agosto 10, 2005
Holiday blues
É uma experiência que eu nunca tive, essas memoráveis, míticas férias em acampamentos. Não que eu não tenha passado temporadas no Rancho Ranieri ou no Leões da Montanha. Fui, inspirada numa amiga que ia para o Rancho todo julho e voltava em êxtase. Eu folheava gibis da Luluzinha e sonhava acordada com aqueles galpões cheios de camas lado a lado, os jogos de meninos contra meninas, a tigela matinal de sucrilhos. Aquelas competições de natação no lago que apareciam nos livrinhos do Charlie Brown... O chapeuzinho bege... E, como música de fundo, ouvia os relatos excitados das meninas que eram bandeirantes, ou da turma do CISV. Era um mundo mágico, ensolarado e perfeito.
Quando cheguei no acampamento, não encontrei nenhum daqueles sentimentos de comunhão e solidariedade, nada do espírito coletivo e esportivo. Era um chalé sombrio com beliches toscos e chão de cimento esburacado. Eu tinha imaginado dias cheios de gincanas, atividades criativas, caminhadas, lições de sobrevivência na mata, caça-bandeira, teatro e caça-ao-tesouro. Em vez disso, tinha apenas esporte o dia inteiro. O meu pesadelo: o acampamento era uma aula de educação física em tempo integral! Uma quadra, uma bola, ninguém para explicar como jogava, pois todo mundo, ao que parece, fora eu, já sabia jogar vôlei, basquete e handebol.
Eu tinha doze anos, fui colocada no chalé das mais velhas. Mas eu tinha cara e tamanho de nove, no máximo. Na única vez em que venci uma competição - uma corrida de obstáculos com pneus, lama etc. - nem as monitoras acreditaram. Acharam que eu tinha sido a última do pelotão das mais novas, em vez de a primeira do pelotão das mais velhas, que saíra depois.
E as panelas! O acampamento não era um mundo à parte. Era igualzinho ao mundo de fora, à escola, ao clube, ao Guarujá. Era cheio de panelas já formadas entre os veteranos, abertas aos novatos mais extrovertidos.
Fiz umas amigas. Éramos cinco ou seis. A minha diversão diária era pular na cama elástica. Consegui até dar um mortal perfeito, mas o feito não contou pontos de popularidade. O ponto alto do meu dia era comprar um Lollo na lanchonete depois do jantar. Eu chorava todo dia.
Talvez algumas pessoas não tenham sido feitas para ter as tais experiências memoráveis, míticas de acampamento.
Posted by daniela at 08:20 PM | Comments (5)