dezembro 02, 2008

Aforismos sem sentido

O verão é o melhor amigo do homem



novembro 24, 2008

Está feio o negócio



novembro 23, 2008

Sequência inovativa para o cogito

E o fato de eu ser eu é mera coincidência



novembro 18, 2008

Aleatórias prandiais II

Andar de bodinho! Esse foi um dos momentos de maior emoção que eu vivi nas duas vezes em que fui a Poços de Caldas. Na primeira viagem, eu tinha quatro anos; na segunda, cinco. Um exemplo de como andar de bodinho foi marcante para mim? Eu me lembro até hoje do nome dos bodes que puxavam as charretes em que eu andei: Simonal - que eu e os meus primos chamávamos de Pelé, antes de nós sermos formalmente apresentados a ele - e Papai Noel. Às vésperas da segunda viagem, eu e os meus primos ficamos excitadíssimos quando soubemos que iríamos de novo a Poços de Caldas: vamos andar de bodinho! Essa talvez seja a grande diferença entre mim e o Arranhaponte: enquanto ele andava de bodinho com enfado, eu o fazia com júbilo.

Mas nem todas as lembranças que eu tenho de Poços de Caldas são tão doces como essa. Na segunda vez, passei boa parte do tempo em pânico. Havia alguns ciganos na cidade, e os meus primos mais velhos comentaram que ciganos roubavam crianças. Pronto. Achei que ia ser seqüestrado por um cigano a qualquer momento. Quando nós jogávamos futebol e eu tinha que buscar a bola um pouco longe, eu ficava aterrorizado. Eu corria o mais rápido possível, ao mesmo tempo em que me resignava com o meu destino de moleque-roubado-por-ciganos-que-não-veria-mais-os-pais-e-que ia-virar-personagem-de-matéria-do-Fantástico



Aleatórias pós-prandiais

Entreouvido no elevador, de um garotão com sotaque paulista:
"Se existisse a moda de agarrar as gata na camisa, imagina quanto a gente (talvez tenha sido 'nós') não ia economizar"

Fundamos rapidamente aqui no trabalho, naquela horinha vadia logo depois do almoço, a Associação dos Odiadores de Palhaço (AOP). Aconteceu quando eu, um colega e uma colega descobrimos que o nosso ódio/indiferença aos palhaços (os de circo mesmo) era um sentimento comum. Segundos depois a colega já era alvo de um processo formal de expulsão da AOP, ao admitir que abria exceção para o Carequinha, por ela classificado de "um palhaço diferente". A sua defesa foi boa, devo confessar. Ela garantiu que o Carequinha maltratava criança. A conferir.

E daí a conversa evoluiu para outras coisas em que algumas crianças não acham a menor graça. E me lembrei de que uma das minhas mais remotas lembranças da tenra infância, bem no comecinho mesmo daquele "desde que me tenho como vivo" ou coisa parecida, foi de estar andando de bodinho (uma micro-charrete puxada por bode, para quem não sabe) e pensando "poxa vida, isto não tem a menor graça, já passei dessa idade"



Comunismo do século XXI

De uma agência de notícias online:
08:02 CHINA CONGELA SALÁRIO MÍNIMO PARA AJUDAR EMPRESAS DURANTE CRISE
Xangai, 18 - O Ministério do Trabalho da China disse aos governos locais para não aumentarem o salário mínimo, em uma tentativa de ajudar as empresas a lidar com a crise financeira global, divulgou a agência de notícias estatal Xinhua. Os governos locais também devem considerar reduzir os prêmios em seguros médicos e contra acidentes para amenizar o fardo sobre as empresas e os empregados, informou a agência, citando o Ministério de Recursos e Previdência Social.
"À luz da atual situação econômica e das condições reais nas empresas, aumentos no salário mínimo foram suspensos no curto prazo", relatou o Ministério do Trabalho, sem dar detalhes.

