setembro 29, 2003

OS ANIMAIS

A infância são o nosso modelo para muita coisa para o resto de nossa existência. Eu sou deslocado do mundo porque tive uma infância deslocada do mundo. Uma das coisas da minha infância totalmente diferente de hoje em dia é a relação das pessoas com os animais. Minha mãe, que teve treze filhos (perdeu nove, hoje somos quatro), costuma dizer “eu não crio filho dos outros” e isto inclui animais de espécie não humana. Mas não éramos só nós, nenhum vizinho na minha infância “criava” animais. Os cachorros eram usados como instrumento de caça, os gatos, também, serviam para pegar ratos. Tivemos um gato mas logo minha mãe descobriu que “gato do Pará não pega rato” e dispensamos o bichano. Quando eu cheguei na cidade grande e vi pessoas com cachorros, achei bizarro, ostentativo, uma prosápia (eis um bom dicionário, clique aqui), algo próximo ao filaucioso (esse dicionário que indiquei aí atrás é muito bom mesmo). Pois bem, via aquela gente com cachorros, "será que eles caçam aqui também?" Pensava. Não, ninguém caçava. Então para quê ter um cachorro? Só para gastar dinheiro à toa? Para cagar debaixo das camas, latir de noite, morder as visitas, dar despesas, morrer antes da gente. Bem, quem tem dinheiro pode fazer o que quiser, vivemos em liberdade. Eu também tenho todo o direito em gostar de verdade apenas de dois tipos de animais: peixe e frango. Sei que todo mundo que tem um cachorro aaaaaaaaama de paixão o bicho e o trata como um ser humano. Respeito e entendo perfeitamente esse amor, sei o que é amor, sinto o mesmo pelo meu violão (e sei que ele tem alma como qualquer gato, um dia meu violão quase conversou comigo...). Gosto é assim e não se discute.

Posted by César Miranda at setembro 29, 2003 08:10 AM
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