Mindinho, Seu vizinho, Maior de todos, Fura-bolo, Polegar e os dedos do pé (já vi gente com seis dedos em cada mão e seis dedos em cada pé, será que têm nome esses dedos sobressalentes?). Não fiquemos chupando o dedo, vamos pô-los na ferida.
A inclusão digital nas suas formas mais rudimentares, isto é, no seu nascedouro, não pode ser considerada em si um dado cultural, ela ocorre em todos os animais - a partir dos artrópodes - evidentemente, uma vez só pratica ou pode pratica a inclusão digital quem tem dedo. Logo, chegamos assim a nossa primeira grande conclusão: “a inclusão digital é analógica”. Acompanha o ser humano desde os primórdios da humanidade, desde o seu nascimento até a sua morte. Algumas vezes é prazerosa, outras vezes é dolorida. Impõe-se, pois, um tratado que esclareça as vantagens e desvantagens da Inclusão Digital, doravante chamada aqui apenas pelas iniciais ID.
A ID pode ser feita com todos os dedos, dependendo da situação.
Pode ser autônoma ou heterônoma. Diz-se autônoma quando o inclusor é o próprio incluído, diz heterônoma quando a inclusão se dá com o dedo de outrem. A ID heterônoma se divide em interna e externa. A externa é quando o aparelho inclusor é alheio ao dono do dedo, quando a inclusão se dá em uma tomada, por exemplo.
FATORES QUE FOMENTAM A ID:
A fome ou a fadiga e mais tarde o vício faz com que as crianças pratiquem a ID na própria boca;
Para experimentar a própria meleca, crianças enfiam o dedo no próprio nariz, na idade adulta, embora dispensem a meleca, o ato de ID nasal, também chamado popularmente de “limpar salão”, acompanham-nos por toda a vida, é bom lembrar que a ID nasal heterônoma é raríssima, eu pelo menos jamais vi alguém enfiando o dedo no nariz do outro, literalmente, quero dizer;
Nos homens, o crescimento da próstata, tem tornado a ID uma obrigação;
O japoneses estão desenvolvendo o “dedo-fone” (vejam aqui), invenção que será uma grande contribuição para a inclusão digital. Obrigará quase toda a humanidade a sair por aí com o dedo no ouvido, ou no ouvido do outro, caso queiram que o outro escute a conversa, prevejo um futuro com muita gente com o dedo grampeado.
Muitos, estrategicamente, deixam crescer a unha do dedo mindinho a fim de que, na falta de contonete ou de bocal de caneta, exercerem a ID auricular, prática que dá um prazer quase lascivo a alguns em uma atitude, mormente autônoma uma vez que a ID auricular heterônoma é tão estranha quanto à ID nasal da mesma sub-espécie; e por fim, não esqueçamos que...
A solidão também é um dos fatores mais preponderantes no fomento à ID, mas deixemos a ID autônoma interna, nos chamados países baixos para o final deste trabalho.
FATORES CULTURAIS QUE ATRAPALHAM OU IMPEDEM A ID:
Embora hoje a sociedade se esforce para que todos tenham acesso à ID, nem sempre ela foi vista com bons olhos, haja vista, a existência de vários inventos cuja finalidade é desestimular e até mesmo impedir a ID, pois bem, como exemplos de tais objetos e institutos, podemos citar, a chupeta, o contonete, a prostituição, o vibrador e o casamento, se bem que o casamento pode também ser o início da ID, varia de caso a caso;
A IDG - ID Genital -, uma fez que não é mormente feita com fins de reprodução, é um fator importante de controle da natalidade. Nesses casos, a IDG deve ser uma ação heterônoma, isto é, a auto inclusão digital não deve ser estimulada, embora a estimulação seja intrínseca neste caso, se é que me entendem...
A ID Externa - Enfiar o dedo na tomada, na garganta, no olho, na ferida, enfiar o dedo no cu e rasgar, há muitas formas de ID externa heterônomas na boca do povo e tornadas ditos populares, analise que faremos certamente em um tratado futuro especial.
A ETIQUETA DA INCLUSÃO DIGITAL
A ID não deve ser feita em público, a ID em potes de geleia, manteiga, pudim, etc, são de extremo mau gosto embora tenha seu conteúdo de irresistível apelo ligado a comportamentos pueris já estudados exaustivamente por Freud em sua obra, “Psicopatologia Cotidiana, O caso dos potes”. Não se deve esquecer, jamais, de lavar bem o dedo pois a ID não é coisa para porcos propriamente, não obstante sua essência atávica. Ainda no item da etiqueta, lembramos que é de bom tom, no caso da ID heterônoma, pelo menos pedir permissão ao incluído.
CONCLUSÃO
Atualmente há sites, ONGs, palestras, seminários e em breve, não duvido, Ministérios, abordando, promovendo, incitando, discutindo a ID. Ela está presente em tudo, falam em ID via satélite, ID nas escolas, ID na terceira idade, ID na mulher, enfim, a ID é uma moda, é algo desejável por toda a sociedade, porém, é um fenômeno que eu, como profundo estudioso do assunto, não entendo. Para quê tanta dúvida e tanto desejo para uma coisa tão natural como a ID? Ora, o dedo é seu, faça o que bem entender, contando que seja algo estimulante. É só ir estimulando, estimulando... enfim, não preciso ensinar isto a ninguém, já se nasce sabendo, embora essa sociedade careta tenta por todos os meios impedir que cada um faça sua ID sossegado, porque se pensar bem, é uma questão apenas de higiene e bom senso. Não é uma questão que suscite maiores preocupações, afinal o problema de exclusão digital só chega a ser realmente grave entre os manetas. Vi uma campanha na Internet chamada “exclusão digital zero” Como assim?!?! Estão, sem dúvida, enfiando o dedo onde não devem, cada um sabe o que fazer com os próprios dedos, não nos enganemos, lutemos contra isto, é assim que começa um estado totalitário, pelas digitais.
ps – Segunda-feira na entrevista do no Roda Viva Ciro Gomes falou em “inclusão (e exclusão) elétrica”, aí também já é demais para minha cabeça, passo a bola para quem quiser se aprofundar no assunto, espero que não leve nenhum choque, eu por exemplo não precisei de nenhum inclusão digital para escrever sobre o assunto, todo este tratado de bolso me foi revelado...
Posted by César Miranda at novembro 14, 2003 09:03 AMentrei no site para saber as desvantagens do vibrador ou seja o que causa fisicamente e psicologicamente em quem usa sempre.
Posted by: lana at dezembro 12, 2003 11:38 AMAdorei seu texto.
Posted by: Roberta Valente at novembro 20, 2003 01:54 AMMuito boa a piada, Chico:-)
Posted by: César Miranda at novembro 19, 2003 11:00 AMParabéns César! Casa nova, vida nova.O que me preocupa é a idade chegando. Lá pelos 50, temos que fazer uma inclusão heterônoma via urologista. Quem fez não achou nada agradável, mas, se achasse também não falaria. Um conhecido caipira fez o tal exame e relatou o seguinte: fui fazer o exame, quando percebi, o médico estava com as duas mãos no meu ombro. Perguntei: uai dotô o que é que o sinhô enfiou nimim?
Posted by: Chico Sena at novembro 19, 2003 10:08 AM