Aí, Alon, a história continua a marchar para o socialismo

Mas é verdade que (em nome da honestidade intelectual, a mais brochante das virtudes, e segundo a mesma notícia):
De acordo com o ministério, nos primeiro nove meses do ano pelo menos 19 províncias chinesas e cidades aumentaram o salário mínimo em uma média de cerca de 15%. As informações são da Dow Jones.



novembro 14, 2008

O flagelo dos deuses*

07042006 paulo paim[1].JPG


O olhar decidido é de quem se sente capaz de estourar qualquer fortaleza fiscal, e até mesmo de provocar uma corrida contra o dólar e acabar com a capacidade americana de fazer política anti-cíclica, caso tivesse nascido nos Estados Unidos. Ele é Paulo Paim, o destruidor de Estados e nações, o homem que já poderia ter transformado o Brasil numa gigantesca montanha de entulho, sobre a qual o eventual urubu em sobrevôo comentaria com o seu companheiro de térmica:

- Dizem que a dívida deles lá embaixo é dez vezes o PIB mundial.

O outro urubu, mal-humorado, retrucaria:

- É, mas já desistiram de cobrar há muito tempo. Paisinho desgraçado, nem carniça sobrou.

Eu às vezes fico imaginando como seria o Brasil caso todos os projetos do Paulo Paim tivessem sido aprovados. Bem, com certeza a hiperinflação não teria acabado**, o País teria regredido ao escambo e o Estado teria sido fechado e lacrado há muitos anos por dívidas não pagas. Depois de conturbações e um período de Mad Max caboclo, chegaríamos enfim à montanha de entulho.

Eu comentei num post abaixo sobre como uma singela brasileira, a recém-falecida gestora do Bolsa-Família, foi capaz de fazer o bem em escala gigantesca (e não só porque saiu dando dinheiro para pobre não; ela tinha uma visão sofisticada de política social, e estava entrosadíssima com os maiores especialistas no assunto, como o Ricardo Paes de Barros, tido e havido em passado recente como "neoliberal" por muito esquerdista chumbrega). Também me espanta a capacidade de destruição de uma simples pessoa, como a do Paulo Paim. Em sua defesa pode ser dito que quase nunca os projetos dele passam, ou se passam, é de uma forma super-atenuada, que reduz muito o potencial cataclísmico das suas propostas. Mas é sempre assim com a esquerda latrino-americana: o maior elogio é a merda que deixaram de fazer

* Para quem vem dos Apostos, o flagelo de Deus é o Átila, não? Desculpem a licença poética

** PP foi o grande defensor da tese da indexação progressivamente mais rápida - salários mensais, depois semanais, diários, horários, por minuto, segundo, frações de segundo, etc; aliás, ele quase botou o plano Real a perder, mas isto já é outra história mais complicada



novembro 11, 2008

Olavão

Eu sempre achei que o movimento antimanicomial deveria adotar Olavo de Carvalho como exemplo do sucesso da causa. Um sujeito que há algumas décadas estaria numa sala acolchoada, com camisa de força, tomando eletrochoques, vive perfeitamente integrado à sociedade. Escreve artigos em jornais e revistas há anos e tem até uma legião – cada vez menor, é verdade – de seguidores.

O problema é que Olavão está cada vez pior. O Reinaldo Azevedo com altos teores de paranóia encontrou em Barack Obama um inimigo quase tão perigoso quanto o Foro de São Paulo, aquela entidade comunista perigosa que governa os destinos da América Latina sem que ninguém perceba. Vejam três trechos de artigos recentes de Olavão para perceber como o negócio é grave:

“Obama sabe perfeitamente bem que seu projeto de uma “Força Civil de Segurança Nacional” é uma militância armada de jovens bem doutrinados, em tudo semelhante às SA de Hitler ou à Juventude Comunista, que nada fará contra terroristas, narcotraficantes ou imigrantes ilegais, como ele deixa o público imaginar, mas se ocupará de perseguir “homofóbicos”, “extremistas de direita”, “fundamentalistas” e outras criaturas malvadíssimas. Ele já testou esse projeto na ONG Public Allies – dirigida primeiro por ele, depois por sua esposa Michele –, e uma de suas principais metas de governo é alocar uma verba anual de quinhentos bilhões de dólares – sim, quinhentos bilhões de dólares – para dar realidade a essa idéia sublime: “desmilitarizar a seguraça pública”... militarizando a juventude (v. http://www.ibdeditorials.com/IBDArticles.aspx?id=305420655186700). Mesmo que esse fosse o único projeto revolucionário de Obama, o advento dessa monstruosidade policial bastaria para alterar repentinamente e de uma vez para sempre a face da democracia americana, transformando-a na fachada de uma virtual ditadura, imposta, como a de Hitler e a de Hugo Chávez, por meios anestésicos e inteiramente legais.”

