Se você é um torneiro mecânico em São Paulo, deve agradecer a Deus se tiver um emprego e se além disto tiver três filhos, deve agradecer a Deus se não houver fome em seu lar. Se você é um vendedor do software do momento é provável que ganhará mais dinheiro do que poderá gastar. O sonho socialista é, através do Estado, pegar o dinheiro que sobra e dar para quem lhe falta. Mas isto jamais deu certo onde foi tentado, então, o que deveríamos fazer com o que nos sobra? Só uma deficiência moral pode explicar o acúmulo do dinheiro pelo dinheiro ignorando a miséria a sua volta. Tal desvio não pode ser atribuído ao capitalismo (que não é um sistema doutrinário como o socialismo o é) e sim a cada um que vestir a carapuça. O capitalismo não é culpado pelo software ser mais valorizado do que o trabalho do torneiro. Ninguém é culpado, apenas vivemos em um momento da história que pode muito bem ser pouco tempo antes da falência de todos os fabricantes de software em face do aparecimento de algo melhor. Nunca se sabe. Graças a Deus.
Posted by César Miranda at fevereiro 15, 2004 01:42 PMFlávio, Deus jamais erra. Quando alguém – eu neste caso – diz que “a culpa é de Deus” só deve estar sendo irônico. “Culpa de Deus” significa, “tal coisa não é errada”. Como a morte, por exemplo. Por que morremos? Por que Deus quis assim, logo, não há nada de errado em morrer.
Posted by: César Miranda at fevereiro 19, 2004 09:11 PMAve César! Isso aqui está um verdadeiro bang-bang, com direito a montaria e bala perdida para todo lado. Mas de qq jeito, arrisco passar ligeirinho e agachado - e vestido com roupa de ouriço, a fim de que ninguém se engrace a querer montar em mim.
Apenas para descontrair, pergunto ao César, se a culpa é Deus, quem irá julgá-lo?
“A economia de mercado criou uma prosperidade inimaginável e, década após década, século após século, propiciou feitos miraculosos de inovação, produção, distribuição e coordenação social. Ao livre mercado nós devemos toda a prosperidade material, todo o tempo de lazer, nossa saúde e longevidade, nossa imensa e crescente população, quase tudo a que chamamos a própria vida. O capitalismo, e apenas o capitalismo, resgatou a raça humana da pobreza degradante, da doença desenfreada, e da morte prematura.
Na ausência da economia capitalista e de suas instituições subjacentes, a população do mundo, ao longo do tempo, encolheria a uma fração de seu tamanho atual, e o que quer que restasse da raça humana seria reduzida à subsistência, comendo apenas que pudesse ser caçado ou colhido. Até mesmo a instituição que é a fonte da própria civilização mundial- a cidade - depende dos negócios e do comércio, e não pode existir sem eles.
E, com isso, estamos apenas mencionando os benefícios econômicos do capitalismo. Ele também é uma expressão da liberdade. Ele não é tanto um sistema social quanto o resultado natural de uma sociedade na qual os direitos individuais são respeitados, onde os negócios, as famílias e todas as formas de associação podem florescer, na ausência de coerção, roubo, guerra e agressão.
O capitalismo protege o fraco do forte, dando escolha e oportunidade às massas que antes não tinham nenhuma escolha senão viver num estado de dependência daqueles que tivessem conexões políticas e de seus capangas.
Precisamos comparar o histórico do capitalismo com o do Estado, que, olhando-se apenas para este último século, matou centenas de milhões de pessoas em suas guerras, misérias, campos de concentração, e campanhas de fome punitiva? (...)
Deixe o Estado tentar erradicar qualquer coisa - o desemprego, a pobreza, as drogas, os ciclos de negócios, o analfabetismo, o crime, o terrorismo - e ele acaba criando mais dessa coisa do que normalmente existiria se ele simplesmente não tivesse feito nada.
O Estado nunca criou nada. O mercado criou tudo. Mas basta a bolsa de valores cair 20% em 18 meses, e o que acontece? Os principais intelectuais logo descobrem por que a Revolução Bolchevique foi uma excelente idéia, ainda que os resultados não tenham sido o que os idealistas esperavam. E então eles nos dizem que nós precisamos repensar os próprios fundamentos da civilização.
Em toda sociedade, há ganância, fraude e roubo. Se esses vícios aparecem numa sociedade socialista - embora a norma seja uma contínua e brutal luta pelo poder - e o fato passa despercebido ou é atribuído aos resquícios de pensamento capitalista. Mas basta esses vícios aparecerem numa economia basicamente livre, e surge o clamor para abolir a liberdade de comerciar, e pôr o Estado no comando!
Os defensores da regulamentação podem protestar: nós não temos nenhum plano para erradicar a economia de mercado e substitui-la pelo socialismo, mas sim para aperfeiçoá-la, torná-la mais transparente, mais honesta, salvá-la de si mesma. Essa é a linha agora defendida por tipos como John McCain, que diz defender o livre mercado mas opor-se ao "capitalismo de comparsas". Ele diz que será necessária a supervisão massiva do governo para trazer "confiança e transparência", que são essenciais às economias de mercado.
