fevereiro 26, 2004

COMO AUMENTAR O DESEMPREGO

Ninguém monta um negócio só por patriotismo. Só se é empreendedor porque, com isto, haverá a possibilidade de ganhar dinheiro. O ambiente deve estar de modo que os empreendedores não tenham a mínima dúvida de que o melhor negócio é mesmo montar um negócio. Sem essa segurança, as chances de novos empregos são pequenas. Como se sabe, só existe emprego se existir patrão. No Brasil, o cenário está perfeito para amedrontar empreendedores. Escrevam aí o qualificativo perfeito do governo ideal: “Paparicador de empreendedor”.

Posted by César Miranda at fevereiro 26, 2004 10:07 PM
Comments

Cláudio, lembro-me de uma história que o Maluf conta de que na época de inflação alta, uma autoridade americana em diálogo com ele ao ouvi-lo dizer que inflação daqui era de 80%, ficou abismada e perguntou como um país sobreviver com uma inflação de 80% ao ano. Maluf diz que ficou calado, não teve coragem de retrucar e esclarecer que era ao mês...
O que digo dos bancos é justamente isto mesmo que o professor Nivaldo afirma, o papel dos bancos no Brasil está errado, seria como um juiz de futebol ganhasse mais do que o Ronaldinho.
Márcio, concordo que devemos nos preocupar com um cenário onde os bancos têm prejuízo mas devemos também nos preocupar com o lucro excessivo deles. Seria como o guardador de carros receber salário maior do que o do Maitre. A culpa de tudo isto não é dos bancos e sim do Estado, com isto estamos de acordo.
Um grande abraço, obrigado pelos comentários.

Posted by: César Miranda at fevereiro 29, 2004 07:32 PM

Márcio, de pleno acordo.

Posted by: Cláudio at fevereiro 28, 2004 05:25 PM

Opa César, não fale assim de seu 'ps' - se não fosse ele (e os comentários malucos a um 'post' lá do Soares Silva), não teria nada para me entreter no ataque de insônia que tive.

Quanto ao ser lamentável a especialização dos banqueiros em financiar a dívida pública e não o setor privado, concordo, mas faço apenas um adendo: o lamentável aqui não é a atitude do banqueiro, e sim a do setor público, que, ao gastar mais do que arrecada durante tanto tempo (e por possuir um histórico horroroso de caloteiro e mal pagador), acaba por obrigar o mercado a cobrar juros altíssimos para qualquer empréstimo que seja feito ao governo (e isso devido à percepção de risco dos banqueiros, e não à sua maldade intrínseca ou coisa que o valha). Assim, como a SELIC remunera melhor e com risco praticamente zero os banqueiros (se o governo não tiver dinheiro pra pagar a dívida pública ele aumenta a oferta monetária da economia, gera inflação, e paga seus compromissos), não sobra quase nada pra expansão da cadeia de restaurantes planejada pelo Joaquim (a grana que sobra tem um custo altíssimo, inviável).

Uma últimas observação: uma das melhores medidas da 'saúde' de uma economia é a 'saúde' do seu sistema financeiro. Não devemos nos preocupar com o lucro excessivo dos bancos - mas devemos sim nos preocupar com a possibilidade da existência de cenários em que os bancos comecem a ter prejuízo, começam a quebrar e coisas do gênero.

Abraços;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at fevereiro 28, 2004 03:51 PM

Lamentavelmente, como bem disse o Nivaldo Cordeiro em recente artigo, os bancos brasileiros se especializaram no financiamento da dívida pública (que dá um baita de um lucro) e não cumprem (não estou entrando no mérito do porquê) o papel de fornecedores de crédito para os empreendedores.

Causo pra descontrair: um colega português que trabalha no escritório de Londres veio trabalhar um tempo aqui no Brasil. Ele estava juntando dinheiro para comprar uma casa em Portugal e, certo dia, ao pesquisar na Internet planos de financiamento, se indignou com os juros cobrados pelos bancos:

- Fuck! 4% de juros!!!
- Ao mes? - perguntamos.
- Bloody hell, no!!!!! Por ano!

Quase espancamos ele ali mesmo...

