fevereiro 29, 2004

SEJA COMO A ÁGUA...

Recebi uma mensagem dizendo que devemos ser como a água que contorna todos os obstáculos, etc. Esta idéia é pura New Age, pois uma das manias da nova era é dar características humanas às coisas inanimadas. Como se a água fosse gente. Assim como a água não é gente, o sol também não é. Os átomos também não são. Os planetas giram em torno do sol porque Deus determinou que assim seja, não tem nada daquela balela newtoniana de que matéria atrai matéria, etc. Água não contorna nada, apenas segue o projeto que o criador traçou para ela. O sol também não atrai ninguém. Certa vez, conforme a Bíblia, Deus o fez parar até que uma batalha terminasse. Agora me vem esses débeis mentais que chamam o planeta terra de “nossa mãe” e tiram de Deus a autoridade sobre as coisas. Toda lei científica deveria ser seguida de um adendo, assim “... até que alguém prove que estou errado ou que Deus decida o contrário”. A propósito, se há algum grau de parentesco, somos “irmãos” da terra, irmãos de tudo o que existe no universo, inclusive do próprio universo.

Posted by César Miranda at fevereiro 29, 2004 07:19 PM
Comments

Muito bem senhor anônimo ou por antonomásia anarquicamente confesso, enrustido detrás de um incognoscível e periclitante conjugado de letras, a saber: sdgfgfg. Se faço menção ao trovadorismo, é porque nisto consiste uma representação comum dos poetas medievais, notadamente a partir do século XI (logo, muito anterior ao Renascimento igualítário, de onde frui a sua perspicácia para assinar confusamente). Portanto, aqui não há nenhuma incongruência antitética (ou dialética, que parece ser a técnica propulsora de suas relativísticas idéias). Além do mais, eu não sei qual a debilidade mental de sua delicada elucubração ao qualificar a Idade Média como época de opressão praticada pela Igreja Católica (mais uma vez em suas idéias, caracteres comunistizantes).

A natureza de um ser é composta por tudo que seja necessário para que ele exista. Todo ser humano é composto por corpo animal e alma racional. Nesta igualdade natural reside a igualdade de direitos naturais dos homens. Porém, como sabemos, Deus criou o universo desigualmente perfeito. Todos os membros da criação, assim, apresentam graus de desigualdade intrínseca, proporcionada dentro do próprio reino. Quanto mais perfeito for esse reino, maior será o grau de desigualdade entre seus membros, de modo que será mais expressiva a capacidade da inteligência ordenadora.

Relativamente aos homens, ainda que portadores da mesma composição em nível de natureza, são desiguais nos acidentes. Acidentes são qualidades que existem em um ser mas não lhe são necessárias para que venha a ser o que é. Deste modo, acidentes desiguais geram direitos desiguais entre os homens.

A sua mensagem, muito obscura, repleta de digressões pseudo-filosóficas impossíveis de se adquirir alguma conclusão, obriga-me a crer no caráter materialista de suas intenções. Você diz revoltado que a alma é “uma ferramenta de sustentação e garantia da vida após a morte”. Continua afirmando equivocadamente que a crença de que há vida após a morte é “egoísta por ser reflexo de um apego exagerado à vida”. Fala idilicamente em “impor para além dos limites desta vida padrões humanos de vida”. Ora, como é que pode haver padrão de vida estritamente humano fora do âmbito propriamente humano?! Por “padrões divinos de vida”, perdoe-me, mas a o enigma que encerra o oculto segredo misterioso imponderável de sua mítica citação me impossibilidade de alcançar qualquer dedução.

Por fim, sentencia efusivamente, num fervoroso e veemente silogismo pedante: “Logo, nossa idéia do divino é uma idéia humana, logo, nossa concepção de vida após a morte é uma idéia humana. Portanto, acho seu ponto de vista o mais antropocentrista possível, pois intenciona extender os domínios humanos, estes tentáculos totálitários no quais me incluo, para fora dos domínios humanos”.

Eu não creio no meu míope ponto de vista, que de nada vale, mas sim no que ensina o magistério infalível e perene da Igreja Católica, do qual isenta-se todo relativismo modernista próprio de suas periclitantes teses. No fundo, só posso crer na autenticidade de sua incredulidade de que há vida após a morte. Você não crê na ressurreição da carne. Você não crê na vida eterna!

Você crê sim no “apego exagerado à vida”, e repele a promessa de que há vida após a morte. Você crê no seu evasivo “ponto de vista” (há expressão que mais seja causa de dor ao objeto auditivo do que esta?).

No céu há graus desiguais de glória entre os santos que o habitam harmonicamente. No inferno há índices desiguais de culpa. Não crer que há vida eterna é um pecado, que gera culpa.

O nosso corpo obterá a ressurreição juntamente com nossa alma, pois esta é a constituição de que somos feitos, e Deus não poderia incorrer em contradições. Lembre-se, no âmbito espiritual há maior desigualdade que no delimitado universo material. A alma, sendo espiritual, é como que um espelho da inteligência sapientíssima de Deus onipotente!

Leia o Catecismo Romano. Isso basta!

Adeus!

