Ó, o Geraldo ganhou, não tem dúvidas: na pior das hipóteses, mostrou que há alternativa ao Lula, e que é um cara mais bem preparado. O Lula não corre mais sozinho.
Mas quem perdeu fomos nós, eleitores com já alguma compreensão do status quo: o Geraldo, para ganhar, teve que entrar no jogo do Lula: ataques ad hominem, jogo para a platéia, e uma dúzia dos estratagemas para vencer um debate, mesmo sem ter razão. E foi melhor que o Lula, aí, no rasteiro jogo dele (além de meter uma citaçãozinha de Santo Agostinho, no final, que pareceu até superstição).
Essa troca de sopapos, contudo, não esclarece nada sobre as plataformas, menos ainda sobre o que está na cabeça dos candidatos. É bom, porque a plebe ignara – que decide a eleição – viu que o Geraldo é “macho”, tanto quanto o Lula, senão mais. Mas só: quem queria aprofundamentos, danou-se.
E eu tive um frio na espinha quando o Lula disse que quer que sonegação fiscal seja crime inafiançável, e o Geraldo não disse nada.
Será que ninguém percebe que deixar de pagar imposto é um ato de muito menor gravidade que um homicídio, que um roubo, que um furto, até (nenhum desses, sozinho, inafiançável)?
Eu já acho ridículo que deixar de pagar imposto seja crime – é crime deixar de pagar o condomínio? – quanto mais que seja inafiançável. Deixou de pagar imposto? Cobre-se, tomem-se os bens, despreze-se o véu da pessoa jurídica, atinjam-se os bens de mulheres, filhos, cunhados e laranjas. Mas prender?
Talvez seja hora de Gabeirar, e incentivar a descriminalização da sonegação fiscal – aliás, taí um bom argumento: segundo os canabeiros, descriminalizando, cairá o consumo da erva. Então: descriminalizando a sonegação fiscal, decerto, vamos aumentar a arrecadação...