Posted by: Cláudio at fevereiro 28, 2004 01:01 PM

Se eu não tivesse feito esse ps, que me ocorreu um segundo antes de postar, não estaríamos com esse papo. Deixa eu resumir para ver se me safo ou para ver se discutimos o que realmente interessa que é o post. Banqueiro deve pegar o dinheiro poupado e negociar com ele, quanto mais dinheiro poupado houver mais ele fica barato (juro é isto, o preço do dinheiro, dinheiro é uma mercadoria também e é mais barata ou mais cara de acordo com o nível de poupança do país, claro que me refiro a um país ideal onde o mercado determina os juros e não um governo que deve até as cuecas, que o faz para rolar a própria dívida). O lucro do banqueiro vem daí, no Brasil, um país onde os empreendedores são perseguidos não era para banqueiro lucrar tanto, tem alguma coisa errada. Como pode um sistema logístico ser mais rico do que a atividade da ponta?! Veja a lista dos mais ricos, o do clube do bilhão, veja se tem algum banqueiro dentre os primeiros bilionários americanos (em segundo lugar está um especulador, o que é uma lástima). Já no Brasil... Banqueiro, como todo subsistema logístico de produção NÃO DEVE APARECER, é um tipo de gente que quando chama a atenção é por que algo está errado. Quanto aos especuladores é uma raça a ser exterminada, é uma laia que não nos têm servido para nada, ninguém come ação, ninguém veste debêntures, e etc, precisamos de empreendedores, de gente que monte supermercado, farmácia, açougue, padaria, vamos parar de teorias. Especulação financeira é uma coisa a ser inibida. Meu nome é César!!!!!!!!!!!!!
Vamos fazer assim, vou deletar o ps, deixo aqui registrado que neste post havia um ps, havia um ps neste post, nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tao fatigadas. O ps dizia "ps – Banqueiro e especulador não são os empreendedores, mas isto é assunto para outro post." O que significa que o assunto vai voltar um dia sim.
Agora falemos do governo que consegue ser pior do que as piores previsões. Os mais pessimistas diziam que íamos crescer 0,2%. Agora vem a realidade e nos mostra que DECRESCEMOS 0,2%. Os banqueiros e especuladores estão achando ótimo. Oh não, esse assunto de novo, não...

Posted by: César Miranda at fevereiro 28, 2004 12:29 PM

O lance é que o termo "especulador" acabou ganhando uma conotação negativa. Quem tiver o Aurélio pode comprovar isso. Veja a definição de "especular" e essa de "especulador":

"3. Indivíduo que age de má-fé, procurando tirar proveito de uma situação, de determinada coisa."

Posted by: Claudio at fevereiro 27, 2004 05:10 PM

Bom, o sono ainda não me derrubou, mas não vou entrar profundamente na discussão dos "especuladores" neste momento - vou apenas fazer algumas perguntas para nortearmos a discussão a esse respeito (eu ainda não tenho opinião formada em relação às questões que vou abordar aqui):

Digamos que um "especulador", para se proteger e faturar um trocado, diante de um cenário econômico em que uma possível desvalorização do real frente ao dólar é iminente (ao menos para ele, o "especulador"), venda seus ativos em real (ações da Petrobras, por exemplo) e compre com os reais que conseguiu com a venda um punhado de dólares, estaria ele agindo "contra" algum preceito moral ou legal? Digamos que ele espere seis meses após ter feito a operação citada, e então, vendo que sua previsão de desvalorização do real frente ao dólar se concretizou, volte para o mercado brasileiro com aquele mesmo punhado de dólares, e, conforme seus planos, compre reais (agora mais reais do que aqueles que ele recebeu ao vender as ações da Petrobras, pois a moeda se desvalorizou frente ao dólar), e com eles, compre novamente ações da Petrobras (mais ações do que antes - suponhamos que as ações não tenham mudado de preço, o que faz com que ele possa comprar mais ações já que houve a desvalorização); me diga - esse aumento da riqueza que sua atividade especulatória possibilitou é, de alguma forma, imoral? Deve ser restrito, impedido? Não a mesma decorrente de uma correção no sistema de preços, necessária ao funcionamento de qualquer economia capitalista (há aquele ensaio do Mises destacando as barreiras a essas correções, oriundas que eram do mau funcionamento do sistema de preços nas economias socialistas, como uma das principais razões para a sua futura derrocada econômica - ensaio profético, diga-se de passagem)? E, se restringimos os direitos de comercialização dos ativos do "especulador", não estaríamos interferindo em seu direito de propriedade, começando a trilhar o tal "Caminho da Servidão" do Hayek?

Um abraço;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at fevereiro 27, 2004 06:36 AM

César, mais algumas observações antes que o sono me derrube:

1. "Sistema financeiro" é de fato uma generalização que obscurece mais do que esclarece a natureza da pergunta que fiz em meu comentário anterior. Permaneço dizendo que sem "sistema financeiro" (ou sem a "reta LM", do modelo "IS-LM", pra trazer a coisa pra uma linguagem simples e direta) não existe economia capitalista, ao menos com algum nível de complexidade (pois a própria possibilidade de que uma economia minimamente complexa não possua numerário para efeito de comparação de preços e direcionamento das preferências reveladas é contraditória, já que caso o referido ocorresse, um espírito empreendedor trataria de resolver esse problema para tornar o sistema mais eficiente).

