setembro 25, 2003

OS EXCLUÍDOS

"Sim à economia de mercado, não à sociedade de mercado" - Lionel Jospin.
A frase de Jospin é um primor do bestialógico. Um dia desses vi na TV Senado trechos do “Seminário Reformas, raça, gênero e inclusão social.” A maioria dos debatedores, senão todos, eram vermelhos. Quando um canhoto quer dizer "econômico" sua boca fala "social". É só reparar e substituir as palavras, não faz diferença. O que quer dizer "social", na expressão "inclusão social"? Tudo o que eles falam é sobre dinheiro. Tudo o que querem é que aqueles que eles dizem representar façam parte do mercado. E não me venham com churumelas. As reivindicações geralmente poderiam ser traduzidas assim: "Tem gente que não tem computador, o governo então deveria tomar dinheiro das pessoas e comprar um micro para esses pobres coitados" ; "Tem gente que não tem casa, o governo então deveria tomar dinheiro de outrem e construir a casa para o miserável" ; "Tem gente que não tem o que comer, o governo então... " etc.
Toda exclusão chamada por eles "social" é na verdade econômica. Problemas sociais SÃO problemas econômicos. Porque social é econômico. As duas são a mesma coisa. Seria porém mais exato (e menos cínico) chamar tal exclusão de "econômica". Os ponta-esquerdas, porém, odeiam a palavra "econômico" porque lembra "mercado" outra palavra odiosa a seus ouvidos. O mercado é tão somente o social (ou a sociedade) comprando e vendendo. Quem não compra nem vende seria em tese um excluído. Pedir a inclusão social de alguém é pedir para fomentar o mercado. A diferença é que, pelo método proposto (que é sempre inspirado em Keynes ou em Marx) tal fomento é a mesma coisa que alimentar-se comendo o próprio corpo.

Posted by César Miranda at setembro 25, 2003 08:01 AM
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