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<title>Passa o Sal, por favor?</title>
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<title>Blogo, logo existo?</title>
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<dc:subject>Por conta de um piparote</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Sim, eu sei, devo uma desculpa por esses meses de silêncio… se é que ainda me restam leitores, já que o blog vive de (entre outras coisas) constância e eu, nestes tempos, ando constante apenas na minha hibernação. Esta minha página-fantasma é dúbia. Se fosse uma daquelas páginas em branco com a mensagem em negrito, “URL NOT FOUND”, o leitor teria certeza de que o blog (senão a autora) não existe mais. Tentei, mas não consegui, fazer do blog parte do meu cotidiano. E fiquei me sentindo menos blogueira por conta disso, uma vigarista, mesmo. Foi pensando nisso, no chuveiro (já que não penso no blog, pelo menos penso durante o banho), que me veio uma angústia de inexistência. </p>]]>

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<title>Pelourinho</title>
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<![CDATA[<p>Não trabalho de graça nem forçada, mas não sou dona do meu tempo. Eis aqui a testemunha: esta página abandonada, sem palavras nem visitantes. Um mês, no mundo do blog, já parece um século; não, uma era geológica inteira. O branco da página é um silêncio meio sinistro, como se no fundo soprassem ventos gélidos das estepes. E tudo isso porque o trabalho, de repente, toma conta da vida, da rotina, e — o que talvez seja pior — do cérebro. De modo que, mesmo nas sobras de tempo de cada dia, nada sai do meu teclado. Mas há ruídos de palmares assuntando no meu crânio…</p>]]>

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<title>Tempo de rir</title>
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<![CDATA[<p>Se você também já recebeu um daqueles emails-golpe da Nigéria (que pedem ajuda para, por exemplo, transferir uma quantidade enorme de dinheiro para uma conta no exterior, prometendo uma recompensa generosa), então provavelmente você também vai gargalhar com <a href="http://www.spamscamscam.com/read_letters.php?#85">este site </a>em que um escritor norte-americano decidiu se divertir um pouco às custas dos golpistas. É meio comprido, mas vale a pena ler, mesmo que seja uma leitura dinâmica...</p>]]>

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<title>Holiday blues</title>
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<summary type="text/plain">É uma experiência que eu nunca tive, essas memoráveis, míticas férias em acampamentos. Não que eu não tenha passado temporadas no Rancho Ranieri ou no Leões da Montanha. Fui, inspirada numa amiga que ia para o Rancho todo julho e...</summary>
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<dc:subject>O gosto da madeleine molhada no chá</dc:subject>
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<![CDATA[<p>É uma experiência que eu nunca tive, <a href="http://www.nytimes.com/2005/08/07/fashion/sundaystyles/07camp.html?pagewanted=1">essas memoráveis, míticas férias em acampamentos</a>. Não que eu não tenha passado temporadas no Rancho Ranieri ou no Leões da Montanha. Fui, inspirada numa amiga que ia para o Rancho todo julho e voltava em êxtase. Eu folheava gibis da Luluzinha e sonhava acordada com aqueles galpões cheios de camas lado a lado, os jogos de meninos contra meninas, a tigela matinal de sucrilhos. Aquelas competições de natação no lago que apareciam nos livrinhos do Charlie Brown... O chapeuzinho bege... E, como música de fundo, ouvia os relatos excitados das meninas que eram bandeirantes, ou da turma do CISV. Era um mundo mágico, ensolarado e perfeito. </p>

<p>Quando cheguei no acampamento, não encontrei nenhum daqueles sentimentos de comunhão e solidariedade, nada do espírito coletivo e esportivo. Era um chalé sombrio com beliches toscos e chão de cimento esburacado. Eu tinha imaginado dias cheios de gincanas, atividades criativas, caminhadas, lições de sobrevivência na mata, caça-bandeira, teatro e caça-ao-tesouro. Em vez disso, tinha apenas esporte o dia inteiro. O meu pesadelo: o acampamento era uma aula de educação física em tempo integral! Uma quadra, uma bola, ninguém para explicar como jogava, pois todo mundo, ao que parece, fora eu, já sabia jogar vôlei, basquete e handebol. </p>]]>
<![CDATA[<p>Eu tinha doze anos, fui colocada no chalé das mais velhas. Mas eu tinha cara e tamanho de nove, no máximo. Na única vez em que venci uma competição - uma corrida de obstáculos com pneus, lama etc. - nem as monitoras acreditaram. Acharam que eu tinha sido a última do pelotão das mais novas, em vez de a primeira do pelotão das mais velhas, que saíra depois. </p>