(..) você acredita que o capitalismo é manchado pelos pecados de indivíduos, e neste caso nenhum sistema social se compara porque todos eles são habitados por indivíduos pecaminosos, ou você acredita que existe um pecado na própria raiz do capitalismo, que pode e deve ser suprimido pelo Estado?
(...) Nenhuma instituição, e certamente não o governo, tem mais incentivos para corrigir-se a si mesma do que o mercado.
Parece absurdo ter de dizê-lo: a legitimidade do capitalismo não está em questão. Não fosse pela misteriosa persistência das tendências anticapitalistas, seria perfeitamente claro para todos que as únicas instituições seriamente em xeque hoje em dia são o Estado regulador e o banco central, o primeiro dos quais está inibindo e recuperação e o segundo dos quais causou essa confusão em primeiro lugar.” (Llewellyn H. Rockwell Jr., in A legitimidade do capitalismo) (Tradução de Alvaro Velloso de Carvalho)
Fonte: http://www.oindividuo.com/convidado/lrockwell15.htm
Pitaqueiro, primeiramente lhe digo que seu texto é bem articulado, não é necessário esconder-se sob um falso nome. Quando falamos de valores morais, trata-se apenas de diagnosticar os males deste mundo. E chamar todos ao amor e ao perdão. Ninguém quer mudar a natureza humana, pelo menos eu não quero. Eis mais um dos grandes achados do cristianismo: você pode ser milionário e cristão, uma coisa não impede a outra. Se o milionário for cristão ele vai usar seu lucro para dar empregos e, possivelmente, ficará mais milionário ainda. Se não for, provavelmente aplicará na bolsa de valores que é apenas um cassino como outro qualquer. Acredite em mim, eu não sonho em ser rico, não de dinheiro. Achar que todo homem sonha em um dia ser rico é nivelar do mesmo jeito. No capitalismo quem quiser ser rico pode empreender seu sonho, quem não quiser, não é obrigado. Deus, inclusive, revela-se mais aos pequeninos...
Natanael, guaraná Jesus é realmente inesquecível. A mãe de uma amiga minha, avó, ameaçava os netos (isto é pura verdade) “fiquem quietos e vou dar guaraná Jesus para vocês tomarem”...
Guaraná Jesus? Leia o texto antes de chegar a uma conclusão. É o mínimo que se espera. Ainda mais que o texto é curtíssimo. E não tome guaraná não que faz mal. Natanael, leia livros que é um hábito muito mais saudável. Abraco
Posted by: pitaqueiro at fevereiro 18, 2004 12:17 PMMuito boa Zadig! Os incluídos digitalmente não devem ser alvo de preconceitos.
Grande abraço César.
Caramba! De novo guaraná jesus nos comments do wunderblogs? Deu até vontade de tomar um pouco...
Posted by: Natanael at fevereiro 17, 2004 04:49 PMNem Deus é socialista. Deus fez o gênio e também fez o imbecil. Não sejam ingênuos em falar em valores morais. Foi por isso que o socialismo falhou. Porque achou que mudaria a natureza do ser humano. Todo homem sonha em um dia ser rico.
Posted by: Pitaqueiro at fevereiro 17, 2004 11:30 AMMarcus você disse “Uma sociedade profundamente desigual não dá oportunidade para que os ‘desafortunados’ desenvolvam seus talentos.” Dá sim. Há centenas de filmes (a maioria americanos) baseados em fatos reais sobre isto. Filmes como “Homens de Honra”, história que após o sistema de quotas será muito difícil que ocorra de novo. No Brasil há casos de desafortunados como Cartola e Garrincha que entraram para a história em suas respectivas áreas. O que você me diz dos “desafortunados” pela natureza como Aleijadinho? Há, porém, uma força acima de qualquer sociedade que faz o talento do maior dos desafortunados desabrochar e aparecer apesar de tudo, e que obriga a tal sociedade profundamente desigual curvar-se. (em breve escreverei sobre esses desafortunados de toda espécie que venceram espetacularmente).
Seu exemplo para o filho do pedreiro vale para o caso do país do pedreiro ser o Brasil, pois nos EUA, ser pedreiro, como disse o Cláudio, é o maior negócio. Esse pedreiro de seu exemplo poderia ir para os EUA e mandar dinheiro para o filho estudar medicina. Há que se virar. Não se pode viver no sertão nordestino passando sede e fome e reclamando de Deus. Se o sujeito for esperto, vai para São Paulo, arruma um emprego, mesmo com toda a dificuldade e pode até chegar a presidência da República.
Ninguém É desafortunado. ESTÁ desafortunado ou passando por dificuldade, TUDO pode mudar de um instante para outro, a história está recheada de exemplos. Além disto, só um pobre pode ficar rico, pelo jeito, você gostaria que TODOS fossem ricos. Isto seria terrível. Eu mesmo não tenho a menor vontade de ser rico, eu quero sinceramente precisar trabalhar enquanto eu viver. A situação financeira de alguém não define absolutamente em nada sua felicidade. Bem aventurança é viver com esperança. A fé é o grande bem, neste caso os pobres são os escolhidos por Deus pois é mais fácil ver descrença e desespero entre os ricos.
