janeiro 10, 2003

CORNO DI BASSETO

Antes que o leitor pare por aqui, ruborizado, quero esclarecer que "Corno di Bassetto" é o nome do Clarinete em italiano. Na orquestra tem também o Corno inglês, mas vamos falar do Di Basseto. A clarineta é de onde sai um dos sons mais emocionantes em instrumentos já fabricados pelo homem, sente-se a madeira no som da clarineta, parece que foi feita especialmente para o choro mas serve para todos os ritmos, serviu ao jazz e com o sósia do Boris Casoy, Benny Goodman atingiu a maior popularidade que o jazz já teve. Mozart fez um concerto magnífico para tal Corno sobre o qual disse Paulo Francis, transbordando afrofobia, que contribuiu mais para a cultura ocidental do que tudo o que os pretos já fizeram.
Tocá-la é que são elas, não é para qualquer um, os bons clarinetistas, sobretudo os clássicos, olham para um saxofonista como o Bill Gates olhasse para mim, nem chega a ser desprezo, é menos do que indiferença. Alguns afirmam que se a harpa foi feita por um anjo, a clarineta foi feita pelo demônio, tamanha dificuldade o instrumento oferece para quem se atreve a dominá-la. Porém quem o consegue deve ter a mais sublime das recompensas, quão feliz deviam ser Abel Ferreira e Luiz Americano (alguém sabe quem são esses dois?), vou dizer-lhes, eram o quenidji(ô coitado) de suas épocas.
Corno di Basseto é também o pseudônimo de Bernard Shaw quando fazia críticas literárias e cênicas assim que chegou na Inglaterra e arrumou um emprego em um jornal. Megalomaníaco como poucos, Shaw não fez por menos ao escolher um pseudônimo à altura de sua auto-avaliação, só não sabia ele que corno por estas bandas corno era o que ele poderia muito bem ter sido já que ao casar assinou um contrato de que não tocaria no órgão da Senhora Shaw, nem ela em sua clarineta.

Posted by César Miranda at janeiro 10, 2003 07:42 AM
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