Só os românticos amam
Pois eles odeiam
Temer o ridículo
Só os românticos morrem
Pois só eles vivem
A um passo abismo
Só os românticos sabem
Porque eles ouvem
Espaços e ritmos
Só os românticos choram
Porque eles clamam
Um pouco de riso
Só os românticos pulsam
Pois só eles sabem
Ser tão imprecisos
Românticos penam
Recitam, escrevem poemas
Choram dentro do cinema
E jamais se recuperam
Românticos voam
Têm a cabeça no vento
Querem ir para o convento
Coitados, se desesperam
Só românticos não dormem
Pois só eles sonham
Bebem e se embriagam
Românticos se rasgam
Pois sempre estão intactos
Na doçura que amargam
Românticos não obedecem
Porque eles são servos
Seguem a suas feridas
Românticos jamais crescem
Só eles se estabelecem
Sentam-se perante a vida
E vão os românticos
Cruzando o pacífico,
Índico, ártico e o atlântico
Com um sonho específico
De amar e amar e amar e amar
E entoar o seu cântico
Há uma canção do cantor e compositor mineiro Vander Lee chamada simplesmente “Românticos”, uma balada também, muito bonita por sinal, a diferença é a abordagem, naquela canção, Vander Lee diz que “romântico é uma espécie em extinção”, frase com a qual discordo solenemente. Querem saber? Deus é um romântico. Romântico é um termo que nem antônimo tem. Como Deus.
Obrigado a todos pelos comentários mais que generosos. Meg, saudade de você. Milton, parceria com Guinga, aí eu não agüento. Fernando, saudade. Márcia e Lele, voltem sempre. Flávio, meu comentarista oficial e amigo fraterno, obrigado pelos claps.
Lindo... estou precisando ser mais romântica e menos realista.
Posted by: Lele Carabina at março 23, 2004 01:21 PMCésar, cada vez fico mais orgulhoso de ser seu amigo.
É de encher o peito e dizer: viu, gente, eu conheço ele desde pequenininho...
Posted by: fernando atie at março 23, 2004 08:47 AMValeu a pena a visita. Lindo demais seu poema. Parabéns, parabéns e parabéns. Bjs
Posted by: Marcia at março 22, 2004 03:04 PMOlha, César: isto foi lindo, demais mesmo. Enquanto lia, formou-se uma confusa trilha sonora na minha cabeça. É excelente literatura e me criaram sons muito agradáveis, eufônicos mesmo. Se já não tem música, deverias mandar prô Guinga. Grande abraço.
Posted by: Milton Ribeiro at março 22, 2004 02:50 PMClap, clap, clap!!!
Posted by: 0!/\@|£ at março 22, 2004 08:59 AMCésar, preste bem atenção:
Deixei comentários em outros posts.
Em alguns até me arrisquei.
Mas o difícil mesmo é comentar *este* post, e o poema nele contido.
O que ecoa e ressoa nele, quantos diálogos promove e de quantos outros ele resulta.
Olha, hoje a dificuldade de ser obriga o homem, pelo que tenho percebido, a ter um compromisso - forçado- com o ser "engraçado"; ser irreverente a qualquer preço.
Os escritores, então - pobre dos críticos, que têm a dura função de denunciar isso- parecem sempre atender à convocação de uma/alguma sineta: "sejam ácidos, e ... engraçados!"
Pois eu lhe digo: o difícil é ser ácido, engraçado e também ..er... romântico, mas não por convocação, ou imperativo que não seja o próprio talento.
É o caso, aqui.
E eu - pobre crítica-leitora, só tenho um reparo (mui gravoso) a fazer a essa forte e delicada obra-prima, que ressoa a Leopardi - eis que poesia é sobretudo "linea d'ombra...iride breve":
é ela não ter sido inspirada pela sua leitora-ideal!
tenho dito!
(E timidamente recolho-me à espera de ler o livro do Alexandre... Hey Paula!)
Bravissimo César!
Baci,
M.
Posted by: Meg (Sub Rosa) at março 22, 2004 07:34 AM