Você afirmou “ eles o são [desafortunados], via de regra, ou porque não têm trabalho, ou porque o trabalho que lhes é oferecido tem péssima remuneração, e não têm oportunidade de conseguir um trabalho melhor.” E conclui que a causa de tudo isto é o “modelo econômico”. Pronto, como diz o Cláudio, estamos dizendo a mesma coisa. O problema é de modelo econômico mesmo. Devemos imitar os países onde há menos desemprego. Os EUA, por exemplo, no ano passado, quando começou a guerra, a primeira coisa que o caipira Bush Jr fez foi baixar um pacote baixando alíquotas de impostos e baixando a taxa de juros. No final do ano os EUA cresceu 8,6% e teve um déficit de 5% do PIB, perguntadas, as autoridades econômicas de lá disseram, “pois é, nós poderíamos atender ao FMI e ter um déficit de 2% ou menos mas com isto teríamos 1,5 milhão de desempregados...”. Aqui, tivemos um superávit extraordinário, crescimento quase zero e desemprego alto como nunca. É tudo questão de modelo econômico mesmo. A culpa é de nossos políticos, não de nossos empresários.
Não acredito na relação pobreza/criminalidade. Por que na Índia não tem altos índices de criminalidade? Por que então São Paulo é mais violento do que o Piaui? A causa da criminalidade é moral. Os exemplos que você dá são exemplos disto. Desagregamento familiar, criminalidade, violência, abuso de drogas, gravidez adolescente, tudo isto são problemas morais... (falta de Deus).
Quanto ao problema científico, não vou entrar na seara, não é disto que trata a série, já expliquei que Darwin entrou naquele post de gaiato. Falaremos disto em outra hora. Esta série é qualquer coisa menos sobre ciência.
Sinto muito se você considera minhas respostas a você como tautológicas, talvez só me resta a tautologia mesmo, tudo que eu quis dizer está no post e vem mais posts por aí, não quero estragar a série revelando tudo em uma resposta, sorry.
O capitalismo do tipo laisser faire é responsável pelo maior salto positivo na qualidade de vida da história humana, quem disser o contrário ou advogar um modelo diferente é, no mínimo, vesgo. O culpado pela desigualdade é Deus que fez cada átomo do universo diferente. Todos devemos ser cristãos exercer a caridade e, automaticamente, estará na pauta de todos ajudar os necessitados. Você pelo jeito advoga que o “problema” da desigualdade deva estar na pauta do modelo econômico. No mercado todos tentam obter o melhor com o menor esforço, isto é o retrato da ação humana. Leia Von Mises, por favor, não tenho espaço para escrever tudo, ou algo menos tautológico.
Agora uma história que talvez lhe espante. O país onde há maior desigualdades é nos EUA. O país onde há maior igualdade é Cuba. Senão vejamos, nos EUA há o Bill Gates que tem 100 bilhões de dólares e tem meu primo que entrega pizza, nenhum dos dois está reclamando da situação, meu primo tem milhares de cabeça de gado no Brasil com o dinheiro que ele ganha entregando pizza em seu Honda Civic que é o carro de entregador de pizza nos EUA. Em Cuba não há quase desigualdade, pois todos são miseráveis (exceto Fidel e seus auxiliares). A desigualdade que vem da mecânica natural do capitalismo é a desigualdade do tipo americana. Toda tentativa, via Estado, de corrigir tais “injustiças” gerou igualdades do tipo cubana. (o terceiro texto da série é mais ou menos sobre isto).
Eu não disse em nenhum momento que acho linda a miséria nem sugeri que devemos deixar as coisas como estão, disse sim que “Tal desvio não pode ser atribuído ao capitalismo...” Também não chamei de natural qualquer “mecânica do capitalismo.” O que eu disse é que dentre as desigualdades uma delas é a econômica. Não há Marcus essa tal coisa de igualdade, você queira ou não. Mesmo dois vascaínos o são de modo diferente. Acabar com as desigualdade é destruir tudo, reduzir tudo a pó.
Como você pode dizer que em países com menor grau de desigualdade não há todos aqueles problemas. Os problemas morais que temos (Desagregamento familiar, criminalidade, violência, abuso de drogas, gravidez adolescente) não são problemas causados pela desigualdade. Nos EUA e em Cuba há também todos esses problemas Um adolescente engravida por que é pobre?! Não entendi.... O problema é pobreza de Deus e o conseqüente excesso de tédio.
