março 09, 2004

NOTA SOBRE A POLÍTICA E OS POLÍTICOS

A princípio, o que um político quer é ter influência. Enquanto ela não vem, se contenta com dinheiro. Aquele que conquista a influência geralmente esquece por que a queria e a utiliza para obter mais dinheiro. A maioria - pois A (maiúscula) influência é para poucos - torna-se maquinalmente um puxa-saco dos realmente influentes e caminha sempre em direção ao foco da maior influência. No início, um ou outro político entra no ramo movido por um ideal. Uma vez que ideal é paixão e esta é fogo de palha, dura pouco, logo, a política torna-se para o político apenas seu ganha pão, vira uma prostituta como outra qualquer (que me perdoem as profissionais do sexo pela comparação). Parece aquela frase de Cioran onde ele lamenta o triste fim do amante que começa como poeta e termina como ginecologista... Nesse estágio "pós-ideal", resta ao político, agora um profissional da política, "fazer o possível" isto é, aumentar o próprio salário e dar emprego à família e aos amigos, que é a quem ele realmente representa. Muito do que eu disse aqui sobre políticos também vale para Jornalistas.

Posted by César Miranda at março 9, 2004 09:21 PM
Comments

Polly, obrigado pelo depoimento confirmador, volte sempre. kss

Posted by: César Miranda at março 11, 2004 09:18 PM

Perfeito!!!

Por essas e outras é que eu desistí do jornalismo, porque ou vc se vende, ou morre de fome...

bjs

Posted by: Tahiana at março 11, 2004 09:11 PM

Iana Lee, ambos têm o poder nas mãos. O poder (e o dinheiro) atrai pessoas ruins. Ambos se unem quando convém e ocorre o tempo todo bem embaixo de nossos narizes.
Milton, um grande abraço.
Zadig, excelente notícia. Aí vai mais uma ótima, o outro Beto digitalizou F.H. Tem toda razão sobre Isaías.

Posted by: César Miranda at março 11, 2004 09:21 AM

Ave César,
A pergunta recorrente é (ou deveria ser) a cidade ideal inclui Ser ou Ter (políticos)?
- Políticos deveriam Ser em nome de alguém.
Não conheço este Cioran nem no fundo nem no raso, mas a amostra me parece interessante.
Eu e S. tínhamos um amigo. Virou político do PPS. A última conversa que tentamos manter com ele foi um desastre, numa moldura excelente: Caldas Novas. Ele falava (fala interminável a dos políticos), naquela piscina maravilhosa sobre as suas "viagens beneficentes" à periferia goianiense. Observei que ele anda de caminhonete nova. Hum, interessante, pensei pra quem tinha salário de amanuense do Município. C´est déjà ça.
Ah! Por lembrar do francês, chegou a encomenda mais desejada, às vésperas do Avril: Laurent V.
Abraço fraterno,
BetoQ.
P.S.: Os políticos do Brasil precisam ler Isaías (AQ).

Posted by: Zadig at março 11, 2004 02:15 AM

Ora César, empreendedores, como não?

Quando alguém se torna político ou burocrata, continua movido por inclinações pessoais, o "self-interest" na linguagem dos economistas - mudou apenas de mercado, o qual possuirá, naturalmente, restrições diferentes das do mercado anterior.

A Demanda nesse novo mercado busca favores e privilégios do governo. Os políticos e burocratas Ofertam então essas benesses, estando as mesmas vinculadas a preços, como em qualquer mercado - contribuições de campanha e votos.

São essas em resumo as teses da escola de economia criada em torno da "Public Choice Theory", da qual fazem parte pensadores como Gordon Tullock e James Buchanan.

Por fazer então, se tem o seguinte: retirar o máximo de decisões e verbas da mão dos políticos e burocratas, que não possuem incentivos para bem aplicar, nas benesses que fornecessem, um dinheiro que não é deles.

Empreendedores, pois sim. Mas agindo em um mercado que só existe devido à grana que o governo possui.

Um abraço;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at março 10, 2004 07:34 PM

Sobre os políticos, já é bastante conheido sua sagacidade. Quanto aos jornalistas parece ser menos. Se as duas classes resolverem se unir de vez, aí sim estaremos perdidos!

Posted by: Iana Le at março 10, 2004 04:50 PM

As duas primeiras frases deste post são lapidares. Não que o resto não seja ótimo é que que as duas primeiras são perfeitas (e verdadeiras, infelizmente). Adorei também o trocadilho "tá pensando que eu sou curdo"? Abraço fraterno.

Posted by: Milton Ribeiro at março 10, 2004 12:35 PM

Obrigada!

Posted by: Karina at março 10, 2004 10:11 AM

Karina, há mais de dez anos tive uma fase Cioran sim, li tudo o que encontrei. O que mais ficou foi o Silogismos da Amargura. Recomendo.
Márcio, políticos, empreendedores?! Não vamos começar..:-)

Posted by: César Miranda at março 10, 2004 09:11 AM

ah, não creio! Acabo de ver que, por questão de 1min(!!!), não fiz inédito meu palíndromo nos comments, já o tinham colocado no do post anterior. Isso é que dá ficar vagando na Rede até esta hora.. entro onde não devo e vejo o que não quero. Mas dizem que vale a intenção.

Posted by: Karina inconformada at março 10, 2004 05:49 AM

Políticos operam num mercado específico: prestam serviço, vendem benesses em troca de dinheiro. Empreendedores, pois sim, nada mais que isso.

Abraço;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at março 10, 2004 03:04 AM

César,
Vc mencionou uma citação de Émile M. Cioran. Poderia sugerir alguma obra específica dele? Não necessariamente a melhor (sob seu ponto de vista, lógico), mas a que apresente seus (dele) pensamentos a respeito de um todo, algo que melhor o traduza.
Estou pressupondo, claro, que vc o conheça.. hum.. profundamente. Que base tenho para isso? Nenhuma, pois é, mas não custa arriscar. E já agradeço oferecendo um palíndromo: Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos ;-)
Abraço.

Posted by: Karina at março 10, 2004 02:58 AM
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