Antes que o leitor pare por aqui, ruborizado, quero esclarecer que "Corno di Bassetto" é o nome do Clarinete em italiano. Na orquestra tem também o Corno inglês, mas vamos falar do Di Basseto. A clarineta é de onde sai um dos sons mais emocionantes em instrumentos já fabricados pelo homem, sente-se a madeira no som da clarineta, parece que foi feita especialmente para o choro mas serve para todos os ritmos, serviu ao jazz e com o sósia do Boris Casoy, Benny Goodman atingiu a maior popularidade que o jazz já teve. Mozart fez um concerto magnífico para tal Corno sobre o qual disse Paulo Francis, transbordando afrofobia, que contribuiu mais para a cultura ocidental do que tudo o que os pretos já fizeram.
Tocá-la é que são elas, não é para qualquer um, os bons clarinetistas, sobretudo os clássicos, olham para um saxofonista como o Bill Gates olhasse para mim, nem chega a ser desprezo, é menos do que indiferença. Alguns afirmam que se a harpa foi feita por um anjo, a clarineta foi feita pelo demônio, tamanha dificuldade o instrumento oferece para quem se atreve a dominá-la. Porém quem o consegue deve ter a mais sublime das recompensas, quão feliz deviam ser Abel Ferreira e Luiz Americano (alguém sabe quem são esses dois?), vou dizer-lhes, eram o quenidji(ô coitado) de suas épocas.
Corno di Basseto é também o pseudônimo de Bernard Shaw quando fazia críticas literárias e cênicas assim que chegou na Inglaterra e arrumou um emprego em um jornal. Megalomaníaco como poucos, Shaw não fez por menos ao escolher um pseudônimo à altura de sua auto-avaliação, só não sabia ele que corno por estas bandas corno era o que ele poderia muito bem ter sido já que ao casar assinou um contrato de que não tocaria no órgão da Senhora Shaw, nem ela em sua clarineta.