Eu ia dizer uma coisa que o Alexandre disse “o capitalismo laisser faire é melhor justamente para os mais pobres”, tanto que quanto mais capitalista são, menos pobres tais países têm. Temos é que chamar os pobres brasileiros ao capitalismo, e eles serão os mais beneficiados. O Brasil será menos pobre com o capitalismo imperfeito como é. Se será melhor, sem violência, sem desagregamento familiar, sem criminalidade, sem gravidez adolescente, sem abuso de drogas? Duvido. Isto tudo tem também no rico EUA. A desigualdade é inevitável como a morte. Culpá-la é culpar Deus e isto é quixotesco, não leva a nada. E acho também que os “progressistas” tendem a dar soluções coletivas para problemas que são individuais. Eu acho que a desigualdade é um problema individual. Você acha que é coletivo. Acho que se colocarmos as coisas nesses termos, chego a conclusão que não chegaremos a lugar nenhum, pois partimos de pressupostos tão diferentes. Até para se discutir há que se concordar em algo, isto é, falar a mesma língua. Talvez o viés marxista de seu pensamento o faça ver as pessoas não como indivíduos, mas como integrantes de uma classe ou coisa do tipo.
Sobre sua desconfiança quanto os liberais, concordo, tenho até uma frase a respeito, que diz “O liberalismo é uma maravilha, já os liberais são uns tipinhos indignos da menor confiança. Isto vale para qualquer ideologia e para alguns religiosos também” (http://www.wunderblogs.com/protensao/archives/005464.html)
Cláudio, sobre a Coca-cola, estive recentemente em São Luís do Maranhão e lá é muito consumido o Guaraná Jesus provavelmente pelo preço, pois se trata de uma gororoba das mais terríveis, Se me chamassem para fazer um anúncio, faria algo assim “Guaraná Jesus: Deus me livre”, “Guaraná Jesus: Nossa Senhora de defenda”, “Guaraná Jesus: Deus meu por que me desamparaste?!”:- ))))
Marcelo, eu sigo o conselho de Francis que sugeria sempre, após uma ironia, dizer que trata-se de uma ironia.
Obrigado DGR e Alexandre pela participação especial.
"Maioria dos liberais clássicos"? Você está falando de quem exatamente? Seria legal parar de comparar "esquerdistas" com "liberais" e "conservadores" e começar a falar de algo mais real do que esses agrupamentos genéricos. Pessoas, por exemplo.
Posted by: Marcelo De Polli at fevereiro 16, 2004 09:01 PMSe eu vou num site e encontro algo parecido com "Abaixo a educação pública" também gostaria de saber por que o autor tem essa opinião. Se ele me disser "porque sim" não creio haver muito espaço para discussão. Mas o mesmo aconteceria se alguém dissesse "Viva a educação pública". Ora, por quê? Qual o ganho? Quais os riscos de perdas? Existe alguém que possa prover educação melhor do que o Estado? Se existe qual o risco de usarmos esse alguém? E os benefícios?
Não adianta lutarmos para ter educação pública, ou como gostam de dizer "gratuita", e depois os alunos das escolas públicas sairem da 8a. série praticamente analfabetos mas nós dormirmos com a consciência tranquila por termos dado educação aos menos favorecidos.
Posted by: Claudio at fevereiro 16, 2004 07:39 PMAlexandre, eu também não me considero "esquerdista", na medida em que não defendo o estado se metendo na produção e não vejo qualquer outro modelo econômico alternativo ao atual, principalmente após o fracasso do socialismo.
Mas também não enxergo na maioria dos liberais clássicos muita sensibilidade para a questão da desigualdade. Tenho o direito de desconfiar deles.
Acho esses modelos teóricos de estado mínimo e auto-regulação do mercado, pífios para melhorar o nível de vida das pessoas. Em todos os países que equacionaram essa questão (mesmo os EUA) o que existe é um estado forte, com programas sociais inclusivos e regulação do mercado.
Mas aí eu vou num site liberal, e leio alguém combatendo a existência da educação pública. Eu não tenho muita paciência pra isso, e vou logo questionando os fundamentos - a motivação de quem escreve. Isso é uma questão moral, por que não?
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 06:52 PMDGR, não pense que eu estou fugindo do debate se peço para não continuar nessa discussão de elegância ou deselegância. Ela já me cansou, mesmo eu estando de férias e com todo o tempo disponível para comentar. Espero que entenda.
Tenho mesmo uma certa tendência a usar o "golpe do vovozinho". Mas alguma vezes é uma reação a quem usa o "golpe da espiga". Discurpa aí, chefia.
* * * * *
Concordo com você, nem a direita nem a esquerda têm pensamentos monolíticos. Mas eu não vejo nos sites e blogs da direita o exercício do dissenso sobre esses temas, como estado mínimo, auto-regulação, etc. Só ficam inventando conspirações. O comunismo e suas mazelas, o fracasso do socialismo real, são o "golpe da espiga" da direita.
Minhas palavras são mais uma irritação com essa postura ideológica (no sentido mais puro do termo).
Já na esquerda eu vejo muito mais debate franco sobre isso. Eu costumo dizer que a ascensão de um governo de esquerda que implementa um programa misto, com toques liberais, aumentou a complexidade do debate político brasileiro. E isso não tem nada a ver com ser contra ou a favor do Lula.
