Lembro quando eu era pequeno lá em Redenção, sul do Pará, tinha o "irmão Horácio", um crente da Assembléia de Deus, que tocava ao violão lindos hinos. Um dia vi o irmão Horácio em um público de um homem da cobra (aqueles caras que vendem remédios que cura tudo, vejam Lisbela e o Prisioneiro e saberão), pois bem, o "irmão Horácio" fumava (!!!). Soube que ele deixara de "ser crente", se "desviara" da Assembléia de Deus. A primeira coisa que o "irmão" fez quando saiu da igreja foi fumar. Se ele gostava ou não do cigarro não sei nem importava, o importante era o simbolismo do ato. Fumando ele dizia para todos, "vejam, saí da igreja, não sou mais crente". Depois aprendi que este é um dos padrões de quase todo ser humano, o de ser absoluta e radicalmente contra os procedimentos que adotava na semana passada, bastando para isto uma mudança súbita de crença. Parece que o sujeito fica desesperado para provar que não é mais aquele. Pois bem, foi o que o governo Lula, através do seu ministro da previdência, fez na quinta-feira, dia 06/11/2003, com os velhos de mais de 90 anos, todos postos automaticamente em condição de suspeitos de fraudes, no final das contas para única e exclusivamente conseguir superávit primário exigido pelo FMI (outrora demonizados, o superávit e o Fundo), cobrar os sonegadores, nem pensar! Depois o ministro retirou a ordem do tal recadastramento porque a base pediu (isto é, o sofrimento dos velhos não lhe comoveu, mas o risco de sofrer algum prejuízo eleiçoeiro lhe foi inadmissível). Gente deslumbrada com poder é dose! Não se maltrata os velhos impunemente, eles são os seres mais poderosos da terra justamente porque são os mais fracos. Deus é o guarda-costa dos fracos. Se eu fosse esse ministro da previdência, faria uma novena.
Posted by César Miranda at novembro 10, 2003 07:16 AM