
Posted by: Harrison at maio 17, 2004 07:20 AMCavaleiro César,
acho que eternamente serei grata ao Deus por ter me dado coragem para adentrar a Casa dos Carneiros, onde esse menestrel da caatinga me mostrou o silêncio profundo do sertão e onde tive a oportunidade de ouvir e dançar "A Dança do Ferrão", na companhia do também ilustre Dércio Marques.
Tenho fé de que um dia possamos assistir a Chegada dessa revolução sonográfica que sua obra produz.
um abraço,
juliana
Posted by: juliana at maio 15, 2004 08:43 AMSou conterrâneo de Elomar e admirador de sua obra. Por isso, gostei de encontrar este texto sobre um compositor tão importante para a música do mundo. Lembrei dos seguintes versos de Seresta Sertaneza:
apois Deus acorrentou os sábios
na prisão escura das tres dimensões
e escravisados desde então
a serviço dos maus
vivem a mentir
vivem a enganar
a iludir os corações
Obrigado.
Posted by: Elton at maio 14, 2004 07:18 PM