* * * * *
Eu não me fiz entender de novo na questão da desigualdade "gerar" ou "agravar" os problemas sociais. Mas a redação apressada é tão culpada quanto a leitura apressada (e defensiva). O que eu quis dizer é: sim, a desigualdade não gera, apenas agrava os problemas. E daí? Ela é, de qualquer forma, a responsável pelo estado de coisas.
Caso você queira discutir esse assunto, podemos fazê-lo. Se estiver de saco cheio, eu entendo. Para mim é relevante, pois acho que os conservadores tendem a dar soluções individuais para problemas que são sociais.
* * * * *
Eu acho que as respostas "a", "b", "c" e "d" foram muito claras. Agora, não vou escrever tese sobre isso. Não tenho competência nem saco pra isso, mas sei que o IDH não é um ranking, é um índice que mede as condições de vida. Não é preciso ser doutorando em economia pra saber disso.
* * * * *
Eu não disse que a moral não entra na minha cabeça. Pra mim ter um senso moral é pressuposto de estarmos nesse debate franco, sem estarmos ganhando nada pra isso nem almejarmos a vencer uma eleição.
Tenho senso moral, se ainda preciso esclarecer. Mesmo que eu o entenda como algo "historicamente construído" e patati patatá (penso em Nietzche e não nos marxistas).
O que eu disse é que a moral não é um bom instrumento para análise econômico-social.
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 06:39 PMLiberais estão convencidos que o liberalismo econômico acaba por diminuir a desigualdade, Marcus. Não há liberal que não defenda a maior eficiência da pouca atuação do estado, o quanto isso é melhor para as próprias pessoas com pouco dinheiro. Eu nem mesmo sou liberal, mas dizer que liberais não se importam com os pobres, são indiferentes e acendem o charuto com dinheiro, enquanto a esquerda é aquela que se importa, é uma caricatura.
Posted by: Alexandre at fevereiro 16, 2004 06:10 PMMarcus,
Não fui deselegante. Melhor do que negar, aponte-me onde faltei com a elegância.
Ok, vamos usar o velho Chopp. Pedir para apontar caso a caso a distorção é outra forma de exaurir o oponente, seja prendendo-o numa rede de detalhes, seja minando a atenção do público.
Você mesmo reconheceu que botou palavras na boca do Cláudio, e sem que eu precisasse apontar. Ahm, Ahm?, nudge, nudge.
O fato de você fugir de minha opinião como neurologista para falar de esquerda e direita é outro indício.
Você introduz dois conceitos que não estavam em jogo, esquerda e direita e a idéia de que a direita como um todo advoga Estado hipermínimo e capitalismo auto-regulado (alias, estas duas últimas idéias são opostas em algumas linhas de pensamento das direitas e das esquerdas).
Daqui a pouco alguém vai tomar o pressuposto oposto e implícito, de que esquerda e socialismo são completamente equivalentes e teremos uma confusão ainda maior.
E mais, dizer que gracinhas são uma forma de desqualificar o oponente é ir com muita sede ao pote da martirização neste caso. Pergunte antes de acusar. Eu escrevo ashim porque pensho ashim. Nem todo mundo quer chamar o outro de otário, muito menos fazendo o próprio texto de vítima.
Mas, usar do recurso de se fazer de vítima é deselegante. Se foi um mal-entendido, está ok de minha parte, peço desculpas e ofereço as minhas.
Se você diz que é irrelevante se a desigualdade gera ou agrava problemas sociais, então a idéia de “escada” não deve mesmo fazer sentido para você. E se essa questão de desigualdade é mesmo irrelevante, então você não pode negar nem afirmar que a moral não tem relação aos problemas levantados, já que refuta qualquer relevância.
E, sendo irrelevante se a desigualdade gera ou agrava problemas, o que você afirmou lá atrás sobre querer discutir os problemas sociais que a profunda desigualdade gera também não faz sentido.
Sobre o sexo dos anjos, bom, nunca comi nenhum. E isto não é ironia, mas a dura realidade.
Em suas opiniões a, b, c e d, não fica claro onde nem como um modelo econômico pode dar conta de avaliar a realidade. Também faltam os dados desse modelo, sobre a nababice e a má alimentação entre um oposto e outro.
Aceitar ou não que a desigualdade se perpetue é uma decisão moral, mas se a moral não entra na sua cabeça, como ficamos? Devo desconsiderar que não podemos aceitar a desigualdade? E se existe um limite aceitável, qual seria? Por favor, não há ironia aqui, o IDH é um ranking, de que forma ele pode nos ajudar?
Posted by: DGR at fevereiro 16, 2004 05:51 PMComo não posso postar links, aqui está o endereço:
www.opasquim21.com.br/index.asp?Flag=Entrevista&Edicao=097&img=Entrev
Para quem acha tudo fantasioso, é interessante o depoimento de Mr. Manson, do Cacadaboa, aqui:
http://www.cocadaboa.com/archives/003615.php
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 05:08 PMCláudio, desculpe se eu coloquei palavras na sua boca. Seu comment tinha uma redação meio enigmática, e em dado momento eu não sabia se era você argumentando ou vocalizando as minhas próprias idéias.