<p>E as panelas! O acampamento não era um mundo à parte. Era igualzinho ao mundo de fora, à escola, ao clube, ao Guarujá. Era cheio de panelas já formadas entre os veteranos, abertas aos novatos mais extrovertidos.<br />
 <br />
Fiz umas amigas. Éramos cinco ou seis. A minha diversão diária era pular na cama elástica. Consegui até dar um mortal perfeito, mas o feito não contou pontos de popularidade. O ponto alto do meu dia era comprar um Lollo na lanchonete depois do jantar. Eu chorava todo dia. </p>

<p>Talvez algumas pessoas não tenham sido feitas para ter as tais experiências memoráveis, míticas de acampamento.</p>]]>
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<title>Repasto da manhã</title>
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<dc:subject>Síndrome de Rosa Luxemburgo</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Comecei o dia com <a href="http://www.chicagotribune.com/news/nationworld/chi-0508100129aug10,1,2969754.story?page=1&coll=chi-news-hed">esta notícia</a> sobre a fome em Niger. A seca devastou a colheita de millet, base da alimentação local. E assim a seca devasta a população também. Não pude deixar de pensar no absurdo deste mundo, em que o cereal orgânico na prateleira de produtos naturais do meu supermercado mostra orgulhosamente o "tradicional millet, grão arcaico, alimento de povos africanos", misturado a nozes, frutas secas, e outros grãos "arcaicos e tradicionais" como a quinoa sul-americana. Parece até brincadeira, esta abundância conspícua do exotismo, enquanto uma atual cultura "arcaica" fenece à mercê da seca. <br />
Mas ainda não consegui decidir se isso é mais ou menos irônico do que comparar as doenças alimentares das culturas superdesenvolvidas, em que as pessoas ora se entopem de comida supérflua, ora se matam voluntariamente de fome (obesidade, bulimia, anorexia), com a doença alimentar de um país em que as pessoas, sem o que comer, morrem de desnutrição. </p>]]>

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<title>Cachorro?</title>
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<summary type="text/plain">Não entendam errado. Eu amo cachorros. Já tive, aliás. Quando vejo um cãozinho na rua, paro e me derreto. Mas outro dia passou um pit-bull levando seu dono para passear e eu, além de trocar de calçada, resmunguei entre dentes....</summary>
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<dc:subject>Síndrome de Rosa Luxemburgo</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Não entendam errado. Eu amo cachorros. Já tive, aliás. Quando vejo um cãozinho na rua, paro e me derreto. Mas outro dia passou um pit-bull levando seu dono para passear e eu, além de trocar de calçada, resmunguei entre dentes. Meu namorado, surpreso, quis saber de onde vinha minha aversão súbita: “Ué, mas você não adora cachorro”??? </p>

<p>Sim, eu adoro cachorro.</p>

<p>Só que ainda não consegui encontrar o cachorro no pit-bull. Vejo uns olhinhos baços perdidos no meio da cabeçorra em vez do olhar vivaz e comunicativo de, por exemplo, labradores, setters, jack russell terriers, poodles, pastores e pequineses. O pit-bull é só testa e bocarra. Vejo de viés os lábios semi-abertos e a maxila poderosa. Li que a força da mordida de um pit-bull pode chegar a arrancar um membro humano. Li também que, historicamente, os pit-bulls foram selecionados por seus criadores para gerar animais agressivos e iracundos. A seleção artificial nos canis eliminou os animais de temperamento dócil. De propósito. Só que o preço deste imbatível cão-de-briga e suposto cão-de-guarda foi um animal que, em última instância, é incontrolável. Mesmo com todas as camadas de treino e domesticação, o pit-bull que resultou desse processo é, no fundo, imprevisível, indomável, e segue um instinto só: atacar. </p>