“Que essa candidatura [i.e., a do Obama à presidência dos EUA] desperte o entusiasmo de todos os grupos pró-terroristas e partidos comunistas do mundo não prova uma “conspiração” em sentido estrito – tecnicamente, nenhum movimento histórico de amplitude mundial pode ser chamado uma “conspiração” –, mas também não pode ser uma inocente coincidência ex post facto. Obama nasceu desse meio, alimentou-se dele, e o aplauso que daí recebe é apenas o reforço final necessário para que a ambição longamente acalentada de destruir os EUA desde dentro (e desde cima) deixe de ser apenas um sonho de mentes malignas e se torne uma temível realidade. Ahmadinejad tem razão: a eleição de Obama, se acontecer, será o sinal verde para a conquista da América pelo Islam revolucionário e seus parceiros comunistas, como a sedução da alma do príncipe Charles por um guru muçulmano, mais de vinte anos atrás, – ignorada pela mídia até hoje – foi o início da conquista da Inglaterra. Esta geração dificilmente passará sem que o mundo veja a autodissolução da Igreja anglicana e sua transformação em entreposto do islamismo. Mas talvez passe sem que os EUA – e portanto Israel – consumem sua rendição sacrificial ante o altar de seus inimigos. A presente eleição americana não é o último lance dessa disputa, mas é certamente um dos mais decisivos.” (Via Márcio Guilherme)

“Chamar Barack Obama de impostor não é uma questão de opinião: é um dado científico. Cinco equipes de pesquisadores acadêmicos, sem contato entre si, examinaram o seu livro de memórias, Dreams of My Father, e, usando métodos computadorizados de investigação de autoria, concluíram que não foi escrito por ele, mas sim por William Ayers, o terrorista com o qual Obama jurava não ter tido senão contatos raros, ocasionais e sem nenhuma importância.” (Via Na prática a teoria é outra)

Nesse ritmo, nem a ala mais liberal do movimento antimanicomial vai defender que Olavão continue livre, leve e solto. Dou até um conselho de amigo ao inimigo do Foro de São Paulo: ligar para o sanatório mais próximo e dizer qual o número de camisa de força que ele usa. Quando os homens de branco chegarem à casa dele para buscá-lo, pelo menos ele vai ficar mais confortável

PS: Além dos posts do Márcio Guilherme e do Na prática a teoria é outra, este texto do David também me inspirou a falar sobre Olavo de Carvalho



novembro 10, 2008

Obamianas

Encontrei o amigo na volta da ponte aérea e papo vai papo vem é claro que falamos de Obama. Ele é simpatizante, como eu, mas a minutos tantos de conversa virou-se para mim e comentou, num tom confessional a que não faltou um toque pungente:

- Sabe, esse negócio de esperança é nojento... me dá muito nojo mesmo.

Ele me fitou com cara de nojo, autêntica, sentida, e eu pude quase sentir a náusea latejando naquele pobre espírito.

Então o Obama é super ok, e tremendamente cool jogando basquete, mas convenhamos que esse negócio de esperança é de fato muito nojento



novembro 06, 2008

The gods must be joking

Cacete, o danado do milênio mal começou e já caíram as torres gêmeas, a China despontou como nova potência global, rolou um crash que não faz feio perto do de 29 e um negro filho de muçulmano foi eleito presidente dos EUA. É só impressão minha, ou está havendo uma certa banalização dos eventos que marcam época?



novembro 05, 2008

Saudações a Barack Obama

Obama3.jpg

Negar o caráter histórico da vitória de Barack Obama é querer brigar com os fatos. Como disse o David neste post, há 53 anos, Rosa Parks foi presa por não ter dado lugar a um branco no ônibus, e hoje os EUA elegem “um presidente que não é só negro, mas também filho de mãe branca e pai muçulmano”, tudo em meio “a duas guerras e uma crise que mal começou”. Eu continuo achando um erro votar em alguém por ser negro (se eu fosse americano, teria escolhido Obama por considerá-lo o melhor candidato, e não por ser negro), mas isso não quer dizer que não seja importante um país com um histórico segregacionista como os EUA eleger um negro – ou mulato, se você preferir - para a presidência.

