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Viajar a trabalho é o último passo em direção à velhice. Sério. Estou aqui em Toronto, sentado na mesa do quarto de um hotel maravilhoso, com tudo para estar me sentindo pimpão, mas, no fundo, não consigo parar de pensar que já virei a curva dos 30 (e com o pé lá no fundo em direção aos 60). O terno batido, amarrotado e largado em cima da cama, é derrota no último. E Toronto, espécie de Chicago para crianças, doesn't help that much. Aliás, para que serve o Canadá? Para fazer trilha do Titanic? Para fazer frio? Para ser o segundo maior país do mundo em extensão territorial? Para ficar atrás do Brasil no Pan?
Lembro da época em que, nos meus vinte e poucos, viajava de guia na mão, mochila nas costas, correndo atrás da night mais agitada, do quadro mais importante, da praça famosa... voltava cheio de histórias, que inventava com a maior sinceridade do mundo (sou incapaz de mentir quando invento). Águas passadas, dude - nem tudo são flores, o mundo tá aí, cada um com seus problemas: agora viajo para produzir gráficos, jantar com gente importante e falar de Ferragamos e de "Shawshank Redemption" (that was such a good movie!, I loved it), sempre num inglês de índio globalizado. De vez em quando ainda mostro meus dentes adolescentes - hoje, depois de encharcar a cara, discuti agressivamente com um francês que insistia em dizer que o nome do personagem principal de Crime e Castigo era Kafeinilkov. Dois minutinhos apenas - logo voltei aos modos de business man que venho tentando aprender, nesses jantares importantíssimos, com cascata e filhote de jacaré, em que todo mundo faz network e entende muito de vinho (vinhozinho - vinho bom é sempre "vinhozinho", vinhozinho Bordeaux, vinhozinho chileno, um vinhozinho argentino que experimentei quando fui esquiar em Bariloche etc).
Passarei dois meses viajando. Para não afundar no tédio (e não morrer de saudades da gonga), alas!, voltarei a atualizar este blog.
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