<p>Vocês podem então dizer, com razão, que a minha pequenina pinscher era assim também: incontrolável, irritadiça, não só latia como rosnava e mordia. Mas ela pesava cinco quilos e sua boquinha era do tamanho de uma noz. Já o pit-bull que passou ao meu lado, se quisesse, sairia fácil do controle da mocinha que segurava, casualmente, a ponta da coleira. </p>

<p>Então eu respondi ao meu namorado que não conseguia gostar de pit-bull porque para mim, depois de tudo o que li a respeito da raça (incluídas as estatísticas de acidentes e ataques), o pit-bull não é um cachorro como os outros. O pit-bull é um bicho à parte. </p>

<p>Mas, se as pessoas insistem em ter algo potencialmente perigoso, devem ao menos agir de acordo e ser responsáveis. Quem tem arma em casa deve deixar trancada. Quem usa bujão de gás tem de checar se tem vazamento e armazenar em local ventilado. Quem tem cobra deixa dentro do aquário. Até leão de circo tem de viver enjaulado. Então por que é tão difícil para um dono de pit-bull colocar uma focinheira e um arreio decente? <br />
</p>]]>

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<title>Esgoto a céu aberto</title>
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<issued>2005-08-07T19:34:58Z</issued>
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<summary type="text/plain">Das calçadas subia, vaporoso, o cheiro de fezes e urina. Eu tinha de andar olhando para o chão, driblando os dejetos numerosos. Eu não estava numa favela ainda não-urbanizada. Também não era uma cidade destruída, sem infra-estrutura e saneamento. Eu...</summary>
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<dc:subject>Síndrome de Rosa Luxemburgo</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Das calçadas subia, vaporoso, o cheiro de fezes e urina. Eu tinha de andar olhando para o chão, driblando os dejetos numerosos. Eu não estava numa favela ainda não-urbanizada. Também não era uma cidade destruída, sem infra-estrutura e saneamento. </p>

<p>Eu estava na crista da zona sul paulistana, um bairro de classe média alta cheio de barzinhos yuppies e lojas patricinhas das quais, quando se abrem as portas de vidro, sai um ventinho frio e adocicado de ar-condicionado. </p>

<p>Mas os moradores dos edifícios de três ou quatro dormitórios (sendo duas suítes), que passeiam garbosos em suas picapes e se refestelam nos novos cafés transados do bairro – comendo, talvez, um sanduíche de presunto de parma ou uma salada com queijo de cabra – acham por bem usar as ruas como privada coletiva. </p>

<p>É um despudor! As calças abaixadas, acocoram-se em plena luz do dia. Alguns ainda procuram, tímidos, uma esquina de muro ou um canteirinho com terra exposta. Mas a maioria não liga e faz onde dá vontade, no meio da passagem, pavimentando as calçadas com seus excrementos. E deixam no chão público as manchas de xixi e os montinhos de fezes.</p>]]>
<![CDATA[<p>É quase isso. Não é só porque as fezes são de cachorro que são perdoáveis. Esses cães não são vira-latas sem dono. São criados, treinados e conduzidos por seus donos ao passeio público. Tem lei para isso: recolha as fezes do seu cachorro. Quem decide ter animal de estimação na cidade tem de entender que, junto com as demais obrigações como veterinário, ração, banho e tosa, há a obrigação de catar a caca. Mesmo aqueles que têm jardim próprio bem grande sabem que é preciso limpar o cocô do cachorro, porque ninguém quer sujar o sapato no meio do churrasco de domingo. Não vou nem dizer que é questão de respeito ao próximo, porque seria esperar demais das pessoas. Mas é, no mínimo, questão de proteger a própria higiene. Quem quer morar num mar de cocô, bactérias e verminoses?</p>

<p>Mas aí passa uma garota puxada por seu pit-bull (céus, quem é que tem pit-bull em apartamento???) e eu tenho de calar a boca. <br />
</p>]]>
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