A vitória de Obama realmente traz a expectativa de que a maior economia do mundo seja bem governada daqui para frente. Ainda que não tenha detalhado exatamente o que pretende fazer na economia, Obama se cercou de uma equipe competente. Além disso, o seu discurso de conciliação e tolerância é fundamental para quem vai suceder o pior presidente americano de todos os tempos - um sujeito medíocre, mentiroso, mau administrador, que cometeu graves erros políticos, geopolíticos e econômicos. Há algo mais grotesco do que a discussão sobre se waterboarding é ou não é tortura?

A crise financeira global exigia uma liderança política resoluta, e é difícil pensar em algo mais patético do que os vários discursos de George W. Bush tentando “transmitir confiança na solidez da economia americana” nas semanas em que o pânico dominou os mercados. Se não fosse a determinação e o bom senso de Gordon Brown, talvez ainda estivéssemos vivendo aquela volatilidade. Obama parece muito mais talhado para ser um líder global do que Bush, e deve mudar a lamentável orientação da política externa adotada no governo republicano.

Mas o mais importante é que a vitória de Obama reforça a democracia americana. Depois de duas eleições de Bush - uma delas roubada, com gol de mão, impedido, aos 54 do segundo tempo -, é bonito ver a vitalidade do sistema. Os EUA elegeram um candidato que é, em grande medida, o antípoda do atual presidente. É uma obviedade, mas é sempre bom lembrar que na democracia os erros podem ser corrigidos periodicamente, e que os novos escolhidos emergem das urnas quase sempre com grande respaldo popular. Parece pouco, mas não é



Vai que é tua, Barackão!

abacaxi.jpg



novembro 04, 2008

O melhor do Brasil

Morreu num quase anonimato entre os bem-pensantes a gestora do Bolsa Família, Rosani Cunha, uma mulher que fez mais para melhorar o presente e o futuro dos pobres brasileiros do que cem toneladas de intelectuais de esquerda prensadas e enlatadas para consumo da classe média "progressista". Rosani é o típico exemplo das melhoras subterrâneas que acontecem no Brasil, de forma inteiramente alheia à guerra caricata, histérica e fundamentalmente inútil entre esquerda e direita. Eu a conheci, uma mulherzinha simpática, bem-educada, inteligente, com aquela timidez quase que imperceptivelmente orgulhosa de quem nasce no interior. Não dá para fugir do clichê: vai fazer falta.

PS: Faltou explicar, para quem não sabe: Rosani morreu no fim de semana num acidente de carro na Argentina



Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte



* Alexandre Soares Silva
* Alto Volta
* Antonio Fernando Borges
* Arrastão
* Chá das Cinco
* Diacrônico
* Farsante
* FDR
* Filthy McNasty
* Los Olvidados
* Márcio Guilherme
* Nariz Gelado
* 8 bits e meio
* Porco capitalista
* Pró tensão
* puragoiaba
* Rinoceronte
* A vida de Tiago A.
* Samba Paranóia
* Outros a Postos
* Todos a Postos


Outros Blogs

* Al dente
* André Kenji
* Babel
* Bartleby etc.
* O biscoito fino e a massa
* Blog do Alon
* Blog do Tambosi
* Blogico
* O busílis
* Clínica da palavra
* Colorina
* Uma dama não comenta
* De Gustibus
* Dies irae
* Dr. Plausível
* Duas Fridas
* Filisteu
* FYI
* Gabriel
* O hermenauta
* H gasolim ultramarino
* O indivíduo
* Janer Cristaldo
* JP Coutinho
* Jorge Nobre
* Liberal libertário libertino
* A mão visível
* Milton Ribeiro
* Mundus minor
* Na prática a teoria é outra
* Nemerson Lavoura
* Noitada criativa
* Not tupy
* Número12
* Pirão sem dono
* Selva brasilis
* Sérgio Faria
* Valquirianas
* A volta dos que não foram


Posts Anteriores

Aforismos sem sentido
Está feio o negócio
Sequência inovativa para o cogito
Aleatórias prandiais II
Aleatórias pós-prandiais
Comunismo do século XXI
O flagelo dos deuses*
Olavão
Obamianas
The gods must be joking


Arquivos

dezembro 2008
novembro 2008
outubro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
Abril 2006
Março 2006
Fevereiro 2006
Janeiro 2006
Dezembro 2005
Novembro 2005
Outubro 2005
Setembro 2005


Syndicate this site (XML)

Busca





Powered by