Manuel Maria Barbosa du Bocage
Qual novo Orestes entre as Fúrias brada,
Infeliz, que não crês no Onipotente;
Com sistema sacrílego desmente
A razão luminosa, a fé sagrada.
Tua bárbara voz iguala ao nada
O que em todas as coisas tens presente;
Basta a mão, contra os maus do raio armada.
Mas vê, blasfemo ateu, vê, monstro horrendo,
Que a bruta opinião, que cego expressas,
A si mesma se está contradizendo:
Pois quando de negar um Deus não cessas,
De tudo o inerte Acaso autor fazendo,
No Acaso, a teu pesar, um Deus confessas!