Uma doença aguda e uma doença grave é a mesma coisa para o doente, apesar de, na música, "agudo" e "grave" significarem exatamente o contrário um do outro. Há também a doença crônica que é essa que todos temos, nós seres sem preparos para vôos mais ousados nos céus literários. Um dos irmãos Campos disse algo assim: "a crônica é uma arte menor, o bicho mesmo é a poesia, etc., ", crônica é coisa de seres inferiores. A palavra "crônica" deve vir do grego "cronos", relativo ao tempo, talvez acentuando a sua - da crônica - natureza de ser feita diariamente como pão, beiju, broa, café com leite, essas coisas que não têm a menor importância. Originariamente, antes de ser raiz de "tempo", Cronos era aquele Deus grego que foi o pai de Zeus (o próprio) de quem ele, Zeus, comeu o fígado, botou para correr e ficou no lugar. Quando Zeus nasceu, o Walter Mercado da época disse para Cronos mandar matar o menino, alguém sei lá quem guardou o menino e deu no que deu. Essa história se repetiu depois como farsa com Édipo que também comeu o fígado do pai e a mãe. Depois se repetiu de novo com algumas variações com Jesus de Nazaré que o rei de plantão também não conseguiu matar e quando o fizeram já era tarde, hoje ele reparte o trono como uma pessoas da trindade e todos comemos seu fígado e bebemos seu sangue, um troço meio esquisito, cá pra nós, é o que se pode chamar Teofagia, comer Deus, o que talvez - nunca sei ao certo nada - queira indicar uma intenção do homem em pôr Deus para correr e ficar em seu lugar, começando por comer-lhe a carne e beber-lhe o sangue, ritual antiquíssimo, segundo Freud, as tribos primitivas faziam isto, o filho matava o pai, comia a carne e ficava no lugar, mas Freud não serve de base, era um pornófilo, só falava em comida, já Jung não, este era mais holístico e incluía a religião dentre suas teorias, o que significa que é preciso fé para concordar com ele. Esta crônica tá sendo feita pelo método associativo, tá parecendo aquele Dicionarinho Maluco escrito por Haroldo Maranhão desenhado pela filha do Jaguar que escreve naquela revista...deixa pra lá, enfim, crônica é isto, sobras de teses, pedaços de romances, restos de naufrágios poéticos, inclusive, "restos de um naufrágio" é o título de um ótima canção da Fátima Guedes, será que ela é parente do Moisés Guedes, um nome que eu ouvia muito em minha infância? não deve ser não. Deixa pra lá. Pois é.
Posted by César Miranda at fevereiro 28, 2003 07:47 AM