Posted by: Trovador at março 3, 2004 04:16 AM

Trovador, minha intenção não foi aludir a existência de uma única alma para todo o conjunto das "criaturas". Só que acho a alma humana, como ferramenta de sustentação e garantia da vida após a morte, algo egoísta, justamente por servir de base para esta crença. Crença a qual julgo, na minha possivelmente falha opinião, egoísta por ser reflexo de um apego exagerado à vida, necessidade pouco altruística e humilde de impor para além dos limites desta vida padrões humanos de vida. Dir-me-ão que impões sim, porém padrões divinos de vida. Ora, somos humanos, não? Logo, nossa idéia do divino é uma idéia humana, logo, nossa concepção de vida após a morte é uma idéia humana. Portanto, acho seu ponto de vista o mais antropocentrista possível, pois intenciona extender os domínios humanos, estes tentáculos totálitários no quais me incluo, para fora dos domínios humanos. Coerente, já que a arte trovadoresca é originária da cultura oxitânica, provença, primeira região da europa a libertar-se da opressão católica medieval e grande emanadora dos valores que vieram a propulsionar o renascimento. Genial vc, colocar no apelido uma alusão à ruptura com igreja e defender uma visão cristã, genial Sr. Oxímoro.

Posted by: sdgfgfg at março 3, 2004 01:31 AM

"Por que é que um dia é preferido a outro dia, uma luz a outra luz e um ano a outro ano, provindo todos do mesmo sol? Foi a ciência do Senhor que os diferenciou, depois que criou o sol, o qual obedece às suas ordens" (Ecle. XXXIII, 7-8)

Um abraço César Miranda!
Daniel Lopes
Fortaleza-CE

Posted by: Trovador at março 3, 2004 12:51 AM

Trovador, eu não poderia responder melhor.

Posted by: César Miranda at março 2, 2004 08:49 PM

sdgfgfg: A idéia do que seja alma humana não se obtém através de conceitos (que encerram subjetivismos). Muito ao contrário do que você pensa, a alma humana possui uma constituição espiritual, de modo que frui de uma essência que lhe é única. Os seres humanos (alma e corpo) fazemos parte da criação de Deus, necessariamente desigualmente perfeita! Por isso, se houvesse uma só substância de alma (pelo que entendi você quis denotar que todos os homens deveriam desfrutar da mesma alma), não haveria ordenamento entre os homens, de modo que até a vida em sociedade seria irrealizável.

Posted by: Trovador at março 2, 2004 01:51 AM

sdfgfg, tenho uma coisa a dizer para você: qwerty, zxcvb e çlkjh. Tem mais, ser ateu não é feio, é só uma fase na vida de um outro filho de Deus. Vá fundo em seu ateísmo, se tudo der certo, um dia rirá desta fase.
Zadig, esse modo de pensar também é próprio dos panteístas, pois confundem o criador com sua criatura, na verdade, defendem um Deus muito fraquinho. Os estóicos, não sei onde entrariam aqui. Com algumas restrições, gosto muito dos estóicos, acho a escola estóica um exemplo do quanto a verdade não depende de classes, pois os três grandes do estoicismo, Marco Aurélio, Sêneca e Epiteto, eram um imperador, um cidadão comum e um escravo, respectivamente, fora isto, não me lembro como é a cosmogonia estóica não, somos dois ignorantes, então. Sobre Jung meu conhecimento se restringe aos Tipos Psicológicos, tenho uns 5 livros de Jung para ler... Espero que outro possa ajudar-nos nessas questões sem resposta.

Posted by: César Miranda at março 1, 2004 09:57 PM

boa...boa.....mto boa..

Posted by: Lcezar at março 1, 2004 06:59 PM

Interessante...

"Os planetas giram em torno do sol...", mas "Certa vez, conforme a Bíblia, Deus o [sol] fez parar até que uma batalha terminasse".

Bom, segundo uma lógica aristotélica "básica", você precisa decidir, ou os planetas giram em torno do sol "porque Deus determinou" ou é o sol que para, e não a terra.

[]s

Posted by: Luciano L. Chaves at março 1, 2004 06:58 PM

César,
E sobre aquele tese "jungiana" de imaginação e percurso, memória, rastro, o que me dizes?
Abraço,
BetoQ.

Posted by: Zadig at março 1, 2004 04:52 PM

Alma humana? Aff, há conceito mais egoísta, Trovador?

Posted by: sdgfgfg at março 1, 2004 04:36 PM

Gente é só átomo??? E a alma humana por acaso possui que constituição??? Atômica???

Posted by: Trovador at março 1, 2004 11:33 AM

É isso aí, caro César, como São Francisco, devemos repetir: "Irmão Sol, Irmã Lua, Irmã Água".
Poderia com seu conhecimento fazer um paralelo entre essas pessoas de que você fala com os panteístas e com os estóicos. Tem alguma coisa a ver?
Abraço fraterno,
BetoQ.
P.S.: Preferi te perguntar em público e não por email, correndo o risco de todo mundo descobrir meu analfabetismo filosófico (AQ)

Posted by: Zadig at março 1, 2004 10:35 AM

Ok, átomos não são gente. Contudo, gente é átomo. Só átomos.

Posted by: sdgfgfg at fevereiro 29, 2004 07:48 PM
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