Eu estava pronto para almoçar quando meu prato virou-se pra mim e disse:
“Você tem certeza que quer comer essa coisa? Isto pode aumentar sua taxa de colesterol, seus triglicérides não estão grande coisa...”
Puto, me virei pra geladeira e comentei:
“Eu vou quebrar esse prato, onde já se viu, seu eu quiser comer essa gororoba, o pobrema é meu...”
O prato, sem poder conter o riso, também virou-se pra geladeira:
“Você ouviu minha comadre, ele disse "pobrema", quá quá quá quá quá, eu não agüento esse cara.”
Agora eu:
“Fica fria, geladeira, num te mete não.”
O ferro de passar, entra na conversa, reclamando:
“Gente, dá pra fazer silêncio, eu não tô passando bem.”
A geladeira:
“Você sempre passou mal, é um incompetente, não é mesmo, dona lavadora?”
A lavadora, sapecou outro chiste:
“Agora não dá pra falar, tô molhadinha, aaaaaaaai”
A chave geral não se conteve:
“Mais uma piada idiota dessas e eu desligo a energia.”
Silêncio.
Comi cada torresmo do prato, passei pela pia e pedi para lavar as mãos, depois de lavada, a torneira cometeu a asneira de comentar:
“Coitada da água, entrou pelo cano.”
A força caiu, tudo ficou mudo, a tomada, ainda balbuciou, "Eu avisei."
Então fui até à varanda e me joguei do décimo andar.
O prédio detectando que um corpo de massa não desprezível descia a uma velocidade e tanto, acionou a rede salva-vidas que se abriu à altura do primeiro andar e me levou lentamente até o chão.
Subi pelo elevador, quando cheguei, a porta não quis abrir sob a alegação de que eu já estava dentro uma vez que não havia registro de minha saída por ela, a outra porta concordou com a primeira:
“Estou contigo e não abro.”
Ouvindo esse trocadilho bobo, a chave geral se desligou novamente, então pude arrombar uma das portas e entrar no apartamento.
Minha primeira providência foi quebrar o prato.