Se eu sofresse de soluço eu sarava
Se eu soubesse que a seara era assim
Se fosse preso seria solto isso passava
Quase só penso nessa coisa tão ruim
Vejo os moços e moças saçaricando
Soltos e sóbrios se amassando sem cessar
E eu sem sentir sequer um sorriso passando
Sou sem ação não me peçam pra falar
Os felizardos que tem preso o intestino
Não sofrem assim como sofro de menino
São dissabores mas sobra alguma defesa
É coisa de açodado saduceu e assassino
Esse cenário soez servido pelo destino
Esse azar sobressaído de se ter a língua presa.
* Pronunciar os sons de "s", "z", "c" e "ç" de forma bem sibilante, com a língua presa, como as falas de Lula, Palocci, Vicentinho, Romário, Cazuza...
* Este é o segundo soneto de uma trilogia chamada "Soneto da Dicção"