Mantenho a opinião (agora, se for o caso, exclusivamente minha) de que os liberais não se importam com a desigualdade. A crítica à educação pública é um exemplo da indiferença em relação à falta de oportunidades profissionais para as classes baixas. Podemos discutir esse assunto, se você desejar.
Meu exemplo da Coca-Cola foi muito apropriado, tendo em vista as canalhices que ela tem praticado contra seus concorrentes. Ela não tem 100% do mercado, mas faz de tudo para não ter menos de 55%. O Pasquim 21 publicou uma entrevista elucidativa com o proprietário do refrigerante Dolly sobre isso. Está aqui (pode links aqui no comment?).
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 05:07 PMMarcelo, não pense que eu não sei reconhecer ironias. Você é que demonstra não ter entendido as minhas.
É muito fácil divergir desqualificando o oponente. Normalmente, isso ocorre com pessoas que se acham tão brilhantes que não precisam explicar ou justificar aquilo que falam.
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 04:58 PMDGR, eu estava esperando o primeiro que seria deselegante pelo simples fato de ler um texto divergente.
É muito fácil dizer que eu estou distorcendo as palavras dos outros, sem indicar claramente onde está a distorção. É muito fácil não jogar limpo, como já mostrou o Schopenhauer (Dialética Erística).
Não fui eu que insinuei que meu oponente tem problemas mentais. Não sou eu que estou colocando gracinhas ortográficas no texto para desqualificar intelectualmente o meu interlocutor. Estou discutindo exclusivamente sobre o conteúdo do que está sendo postado.
Isso é usar alguém "de escada"? Comentar exclusivamente o que está sendo postado? Sendo que o próprio autor não se digna a responder mais do que tautologia? Muito confusa a sua afirmação.
Só com muita desatenção (ou má-fé) dá para afirmar que eu não estou sendo claro. Mas já que você insiste, vamos lá:
a) não subscrevo as idéias do post, pois não concordo que "ninguém é culpado" pela desigualdade. Acho que os que advogam um modelo econômico onde a desigualdade não está em pauta estão contribuindo para perpetuá-la.
b) desigualdade profunda pode ser, por exemplo, a de um país onde a elite tem nível de consumo nababesco e uma grande parcela mal consegue se alimentar direito. Existem modelos econômicos para medir distribuição de renda, não? É tão difícil assim?
c) talvez eu não divirja "de onde vem" a desigualdade. Como disse o César, é possível que venha da mecânica "natural" do capitalismo. O que eu questionei é que não se pode aceitar que ela se perpetue.
d) acho que existe um limite aceitável de desigualdade, decorrente, como disse o Cláudio, da própria diferença de talentos, aptidões e vontade das pessoas. E como já disse antes, os próprios economistas têm meios de medir isso, inclusive através do IDH.
Discordo veementemente de que os problemas sociais que eu apontei tenham "relação mais direta com a moral". Isso pode valer individualmente, mas a sua aparição como fenômeno social tem causas econômicas e sociais. Tanto que em países com menor grau de desigualdade tais problemas são quase inexistentes.
Tanto faz se a desigualdade cria ou agrava os problemas. Isso é sexo dos anjos. Existe uma diferença enorme entre 0,5% e 15% de gravidez adolescente. Uma diferença qualitativa, e não apenas quantitativa. Não é a moral a responsável por isso.
Sobre "persistência da ilusão", bem, eu acho que a direita, ao advogar a viabilidade de um capitalismo auto-regulado e de um Estado hipermínimo, está muito mais iludida do que a esquerda, que na atualidade tem se limitado a buscar uma maior equanimidade na questão social.
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 04:46 PMJá começo a desconfiar de que a incapacidade de reconhecer ironias pode ter fundo neurológico. Uma lesão no lobo pré-frontal, talvez, semelhante à lobotomia? Humm.
Anotação: assunto para próximo artigo na revista Nature.
Posted by: Marcelo De Polli at fevereiro 16, 2004 02:00 PMMarcus, você distorceu completamente o que eu disse. Foi como se eu dissesse que a Física não trata da dor das famílias que perderam seus entes em um acidente de carro mas sim do deslocamento das massas durante o impacto dos veículos e você afirmasse que eu disse que os físicos não ligam para a dor dos familiares.
Pra não ficar dúvida sobre o que você disse:
"Os liberais, é claro, não estão nem aí se apenas uma ínfima minoria das classes baixas consegue uma boa qualificação."
De onde você tirou isso do meu texto???
Seu exemplo da Coca-cola foi infeliz. Procure dar uma passeada nos bairros da Zona Norte e você verá marcas de refrigerantes que ocuparam justamente a faixa de mercado que a Coca-cola não fisgou por causa do preço.