2. A "Bolsa" que você mencionou é apenas uma conseqüência do funcionamento do mercado: uma empresa - ou um "clube", caso prefira - que fornece a seus clientes - ou associados, mais uma vez - a oportunidade de fazer transações comerciais dentro de um ambiente de relativa tranqüilidade, com regras padronizadas, garantias mínimas, e operação diária da compensação das transações feitas. É uma empresa como outra qualquer, fruto do empreendedorismo de agentes que exploraram as possibilidades de lucro que tal organização forneceria. Como você dave saber, há vários tipos de bolsa, e diversas "bolsas" diferentes, com clientes diferentes, e não necessariamente uma "Bolsa" única por país, estado, ou cidade.

Um abraço;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at fevereiro 27, 2004 06:06 AM

Oi César;

Não creio que seja fundamental à questão de se um banqueiro pode ou não ser qualificado de "empreendedor" o fato de ser ou não o mesmo mero operador "logístico" de transações financeiras. No entanto, faço duas ressalvas:

1. Se não escandi meus argumentos ao ponto de precisar de que forma banqueiros "financiam" empreendimentos, foi por não achar necessário explicar o óbvio. Mas já que o ponto foi abordado, é importante lembrar que quem "financia" empreendimentos são sim banqueiros, através do dinheiro que lhes foi confiado por correntistas. E isso se deve ao fato de que a avaliação do destino que será dado ao dinheiro é feita pelo banqueiro - caso não fosse, estaríamos tratando aqui de corretagem e corretoras, e não de atividade bancária e bancos, distinção importante ao se discutir economia (é claro que bancos às vezes exercem atividades de corretagem, e corretoras por vezes atividades bancárias, mas mesmo assim, é importante frisar novamente - são atividades distintas). Talvez você quisesse dizer que não é "o dinheiro dos banqueiros" que financia empreendimentos, e sim o dos poupadores - ora, seria impossível discordar nesse caso.

2. Digamos que fosse apenas logística a atividade dos bancos - e que, para efeito de simplificação, os mesmos tivessem por função apenas o carregamento do dinheiro dos poupadores até o endereço pelos poupadores especificado (excluindo a avaliação do destino do dinheiro do escopo de atuação dos banqueiros) - não seria a exploração dessa oportunidade de lucro através da prestação de um serviço de transporte algo a ser explorado por agentes dignos do adjetivo "empreendedores"?

Um abraço;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at fevereiro 27, 2004 05:51 AM

Vejo, na minha visão de leigo [burro], todos como agentes e padecentes da economia. O que se produz de bens materiais interaje com o dominio financeiro numa mútua relação para compor o universo econômico. O bem que os Bancos trabalham é o dinheiro e suas variações. Acho que é isso.

Posted by: Pimenta at fevereiro 27, 2004 01:11 AM

Nem todos os empreendedores dispõem do capital necessário para tocar suas idéias no momento exato. Aí entra o banco para forncer o que o empreendedor precisa: grana.
Aliás, junto com o governo sangue-suga, a falta de crédito (no final das contas causada também pelo governo) para os empreendedores é também uma causa para a ridícula quantidade de empresas pequenas/médias no Brasil.

Eu diria que, enquanto o marceneiro é um empreendedor que sabe forncer móveis, o banqueiro é um empreendedor que sabe fornecer capital.

Posted by: Cláudio at fevereiro 27, 2004 01:03 AM

Márcio,
A referência a banqueiros e especuladores não traz nenhum desprezo. Apenas afirmo que eles não são OS empreendedores.
Os banqueiros não financiam ninguém, eles são intermediários. Quem financia é a poupança da população. O trabalho do banqueiro é meramente logístico.
Sem sistema financeiro não existe mercado? O que você chama de “sistema financeiro”? A Bolsa?! Sem a Bolsa o mercado não existe?!?!? Os especuladores podem quebrar um banco, podem afundar as contas de um Estado, mas para se erguer um país é preciso empreendedores plenos de confiança.

Posted by: César Miranda at fevereiro 26, 2004 11:00 PM

Não sei se a referência a banqueiros e especuladores trai por eles um certo desprezo. Se é o caso, duas observações:

1. São os banqueiros que financiam os "empreendedores" - ou é possível "empreender" sem capital? Sem sistema financeiro não existe mercado e, por conseqüência, não existem empresas. Warren Buffet não é menos empreendedor do que o Bill Gates.

2. Não há nada mais necessário ao mercado do que os "especuladores" - a gana de lucro dos mesmos (os vilões da "terceira via" ou social-democracia, tanto faz) é o que garante que os preços contenham em si todas as informações referentes aos ativos aos quais se relacionam. Não seria o caso de reconhecermos, portanto, que também o "especulador" é um "empreendedor"?

Abraço;
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at fevereiro 26, 2004 10:47 PM
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