julho 04, 2003

SONETO 1

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Qual novo Orestes entre as Fúrias brada,
Infeliz, que não crês no Onipotente;
Com sistema sacrílego desmente
A razão luminosa, a fé sagrada.

Tua bárbara voz iguala ao nada
O que em todas as coisas tens presente;
Basta a mão, contra os maus do raio armada.

Mas vê, blasfemo ateu, vê, monstro horrendo,
Que a bruta opinião, que cego expressas,
A si mesma se está contradizendo:

Pois quando de negar um Deus não cessas,
De tudo o inerte Acaso autor fazendo,
No Acaso, a teu pesar, um Deus confessas!

Posted by César Miranda at julho 4, 2003 08:07 AM
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