Posted by: Claudio at fevereiro 16, 2004 01:16 PMMarcus, ou você está distorcendo deliberadamente as palavras dos comentaristas ou os problemas, que você afirma ter quando ouve "moral" e "culpa" ligados a "questões econômico-sociais" são de ordem mental, o que faria par com a afirmação do Marcelo sobre a neurologia.
Talvez você queira discutir a desigualdade enolme, glande e malvada e suas conseqüências terríveis usando os posts do César Miranda como escada.
Se é assim, que tal definir os problemas que você debate e os limites deles com os posts ainda incompletos?
Dizer que liberais não se importam com os problemas que você discute não faz sentido, principalmente se não disser quais são esses problemas.
Quando você diz que não discute a desigualdade em si, mas sim a profunda e suas conseqüências, você subscreve as idéias do post? E qual é essa desigualdade profunda? De onde vem? Qual a relação dela com as idéias do post? Há um limite, um grau aceitável de desigualdade? (a natural, a profunda, a causada pelo capitalismo, a dos liberais que não se preocupam, a dos que têm problemas?) E, se há, quem calcula esse grau entre a desigualdade "em si", como você diz, e a profunda?
Parte da lista de problemas que você citou podem ter relação mais direta com moral, culpa e problemas mentais do que com a desigualdade profunda. E se eu entendi o que você quer dizer com desigualdade profunda, ela seria um fator que contribuiria para todos esses problemas, mas não seria a causa. E aqui suas idéias derrapam, porque ou vamos discutir a que a coisa gera de problemas sociais, como você queria, ou vamos discutir os problemas que ela agrava.
Por fim, como neurologista, afirmo que a ilusão persistente é sintoma de várias patologias, a maioria delas ligadas a condições de paranóia. Se a paranóia é a patologia em questão, se ela é fruto de esquizofrenia ou se acompanha outra neurose mais profunda, só o saberemos caso a caso.
Nada disso contradiz a idéia de que a persistência na ilusão não seja caso de pinel.
E como as falácias do socialismo estão demonstradas há tempos, persistir nele, ouvindo ou não apelos da moral, configura o caso que o Marcelo descreveu.
Posted by: DGR, md at fevereiro 16, 2004 12:29 PMVocê diz Marcelo, que não culpa "a desigualdade por nenhum problema social" e tem "problemas em entender quem o faça".
Pois eu tenho problemas em entender quem usa termos como "culpa" ou "moral" para analisar questões econômico-sociais. E quem tapa os olhos para a realidade.
Não estou falando de desigualdade em si, mas da miséria que a desigualdade profunda gera.
Você pode culpar ou deixar de culpar quem quer que seja, mas o fato é que a miséria gera SIM um monte de problemas sociais. Vejamos: evasão escolar, analfabetismo, desagregamento familiar, criminalidade, violência, abuso de drogas, gravidez adolescente, doenças mentais, epidemias, e um monte de outras coisas que não caberiam nesse comment.
Como o Cláudio já explicou que os liberais não se importam com isso, quem se importa é logo rotulado de socialista. Rótulos são muito úteis na guerra ideológica.
Eu acho gozado quando leio que "quem pensa em socialismo quando ouve falar em moral tem alguma deficiência que já deve entrar no campo da neurologia".
Qual deficiência, mesmo? Gostaria de ouvir uma opinião científica sobre isso. Será que algum neurologista chancelaria tal afirmação?
Ah, mas o primeiro post da série já me deu uma noção da capacidade dos conservadores de dialogarem sobre questões científicas...
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 03:02 AMO que eu quis dizer com "desigualdade" está muito claro, Cláudio, afinal isso foi objeto do próprio post do César. Ele falou numa desigualdade econômica "natural", e eu disse que o liberalismo defende um capitalismo "natural", onde obviamente tal desigualdade se manteria.
Você tem razão quando diz que o liberalismo não prega a desigualdade social, apenas não se importa com ela. Mas é justamente essa a questão. Passemos à refutação de seus argumentos irreais:
a) "O liberalismo prega que todos sejam livres para explorar seus talentos".
A oferta de mão de obra tem menos a ver com talentos do que com OPORTUNIDADES. Uma sociedade profundamente desigual não dá oportunidade para que os "desafortunados" desenvolvam seus talentos.
Um filho de pedreiro pode até ter um talento hipotético para ser médico, mas como vai conseguir se dedicar seis anos exclusivamente à Universidade? Tendo em conta uma Universidade gratuita, tão combatida pelos liberais, e abstraindo a dificuldade de sequer entrar lá.
É óbvio que para ele é mais viável aprender o ofício do pai, mesmo não tendo um talento especial para isso e sendo uma profissão de ganho modesto.
Os liberais, é claro, não estão nem aí se apenas uma ínfima minoria das classes baixas consegue uma boa qualificação.
b) "E os desafortunados? Bem, o liberalismo não trata disso pois trata-se de caridade e isso nada tem a ver com modelos econômicos".
Os desafortunados o são por vontade divina? Por obra do destino? Não, eles o são, via de regra, ou porque não têm trabalho, ou porque o trabalho que lhes é oferecido tem péssima remuneração, e não têm oportunidade de conseguir um trabalho melhor.
