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agosto 10, 2005
Repasto da manhã
Comecei o dia com esta notícia sobre a fome em Niger. A seca devastou a colheita de millet, base da alimentação local. E assim a seca devasta a população também. Não pude deixar de pensar no absurdo deste mundo, em que o cereal orgânico na prateleira de produtos naturais do meu supermercado mostra orgulhosamente o "tradicional millet, grão arcaico, alimento de povos africanos", misturado a nozes, frutas secas, e outros grãos "arcaicos e tradicionais" como a quinoa sul-americana. Parece até brincadeira, esta abundância conspícua do exotismo, enquanto uma atual cultura "arcaica" fenece à mercê da seca.
Mas ainda não consegui decidir se isso é mais ou menos irônico do que comparar as doenças alimentares das culturas superdesenvolvidas, em que as pessoas ora se entopem de comida supérflua, ora se matam voluntariamente de fome (obesidade, bulimia, anorexia), com a doença alimentar de um país em que as pessoas, sem o que comer, morrem de desnutrição.
Posted by daniela at agosto 10, 2005 03:57 PM
Comments
Daniela: vc tem esse jeito de ir chegando assim, como quem não quer nada, e colocar o dedo em cheio na ferida. É duro e doloroso isso que vc diz. E nem sempre a gente tem a clareza para conectar as coisas como vc. Essa clareza é necessária, está na base de uma existência política, que todos nós deveríamos tentar viver. Obrigada! J.
Posted by: J. at agosto 10, 2005 07:27 PM
Existência "política" no sentido etimológico, o mais amplo possível, não, J.? Beijos para você e a Dani (belo post, belo post).
Posted by: Ruy at agosto 10, 2005 08:37 PM
Claro, "política" no sentido lato, e original: existência de verdadeiros cidadãos, seres políticos. Beijos pros dois - e eis-nos aqui, apropriando-nos do novo "salon"...
Posted by: J. at agosto 10, 2005 09:12 PM
O paradoxo alimentar mais bem elaborado que já li.
Posted by: Fernando Henrique at agosto 17, 2005 11:34 AM
bang match |
Posted by: bangmatch at outubro 8, 2005 08:26 PM