março 18, 2004

MORTE E VIDA CELESTINA – JÁ LI, SÓ FALTA VOCÊ (ou O REINO DOS CÉUS É DAS CRIANCINHAS)



No começo do livro, quando o pequeno Dundas, aquela fofura, diz que já nasceu 18 vezes, me perguntei “o Alexandre é seguidor de Kardec?” Depois pensei que se o Shakespeare não acreditasse em fantasmas e por isto não escrevesse Hamlet teria feito muito mal. Acostumei-me com a idéia e mergulhei dentro do universo alexandrinho (sic). Uma beleza, espero que o Alexandre não vire o queridinho dos espíritas (ou que vire se quiser, continuarei lendo). Vamos ao que interessa. Acho que não havia lido um livro tão rapidamente porque quase não consegui soltá-lo. Uma noite sonhei com ele. Envolvi-me inteiramente com a estória, fiquei com vontade de dar um cheiro na cabeça do protagonista, fiquei muito triste com uma surpresa no meio da história envolvendo Vonda, mulher de Dundas. Em certa altura desconfiei que o criminoso fosse a Steffi Graf. O non sense é maravilhoso, o trabalho de resolver os crimes e esperar pelo mousse de chocolate são igualmente importantes para nosso herói. Ele é a figura mais infantil da face da terra e por isto a mais inteligente (é das crianças o reino dos céus, hein, Alexandre?!). É ele quem manda. Mais do que o escritor até. Diz ele que não queria que o assassino fosse um criado, se for, ele não pega o caso. Seu esporte preferido é jogar charminho. Adora fazer umas coisas muito sérias como nada, por exemplo. “Eu amuele”, “adôndi?” “Gosti”, ele diz. Ninguém o corrige. Convidados olham através de seus olhos e gritam “oi, leitor!”. E nós caímos da gargalhada. Melhor que isto só o serviçal que vive na cidade do bom gosto e afasta uma “criatura estúpida”, com sua bengalinha de bambu, “não, não, cultura popular, não...” O paraíso é assim, não é diferente do mundo. É igualzinho, as pessoas regam as plantas e fazem o jantar. O inferno não é para onde vão os maus, é para onde vão os chatos. Quanto ao mundo, bem, terrível não é nascer, terrível é ser filho de deputado. Ah, vai ler o livro, vai! Diversão garantida. Excelente presente. Adquira logo uns 10!

Posted by César Miranda at março 18, 2004 09:28 PM
Comments

César, eu tinha adorado o "universo alexandrinho"... Diz que foi proposital, diz? ;0)

Mas há acidentes felizes. Seu inconsciente fez bem em criar essa palavra e seu consciente fez bem em mantê-la.

Eu não me importaria de ser o queridinho dos espíritas, juro que não. Mas faço tanta piada com o mau-gosto dos médiuns que acho que fica difícil...

E Beto, se me lembro bem, assinei o seu exemplar na noite do meu lançamento, o que significa que o livro já vai chegar. Só mais um pouquinho de paciência. Se demorar mais, me avise, ok?

Abraços,

Posted by: Alexandre at março 20, 2004 04:10 AM

Ave César,
Pior é pagar e não receber o livro.
Fui dos primeiros a comprar e serei dos últimos a ler. Polzonoff já me chegou, mas por tudo que li sobre, este é superior em tudo ao Cabotino.
Abraço fraterno,
BetoQ.
P.S.: Enquanto isso, me delicio com G.K.C. "O Homem que foi quinta-feira", adquirido na Cultura na 4a.feira passada (à suivre). (AQ)

Posted by: Zadig at março 20, 2004 01:32 AM

“Universo alexandrinho” foi um erro de digitação, evidentemente mas acho que ficou melhor do que o que eu queria escrever mesmo, afinal falamos de criancinhas, de um Peter Pan morador da eternidade, por isto não vou alterar não... vou até voltar lá e tascar um “sic”, quer ver?!...

Posted by: César Miranda at março 19, 2004 09:08 PM

Fiquei curiosa.

Posted by: Lele Carabina at março 19, 2004 08:18 PM

Ah, que charme!

E a falsa solução do crime, depois da verdadeira?

Posted by: André S at março 19, 2004 01:07 AM
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