Isso não é uma problema individual de cada miserável, é um problema de uma grande parcela da população. Não é a caridade que vai resolver isso.
Se o problema de desemprego e dos baixos salários não fosse uma questão de modelo econômico, não seria estudado nos cursos de economia, oras.
Será que eu preciso falar dos ganhos gerais para a economia, advindos de uma menor desigualdade, e por extensão menor tensão social (menos criminalidade, por exemplo)? Das vantagens de uma educação universalizada? Isso é uma questão apenas de "caridade"?
c) "Por mais simplório que pareça é sempre a tal vontade do consumidor que comanda o espetáculo.
Os empresários não gostam disso nem um pouco e sempre que podem tentam descolar junto ao governo um monopoliozinho aqui e outro acolá".
Tem muitos que não precisam "descolar" isso do governo. Às vezes basta usar o seu poderio de mercado, praticar dumping e esmagar os concorrentes de forma desleal. Sem contar outras coisas piores, como essas que a Coca-Cola anda fazendo aqui, por exemplo.
Exatamente por influência do liberalismo, o Estado deixa de ter um papel regulador, ficando o mercado refém de grandes corporações que deixam as coisas cada vez mais distantes desse mercado ideal que habita as fantasias dos liberais.
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 16, 2004 02:35 AMConcordo que é moralmente deplorável acumular dinheiro e ignorar a miséria em volta, mas isso não faz de mim um socialista. Não culpo a desigualdade por nenhum problema social (e tenho problemas em entender quem o faça), mas isso não faz de mim um liberal. Quero apenas viver num país onde seja possível entender as duas afirmações acima AO MESMO TEMPO. Até porque quem pensa em socialismo quando ouve falar em moral tem alguma deficiência que já deve entrar no campo da neurologia. Isso tudo para dizer que gostei muito do post. São idiossincrasias como esta que fazem tudo valer a pena.
Posted by: Marcelo De Polli at fevereiro 16, 2004 12:10 AMTá ficando interessante...
Primeiro devemos entender o que Marcus quis dizer com "desigual". Temos duas opções:
(A) O liberalismo prega que todos sejam livres para explorar seus talentos. Como cada ser humano é diferente um do outro, possuirão talentos diferentes. Ponto, acaba aqui. O liberalismo não fala nada sobre as pessoas atribuirem maior valor a um CD de pagaode do que a um CD de música clássica.
Aí surge a pergunta: E os desafortunados? Bem, o liberalismo não trata disso pois trata-se de caridade e isso nada tem a ver com modelos econômicos.
(B) O liberalismo prega que deve haver diferença econômica entre as pessoas. Nah! O liberalismo "couldn't care less" com a desigualdade econômica. Ela só ocorre porque num dado momento os consumidores valorizam mais os talentos de um determinado grupo de pessoas do que os de outro. Inclusive, tendo a pessoa liberdade para explorar seus talentos ela tem a mobilidade para buscar áreas onde os ganhos sejam maiores.
Tá mas e os desafortunados: mesma resposta dada na hipótese A.
Um belo exemplo de como a desigualdade é consequência da oferta e da demanda.
Aqui no Brasil um pedreiro ganha uma mixaria. Por que? Porque as pessoas valorizam pouco o trabalho do pedreiro? Nah! Porque a oferta deste tipo de mão de obra é muito grande puxando o preço do serviço para baixo.
Já nos EUA trata-se de uma profissão com boa remuneração a ponto de criar um outro mercado de produtos no estilo "faça-você-mesmo". O preço da hora de um pedreiro pode chegar a valores proibitivos para uma família de classe média. Cadeias como a Home Depot são especializadas em fornecer produtos e treinamento para que seus consumidores não tenham que contratar uma mão de obra tão cara.
Por mais simplório que pareça é sempre a tal vontade do consumidor que comanda o espetáculo. Os empresários não gostam disso nem um pouco e sempre que podem tentam descolar junto ao governo um monopoliozinho aqui e outro acolá.
Posted by: Cláudio at fevereiro 15, 2004 09:59 PMEu ia divergir, mas deixa pra lá. Esperemos a continuação da série.
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 15, 2004 08:59 PMMarcus, o culpado é o gosto do público. Como o gosto do público não é alguém, logo, ningúem é culpado.
Posted by: César Miranda at fevereiro 15, 2004 08:35 PMO capitalismo não é um sistema doutrinário, mas o liberalismo, que pretende mantê-lo em sua face mais "natural" e desigual, o é.
Dizer que "ninguém é culpado" significaria que ninguém tem influência na forma como o capitalismo funciona e é gerido, o que sabemos muito bem que não é verdade.
Posted by: Marcus Pessoa at fevereiro 15, 2004 07:56 PMAve César,
Devemos dar graças ao Deus, porque Nosso Senhor tudo provê e porque sua bondade é infinita.
O trabalho é uma dádiva, incluso quando este é vender software.
Abraço fraterno e Saudades!
BetoQ.